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Excertos de One Hundred Proofs that the Earth is not a Globe [Uma centena de provas de que a Terra não é um globo], um panfleto em defesa da Terra Plana escrito e distribuído por William Carpenter (1830-1896) em 1885:

Se a Terra fosse um globo, então um pequeno modelo do globo seria a melhor coisa — por ser a mais verdadeira — para o navegador que se orienta no mar. Mas não se conhece tal coisa. Com tal brinquedo como guia, o marinheiro bateria seu navio e, com toda a certeza!, esta é uma prova de que a Terra não é um globo. 

Navegadores (e mesmo aeronautas!) usam projeções planas em lugar de globos terrestres por dois motivos. (1) é geometricamente simples: é muito mais fácil traçar e manter uma linha reta que permite a menor distância em um mapa plano do que em um globo; (2) Carpenter está parcialmente correto: um globo terrestre pode ser um brinquedinho tão divertido que pode distrair os mais bravos navegadores!

Se a Terra fosse um globo, rolando impetuosamente através do “espaço” a uma taxa de “cem milhas em cinco segundos”, as águas dos mares e oceanos não poderiam, segundo qualquer lei conhecida, ser mantidas em sua superfície. A afirmação de que elas poderiam ser retidas sob essas circunstâncias é uma ofensa ao entendimento e à credulidade humana.

Claro que é uma tremenda ofensa a qualquer inteligência. Além dessa tal gravidade, conceitos como inércia, atrito e pressão do ar são tão etéreos e contra-intuitivos!

Há rios que fluem por centenas de milhas até o nível do mar sem declinar mais que uns poucos pés — o mais notável é o Nilo, que, em mil milhas (sic) não cai mais do que um pé. Um desnível dessa extensão é bastante incompatível com a ideia de convexidade da Terra. É, portanto, uma prova razoável de que a Terra não é um globo.

Mas se há rios que correm por tão longas distâncias sem mudar de nível, porque temos tantas cachoeiras, cascatas ou desníveis tão grandes que nos permitem construir usinas hidrelétricas como a Represa de Assuã, que fica no próprio Nilo? E, por falar em Nilo, esse grande rio africando tem umas quatro mil milhas.

Os astrônomos nos dizem que, em consequência da “esfericidade” da Terra, as paredes perpendiculares dos edifícios não são, nenhures, paralelas e que mesmo as paredes de casas do lado oposto da rua não são! Mas, uma vez que todas as observações falham ao encontrar qualquer evidência dessa ausência de paralelismo que a teoria exige, devemos renunciar à ideia por ser absurda e estar em oposição a todos os fatos bem-conhecidos.

WTF, Mr. Carpenter? Paredes perpendiculares não poderiam ser paralelas nem mesmo em um mundo plano! Tu não sabe escrever ou não sabe consultar um dicionário?? E a distância entre duas casas é pequena demais para que a divergência de duas paredes ou muros seja observável — mas ela existe.

Se nós examinarmos uma verdadeira imagem do horizonte distante, ou a própria coisa, nós veremos que ele coincide exatamente com uma linha perfeitamente reta e nivelada.

Pode até ser verdade, mas apenas em terrenos perfeitamente planos. E embora seja a prova mais clássica da Terra-Plana, isso não prova nada.  Mesmo tendo emigrado de navio de Greenwich, Inglaterra, para Baltimore, nos EUA, Carpenter negava as evidências que ele mesmo pôde observar. Ele achava que o “desaparecimento” de navios na linha do horizonte fosse apenas uma ilusão de ótica, e, por isso mesmo, não provaria a convexidade terrestre.

A teoria Newtoniana de astronomia afirma que a Lua “empresta” sua luz do Sol. Agora, uma vez que os raios do Sol são quentes e que a Lua emite uma luz que não é asolutamente quente, segue-se que o Sol e a Lua são “duas grandes luzes” como lemos algures [e] que a teoria Newtoniana é um equívoco.

Essa é tão singela que chega a ser hilária. Parece a explicação de uma criança (com todo respeito aos pequenos, que também têm seus momentos de genialidade). Se isso fosse verdade, então a luz de uma fogueira ou tocha refletida por um espelho plano deveria ser capaz de nos aquecer, mesmo que estivéssemos bem longe do fogo. E esse “algures” que fala de “duas grandes luzes” é nada menos que a Bíblia!

Se um projétil for disparado de um corpo, que se move rapidamente, na direção oposta  à qual o corpo se dirige, ela cairia a uma distância menor do que alcançaria se fosse disparada na direção do movimento. Agora, uma vez que diz-se que a Terra move-se a cerca de dezenove milhas por segundo, “de oeste para leste”, isso faria toda a diferença imaginável se uma arma fosse disparada na direção oposta [à do movimento terrestre]. Mas… independente do que se faça, não há a menor diferença.

Incrivelmente, essa quase chegou à relatividade do tempo e do espaço. Se Carpenter tivesse pensado na luz viajando no espaço e não em balas na Terra, talvez desenvolvesse uma Teoria da Relatividade. Mas ele preferiu ficar com a cabeça bem firme no chão. De uma Terra Plana, naturalmente.

Quem quiser, pode continuar a se divertir com as pérolas de Mr. Carpenter. Todas as suas 100 “provas” estão disponíveis aqui (em inglês).


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