Patentes Patéticas (nº. 87)

http://www.google.com/patents/US1926420

Que mico!

Hoje em dia não é difícil encontrar por aí gente que humaniza animais, a ponto de dar aos bichos tratamentos iguais ou até melhores do que os dispensados às pessoas. Geralmente são madames riquíssimas e seus cãezinhos de bolsa ou solitários de ambos os sexos cercados de gatos. Ou então aquele tio de meia-idade e seu papagaio. Por mais loucos que possam parecer, eles nunca tiveram a ideia de patentear suas fantasias envolvendo animais.

Mas como a loucura humana não conhece limites, alguém já fez isso: Rennie Renfro patenteou sua ideia de combinar cães e macacos num simulacro de jóquei. São os Combined racing greyhound harness and rider supporting means [Meios combinados de suporte e arreios para cavaleiros de galgos de corrida]: (mais…)

O primeiro telespectador e a primeira TV

Entrada no diário do jornalista britânico Sydney Moseley, datada de 1º. de agosto de 1928:

[…] Encontrei um jovem pálido de nome Bartlett que é secretário da nova Baird Television Company. Televisão! Ansioso para ver o que é que é […] Ele me convidou para acompanhá-lo até Long Acre onde a nova invenção está instalada. Agora isso é alguma coisa! Televisão!

Conheci John Logie Baird [1888-1946], um homem charmoso — um tímido escocês come-quieto. Ele poderia passar por modelo da imagem que um colegial tem de um inventor: cabelos desarrumados, modesto, sonhador, distraído. Não obstante, sagaz. Sentamo-nos e proseamos. Ele contou-me que está passando maus bocados com os zombeteiros e os céticos — incluindo os da BBC e de parte da imprensa — que tentam ridicularizar e matar a invenção da televisão em seu berço. Perguntei-lhe se ele me permitiria ver o que ele realmente havia conseguido. Bem, ele teria que se arriscar à minha censura — ou ao meu louvor! Se eu fosse convencido, batalharia por ele. Passamos um tempo juntos e consegui testar sua notável alegação.

[Mais tarde] Vi televisão! O parceiro de Baird — irlandês alto, de boa aparência, mas bastante temperamental, o Capitão Oliver George Hutchinson — foi agradável, mas estava bastante nervoso em arriscar-se comigo. Ele estava terrivelmente ansioso e eu devia ser impressionado. Gostei desse par, especialmente do Baird e decidi dar o meu apoio […] Acredito que realmente temos o que é chamado de televisão. E assim, [sou] mais um na briga!

Baird já vinha trabalhando em seu televisor desde 1924. De certa forma, Moseley conseguiu ganhar a briga: foi graças à influência de seus artigos bastante otimistas sobre a nova tecnologia (aliado a uma boa dose de pressão política) que a hesitante BBC entrou no desenvolvimento da TV em 1929. Mas então, o que deu errado? Porque não tivemos TV em massa antes dos anos 1950 (ou até mais tarde, em muitos países)? (mais…)

Instruções encontradas no ‘lixo’

diferenciação celular

Células-tronco do embrião de um rato se diferenciam nesta imagem. Em verde, as células precursoras da mesoderme; em vermelho, as precursoras da endoderme. Antes considerado parte do “genoma lixo”, os microRNAs são os orientadores desse delicado processo de diferenciação. [imagem: Sanford-Burnham Medical Research Institute]

A transformação de um punhado de células — o embrião — em um ser vivo completo e saudável sempre foi um dos maiores mistérios do mundo biológico. Como esse delicado processo de desenvolvimento é controlado? De que forma algumas proteínas se manifestam no momento certo? O que faz as células se desenvolverem em diferentes camadas que resultarão em órgãos e tecidos?

Talvez tenhamos jogado as respostas na lixeira. Lembra do DNA lixo? Durante anos pensamos que o código genético que não codificava proteínas era inútil. Já sabemos que o lixo genômico não é tão lixo assim. Agora uma pesquisa mostra uma das funções mais importantes do já foi visto como lixo: manter o desenvolvimento celular no rumo certo. (mais…)