File:Berlin Wall Potsdamer Platz November 1975 looking east.jpg

J. Richard Gott, um astrofísico de Princeton, estava visitando o Muro de Berlim em 1969. Durante o passeio, teve um insight e percebeu que sua visita acontecia num momento aleatório da existência do muro. Assim, pareceu-lhe razoável supor que havia 50% de chances que ele estivesse observando a Cortina de Ferro bem na metade de sua história. “Se eu estava no começo desse intervalo”, escreveu mais tarde na New Scientist “então um quarto da vida do muro já havia passado e faltavam ainda três quartos.”

“Por outro lado” — continua Gott — “se eu estivesse no fim desse intevalo, então três quartos já teriam passado, restando apenas um quarto para o futuro. Dessa maneira, calculei que havia 50% de chance de que o muro duraria de 1/3 a 3 vezes o tempo em que já existia.” Àquela altura, o muro tinha 8 anos de existência. Portanto, Gott considerou que havia 50% de chances de que ele permaneceria lá por mais de 2 anos e 2/3 (aprox. 2 anos e 8 meses) mas menos de 24 anos. O prazo máximo de 24 anos terminaria em 1993. O Muro, como todos sabem, caiu em 1989.

Depois de perceber o sucesso de seu raciocínio, Gott aplicou o mesmo princípio para estimar o tempo de vida da espécie humana. Em um artigo publicado na Nature — justamente em 1993 —, ele argumentava que havia 95% chances de que nossa espécie sobreviveria entre os próximos 5.100 a 7,8 milhões de anos.

A validade do método Gott de previsão — mais conhecido por Método Copérnico por partir do Princípio Copernicano de que não há nada de especial em um observador humano — ainda é matéria de debate entre físicos e filósofos. Ainda em 1993, Gott usou seu método para prever, em artigo publicado na New Yorker, a longevidade de 44 peças e musicais da Broadway — com 90% de acertos.


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rafinha.bianchin · 19 de dezembro de 2012 às 21:59

Eu também penso/pensava assim, por isso nunca entendi estatística.
Digamos que meus pais tenham uma doença hereditária. Aplicando a regra da letra minuscula, letra maiúscula e do jogo da velha, chegamos a conclusão de que, sei lá, existe 92% de chance de eu ter a mesma doença. Eu entendo o processo usado para chegar ao número, mas para mim a probabilidade é de 50%: sim ou não.
Eu sei que, pelo menos nesse caso, o pensamento deve ser acompanhado de uma mente MUITO linear para o lado estatístico, mas, apesar de tudo, faz sentido.
Lembrei de um algoritmo usado por Everett quando ele trabalhava para o Pentágono, no qual podia-se prever acontecimentos futuros com base no passado, como prever a rota de mísseis balísticos intercontinentais soviéticos.
E essa história de que a “consciência” interfere nos acontecimentos, isso é história de Copenhague, não é?

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