Darwin abalado

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Em seu diário de viagem, Darwin relata uma experiência sísmica enquanto estava no Chile:

20 de Fevereiro — Dia memorável nos anais de Valdívia, pelo mais severo terremoto experimentado pelos seus habitantes mais antigos. Aconteceu de eu estar na praia, deitado no mato para descansar. Veio subitamente e durou dois minutos, mas o tempo pareceu muito maior. O tremor do solo era muito sensível. As ondulações apareceram ao meu companheiro e a mim como vindas do leste, embora outras proviessem do sudoeste. O que demonstra o quão difícil é perceber a direção dessas vibrações nesses casos. Não tive dificuldade de me levantar, mas o movimento me deixou quase zonzo. Era como um movimento de um barco num mar meio ondulado, ou mais ou menos como o sentido por uma pessoa esquiando sobre gelo fino, que parte-se sob o peso de seu corpo. (mais…)

Relatório Asimov sobre a Criatividade (1959)

Depois de lançar com sucesso seu primeiro satélite espacial, o Sputnik, a União Soviética parecia estar pronta a dominar o mundo. Enquanto isso, os Estados Unidos estavam apenas começando a esboçar uma reação. Em 1958, foram criadas a NASA e a ARPA. No ano seguinte, a relação entre essas duas entidades ainda era confusa. Impaciente, o governo americano já havia percebido que precisava definir bem os papéis para ter suas próprias surpresas tecnológicas. Outro problema: não importava o quanto fosse investido na expansão tecnológica, ela parecia inadequada.

Arthur Obermayer trabalhava na Allied Research Associates, empresa da MIT dedicada ao estudo dos efeitos de armas nucleares em estruturas aeronáuticas. A firma estava envolvida num dos primeiros projetos da ARPA, o GLIPAR (Guide Line Identification Program for Antimissile Research) [pdf]  e precisava de muita criatividade para ajudar a projetar um sistema de defesa com mísseis balísticos. O governo americano queria que todos os envolvidos fossem estimulados a “pensar fora da caixa”. Mas como fazer isso? (mais…)

A Bioquímica é Bela. Ainda mais com um Nobel.

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Células em prófase (esq.) e anáfase (dir.), com histonas e taxas de crescimento de microtúbulos. Gráfico mostra distribuição de taxas de crescimento de diferentes estágios da mitose, numa média a partir de um grupo de 9 a 12 células. [Crédito: Betzig Lab/HHMI]

Contrações musculares. Interações celulares. Citocinese. Intérfase. Metáfase. Anáfase. Presentes nas aulas de Biologia a partir do ensino médio, esses termos designam fenômenos riquíssimos que — como algumas reações químicas bem mais simples — estão acontecendo em cada ser vivo presente neste momento. Também há muita beleza oculta nos laboratórios de Bioquímica. E ela também está sendo descoberta e observada com novas tecnologias na microscopia, que começaram a ser desenvolvidas há 10 anos por Eric Betzig. Os resultados começam a aparecer agora e são tão promissores que já lhe valeram um Prêmio Nobel. (mais…)

“Anúncios Curiosos na Igreja”

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“Sleeping Congragation” (William Hogarth, 1728)

Independente da religião, sempre há um momento bastante solene no culto, missa ou ritual. Pode ser um sermão ou pregação, uma oração ou a leitura da respectiva escritura sagrada. Por vezes, porém, essa solenidade toda pode ser perdida por motivos diversos. O Rev. R. Wilkins Rees relata alguns causos de sermões que deram errado no ensaio “Curious Anouncements in the Church”, publicado em Ecclesiastical Curiosities (ANDREWS, 1899). Vamos começar com um pequeno mal-entendido: (mais…)

A Química é Bela. Ainda mais em 4K.

Precipitação. Gaseificação. Combustão. Acidificação. Cristalização. Há muita ação (e reação) por trás das aulas de Química, mas falta atenção. Porque essa ação toda está em detalhes tão pequenos e fugazes que são facilmente ignorados por professores e alunos. Mas não são apenas as reações que passam em branco nas salas Leia mais…

Fim de um Mistério: Majorana (ou não)

Ser ou não ser, ligado ou desligado, zero ou um, partícula ou onda. O mundo está cheio de alternativas mutuamente excludentes. Mas há também muito entre esses extremos. Muita ambiguidade, indefinição: ondas que são partículas e podem estar ligadas e desligadas, sendo e/ou não sendo. Enquanto na escala cosmológica, temos os quasares (objetos quase estelares), na escala subatômica encontramos as quasipartículas. E nenhuma quasipartícula é tão quase e tão ambígua quanto o Férmion de Majorana. Nem quase tão fácil de encontrar. (mais…)

Andrew Crosse e seus insetos elétricos II

Andrew Crosse

Andrew Crosse (1784-1855): gentleman, poeta e Frankenstein acidental.

Tudo começou em 1836, quando Andrew Crosse foi persuadido por um amigo a participar de um encontro da British Association for the Advancement of Science [Associação Britânica para o Progresso da Ciência], em Bristol. Informalmente, Crosse descreveu algumas de suas descobertas durante um jantar em Bristol, onde foi estimulado a fazer apresentações mais formais (e práticas) de suas eletrocristalizações para as seções de química e de geologia da Associação. (mais…)

Andrew Crosse e seus insetos elétricos

Andrew Crosse

Andrew Crosse (1784-1855): gentleman, poeta e Frankenstein acidental

Ao escrever seu clássico Frankenstein ou o Prometeu Moderno em 1818, Mary Shelley [1797-1851] fez mais do que simplesmente inventar o gênero de ficção científica. Ao criar Victor Frankenstein e seu monstro, ela também estabeleceu um arquétipo do novo gênero: o cientista arrogante que ousa criar vida e desafia os planos de Deus agindo… bem, como um deus. Frankenstein, mais do que sinônimo de monstro, passou a representar (às vezes exageradamente) o cientista insensível, vil ou até mesmo maluco. (mais…)