Atividade vulcânica deu uma densa - porém efêmera - atmosfera à Lua há 3,5 bilhões de anos. [Imagem: NASA/divulgação]

Atividade vulcânica deu uma densa – porém efêmera – atmosfera à Lua há 3,5 bilhões de anos. [Imagem: NASA/divulgação]

Uma das primeiras coisas que aprendemos sobre a Lua na escola é que lá não dá pra respirar porque não tem atmosfera. Mas nem sempre foi assim: a Lua teve uma camada de ar, ainda que irrespirável.

Descobrir a história geológica (ou melhor, selenológica) do nosso satélite natural foi um dos principais objetivos do projeto Apollo. Quase meio século depois de recolhidas, amostras lunares continuam nos revelando o passado do nossa companheira noturna. Entre essas amostras estão pedras basálticas que foram estudadas recentemente pela Dra. Debra Needham e o Dr. David Kring, vulcanologistas planetários da NASA.

Como na Terra, o basalto lunar é uma rocha de origem vulcânica e sua cor escura forma as áreas conhecidas como mares. Sua análise revela quando e como ocorreram erupções. Mais do que saber isso, Needham e Kring queriam descobrir quais foram os gases emitidos pelos vulcões da Lua. O que os dois descobriram “muda completamente o modo como pensamos na Lua. Ela se torna um corpo planetário muito mais dinâmico para se explorar”, disse Needham em comunicado ao Sci-News.

Quem visitasse a Lua há cerca de 3,5 bilhões de anos encontraria uma réplica da Terra da mesma época: um ambiente hostil, com uma intensa atividade vulcânica e uma atmosfera densa e fumacenta, composta de monóxido de carbono, enxofre e água. Essa é a conclusão das análises feitas por Needham e Kring, publicada em artigo a ser publicado na Earth and Planetary Science Letters, mas já disponibilizado on-line.

De acordo com o estudo, as erupções vulcânicas geraram 10¹⁹ gramas de matéria volátil na superfície lunar. Foi o bastante para formar uma atmosfera 1,5 vez mais densa do que a que existe hoje em Marte. Então onde foi parar o ar da Lua e como ela se tornou o deserto estéril que é hoje?

Apesar de densa, a atmosfera lunar não durou muito: em apenas 70 milhões de anos, a Lua ficou sem ar. Um dos motivos é que nosso satélite natural não tem um campo magnético, que teria protegido a atmosfera da varredura dos ventos solares. Além disso, a gravidade lunar é menor e tem menos poder de reter gases. Ainda assim, nem tudo teria sido perdido para o espaço.

Segundo os autores da pesquisa, é possível que uma pequena parte da atmosfera lunar tenha sido reabsorvida pelo solo. Isso explicaria, por exemplo, a existência de depósitos de água encontrados nos polos da Lua nos últimos anos. Mesmo que uma fração tão pequena como 0,1% da água lunar tenha sido retida, estima-se que esse volume seria o bastante para sustentar algumas missões tripuladas de longa duração. Meio século mais tarde, esse é um bom motivo para voltarmos à Lua.

Referência

rb2_large_gray25Debra H. Needham & David A. Kring. Lunar volcanism produced a transient atmosphere around the ancient Moon [Vulcanismo lunar produziu uma atmosfera temporária ao redor da antiga Lua]. Earth and Planetary Science Letters 478: 175-178. 2017. DOI: 10.1016/j.epsl.2017.09.002


0 comentário

Erivelton José de Oliveira · 10 de março de 2019 às 10:02

Me digam uma coisa: Ao sairmos da atmosfera da terra não vamos mais encontrar atmosfera no espaço sideral. Correto!Então por não existir atmosfera no vácuo, então dali pra lá veremos o céu totalmente escuro a não ser ver a claridade das estrelas, da lua e o azul do nosso planeta terra, como se fosse numa noite de céu estrelado. Estou raciocinando corretamente ou ainda veremos o céu claro mesmo saindo da atmosfera terrestre?

    Renato Pincelli · 13 de março de 2019 às 21:07

    Não sei qual o motivo do seu raciocínio, Erivelton, mas ele está basicamente correto.

    Ao sair do planeta, o que se observa é um céu escuro como o da noite, mas não necessariamente uma noite estrelada. Como o sol ainda está próximo, enxergar a maioria das estrelas seria difícil por causa da luz solar. Então o que acontece nas vizinhanças da Terra é um céu escuro mas com uma iluminação difusa, algo parecido com o que vemos pouco depois do anoitecer ou numa noite em que a lua fica coberta por nuvens. Para vermos um céu realmente escuro (e provavelmente muito estrelado), seria necessário se afastar muitíssimo tanto da Terra quanto do Sol.

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