O paradoxo do filme de terror

Charles está assistindo um filme de terror sobre uma terrível gosma verde. Ele se arrepia no seu assento enquanto a gosma espalha-se lenta porém inexoravelmente sobre a Terra, destruindo tudo em seu caminho. Logo uma cabeça gosmenta emerge da massa ondulante, com seus dois olhos maliciosos. Ganhando velocidade, a gosma Leia mais…

Os paradoxos das sinfonias silenciosas

Um ouvinte mais desatento poderia dizer que perdeu quatro minutos e meio após ouvir 4’33”, de John Cage. Composta em 1952, essa pequena peça para piano é, sem dúvida, a composição mais silenciosa possível. Mas 4’33” não é a única “sinfonia de silêncio”, por mais paradoxal que o termo possa parecer.

Silêncios — em forma de pausas relativamente breves — são importantes em qualquer composição musical. Mas quando temos uma peça inteira em silêncio, ela ainda é música? O que é música, afinal? Ao apresentar seus quatro minutos e meio de silêncio, John Cage (1912-1992) buscava levantar exatamente essas perguntas.

Pioneiro da chamada música aleatória, Cage queria fazer a audiência ouvir como música os sons ambientes da sala de concerto, apresentando ruídos como arte. Silêncio, por favor: (mais…)

Filosofia da porra

Ok, esse título não é muito sutil. Mas foi o que me ocorreu quando me deparei com esse trecho de Montaigne: O físico Arquelau (ou Archelau), de quem Sócrates foi discípulo e favorito, segundo Aristóxeno, pensava que os homens e os animais eram engedrados por um barro leitoso produzido pela Leia mais…

>Soneto ao Nada

>Poema de Richard Porson, publicado na edição de 4 de março de 1814 do Morning Chronicle: Misterioso Nada! Como hei-de mostrarVosso infome, infundado, ilocável vazio?Nem forma, nem cor, nem som, nem tamanho traz.Nem palavras ou dedos podem expressar vosso vozerio. Mas embora não possamos vos comparar a algures,Um milhar de Leia mais…