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As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti, ai

Que as rosas não falam, todo mundo já sabe. Mas talvez as rosas não exalem nada, Cartola. Quando você vê uma rosa, sabe que ela está lá, que existe. Porém, ao vendar seus olhos essa certeza desaparece, se você se guiar apenas pelo seu nariz. Você pode supor, com graus variáveis de certeza, que o que você sente com seu olfato é uma rosa. Pode não haver rosa nenhuma por perto. Pode ser apenas uma substância que imita o perfume da flor.

De qualquer modo, quando você sente o cheiro de uma rosa (ou de uma imitação de rosa), ela só existe dentro da sua mente. É uma mera impressão ou mesmo ilusão olfativa. O mundo visual, portanto, parece ser formado por objetos independentes e com propriedade (objetivamente) observáveis. Mas o mundo dos cheiros parece existir apenas em nossa consciência — ou, pelo menos, na consciência de algum ser vivo dotado de olfato.

Vamos supor que a primeira planta a brotar em Marte seja uma rosa. Mesmo daqui, do planeta Terra, seria visualmente possível confirmar que ela é vermelha. Mas, nesse caso, não haveria por lá nenhuma criatura — nem terrestre nem marciana, muito menos robótica — capaz de sentir-lhe o cheiro. Haveria, então, um perfume de rosa?

Do mesmo modo, se não houvesse aqui nenhuma criatura capaz de enxergar as rosas, elas ainda seriam vermelhas. Mas será que elas ainda teriam um doce perfume?


0 comentário

Roberto Takata · 27 de maio de 2013 às 23:28

Na verdade, a cor tb é uma sensação. Abelhas e beija-flores são capazes de enxergar no espectro ultravioleta: qual a visão correta da flor, a nossa ou das abelhas? As duas.

O que, adotando um certo grau de realismo físico (de existência independente dos objetos) e afastando um grau mais elevado de solipsismo, existe é a rosa com uma determinada característica de absorção, transmissão e reflexão da luz por suas pétalas. No caso, de reflexão de ondas de comprimento na faixa dos 620 a 750 nm.

Do mesmo modo que a rosa teria a propriedade de exalar compostos aromáticos de baixo peso molecular como eugenol, citronelol, limoneno, óxido de rosa e vários outros.

[]s,

Roberto Takata

    André Souza · 29 de maio de 2013 às 8:41

    Se fabricássemos uma rosa sintética, usando a mesma composição e tão “idêntica” a natural quanto possível, ela seria uma rosa “in natura” ou apenas um simulacro?

    Outra questão: eu poderia patentear “a fórmula da rosa” junto com a patente da rosa sintética e exigir royalities de todos os produtores de rosa, mesmo as in natura, já que todas usam a “minha fórmula”?

    Renato Pincelli · 1 de junho de 2013 às 20:47

    Boas perguntas, André. Em termos de patentes, isso nos leva direto à questão da proteção intelectual de produtos biológicos (ou semi-biológicos). Seu simulacro de rosa, tão idêntico ao natural quanto possível não deveria, em tese, ser patenteável. Se fosse tão perfeito a ponto de ser indistinguível do natural, como comprovar que é uma invenção sua e não uma rosa in natura colhida num jardim qualquer?

André Souza · 28 de maio de 2013 às 10:51

….Acho q, além do perfume, a cor pode ser contestada…Afinal, o que é vermelho? Sabemos que a cor vermelha pode ser delimitada por um espectro de frequencia dentro da faixa de luz visível, assim como o perfume pode ser descrito por algumas moléculas, mas o que garante que o vermelho que eu enxergo é o mesmo que outra pessoa enxerga?

Tipo imaginemos uma pessoa “daltônica”, desde nascença, que troque o verde pelo vermelho(o vermelho ela “vê” verde) e vice-versa. Se ela aprendeu a chamar o que chamamos de verde como vermelho e o que chamamos de vermelho como verde, ela poderia se passar por “normal”, sem daltonismo?

Vitor · 28 de maio de 2013 às 19:03

Mas a visão não pode também parecer uma ilusão tal qual o olfato?
As alucinações que o digam!

Acho que nós só confiamos mais na visão do que nos outros sentidos. Imagino que para um tubarão, por exemplo, a situação deve se inverter.

Sandro · 28 de maio de 2013 às 21:50

Na boa… eu nunca senti o tal perfume da rosa… no máxim um cheiro de mato igual a capim…

rafinha.bianchin · 29 de maio de 2013 às 23:22

Plagiando o meu xará, vou fazer uma declaração sobre o paradoxo:

bool paradox = false;

Igor Santos · 5 de junho de 2013 às 9:41

E se, ao invés de um telescópio, observarmos a flor com um Smell-O-Scope?
http://futurama.wikia.com/wiki/Smell-O-Scope

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