Memória Fotográfica: Jacob Riis

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Hester Street, c. 1890 (Jacob Riis)

Nova York, fim do século XIX. Aqui é a porta de entrada dos EUA, com suas mansões, avenidas, cartolas, vestidos, telégrafos, eletricidade, ferrovias, máquinas fotográficas… Uma das inúmeras máquinas fotográficas nova-iorquinas era de um imigrante dinamarquês. Jacob Riis viveu na miséria nos dois lados do Atlântico. Em vez de se deslumbrar com as riquezas da “América”, ele focou suas lentes para os recantos esquecidos da Belle Èpoque: os cortiços e barracos, as vielas sujas e escuras, as delegacias de polícia e os albergues, os ladrões e os membros de gangues, os velhos abandonados e os imigrantes que descobrem que o Novo Mundo não é bem uma terra de oportunidades… (mais…)

O Mistério do Homem de Somerton [Parte 3: Química, Fotografias e outras evidências]

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Mr. Somerton

Há quase 70 anos, um homem apareceu morto na praia de Somerton, em Adelaide, Austrália. Na primeira parte sobre a história e a investigação deste caso que ainda não foi esclarecido, vimos as circunstâncias da cena ocorrida na manhã de 1º. de Dezembro de 1948. Na segunda parte, estudamos dois códigos: o encontrado num livro e o DNA. As letras rabiscadas no livro ainda não foram decifradas. As evidências genéticas apontam para uma possível origem americana. Neste último capítulo, vamos ver as evidências químicas — que excluem a possibilidade de envenenamento e revelam que Mr. Somerton chegara a Austrália poucos dias antes de falecer. Novos exames de evidências colhidas na época, como fotografias post-mortem e registros dentários também jogam novas luzes sobre o caso. (mais…)

Memória Fotográfica: Cuthbert Bede

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A primeira coisa que aparece após uma nova tecnologia são os early adopters, os entusiastas, gente que muitas vezes não sabe muito bem o que fazer mas faz — por vezes com uma ingenuidade cômica. A segunda coisa que aparece depois de uma inovação é gente que tira sarro dos entusiastas. O reverendo Edward Bradley (1827-1889) foi as duas coisas em termos de fotografia: um pioneiro tanto na prática da nova arte quanto em sua crítica humorística. Além de clérigo, Bradley era romancista e caricaturista, assinando seus trabalhos com o irreverente pseudônimo Cuthbert Bede (referência aos dois mais veneráveis doutores da Igreja inglesa, S. Cuthbert e S. Beda). (mais…)

A Bioquímica é Bela. Ainda mais com um Nobel.

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Células em prófase (esq.) e anáfase (dir.), com histonas e taxas de crescimento de microtúbulos. Gráfico mostra distribuição de taxas de crescimento de diferentes estágios da mitose, numa média a partir de um grupo de 9 a 12 células. [Crédito: Betzig Lab/HHMI]

Contrações musculares. Interações celulares. Citocinese. Intérfase. Metáfase. Anáfase. Presentes nas aulas de Biologia a partir do ensino médio, esses termos designam fenômenos riquíssimos que — como algumas reações químicas bem mais simples — estão acontecendo em cada ser vivo presente neste momento. Também há muita beleza oculta nos laboratórios de Bioquímica. E ela também está sendo descoberta e observada com novas tecnologias na microscopia, que começaram a ser desenvolvidas há 10 anos por Eric Betzig. Os resultados começam a aparecer agora e são tão promissores que já lhe valeram um Prêmio Nobel. (mais…)

A Química é Bela. Ainda mais em 4K.

Precipitação. Gaseificação. Combustão. Acidificação. Cristalização. Há muita ação (e reação) por trás das aulas de Química, mas falta atenção. Porque essa ação toda está em detalhes tão pequenos e fugazes que são facilmente ignorados por professores e alunos. Mas não são apenas as reações que passam em branco nas salas Leia mais…

Memória Fotográfica: Wilson A. Bentley

A Dendrite Star, Smithsonian Institution Archives, Record Unit 31, Box 12, Folder 17, Negative no. 591.

Há quem goste de frio. Há quem goste muito de frio. E há quem tem tamanha paixão pelo frio que dedica a vida ao estudo da neve e seus cristais de gelo. Wilson Alwyn Bentley enquadra-se nessa última categoria. Filho de uma professora rural com conhecimento enciclopédico que tinha um velho microscópio, W. A. Bentley nasceu em 9 de fevereiro de 1865, em Jericho, Vermont. (mais…)

Memória Fotográfica: Anna Atkins

Asplenium Braziliensis, by Anna Atkins (c. 1854)

Asplenium Braziliensis, by Anna Atkins (c. 1854)

Tonbridge, Kent, Inglaterra. Na virada de 1799 para 1800 nasce uma criança e morre uma mãe. A mãe, Hester Anne Children, não se recupera do parto de uma menina e morre nas primeiras semanas do novo ano. A menina, batizada de Anna Children, é criada zelosamente pelo pai, John George. (mais…)