Você sabe quais os benefícios do café para saúde?

O café é a bebida mais consumida no Brasil e uma das mais consumidas mundialmente devido não apenas ao seu efeito estimulante e propriedades sensoriais, mas por proporcionar interação entre as pessoas a partir do convívio social. Nesse sentido, o consumo de café está intimamente associado a hábitos sociais de convivência que aumentam o bem estar e melhoram a saúde.

O principal componente psicoativo do café é a cafeína (1,3,7-trimetilxantina) e os efeitos comportamentais mais evidentes podem ocorrer após a ingestão de doses baixas a moderadas (50-300mg) de cafeína. Isto possibilita uma melhora no desempenho cognitivo e psicomotor como aumento do estado de alerta, disposição para atividades diárias e exercício físico, concentração, foco, desempenho em tarefas, vigilância auditiva, tempo de retenção visual, além da diminuição do sono e do cansaço.

Existe uma recomendação diária de consumo de café?

A quantidade é variável. Mas, de uma forma geral, o consumo pode ser de 3 a 5 xícaras de café por dia. Sendo que uma xícara de café pode apresentar de 50 a 100mg de cafeína, dependendo do tamanho da xícara e do tipo de preparo (fervido, infusão, solúvel ou expresso), conforme demonstrado no quadro abaixo.

Quadro – Estimativa de cafeína em 1 xícara (de 150mL) de café de acordo com modo de preparo:

Café infusão – 66 a 99mg de cafeína

Café solúvel ou instantâneo – 66 a 81mg de cafeína

Café fervido – 48 a 86mg de cafeína

Café expresso – 76mg de cafeína

Café descafeinado – 1,3 a 1,7mg de cafeína

Adaptado de Lima et al., 2010.

Esse consumo de 3 a 5 doses de café/ dia é considerado um consumo moderado, correspondendo a aproximadamente 150 a 300mg de cafeína/dia.

A meia vida da cafeína, ou seja, o tempo em que ela permanece no organismo é de 3 a 5 horas. E os seus efeitos começam a partir de 30 a 60 minutos após o consumo do café.

Todavia, existem pessoas que são mais sensíveis aos efeitos da cafeína e o seu tempo de ação no organismo é maior.  São os chamados metabolizadores lentos de cafeína que apresentam um polimorfismo no gene CYP1A2 (codificante da enzima citocromo P450 1A2, responsável pela metabolização da cafeína).

Nestes casos, o consumo de café, mais especificamente da cafeína, pode acarretar taquicardia, ansiedade, hiperatividade, tremores, dor de cabeça, náusea e insônia.

É importante ressaltar que os efeitos indesejáveis podem manifestar-se principalmente em indivíduos metabolizadores lentos e aqueles mais sensíveis à cafeína como crianças, gestantes e idosos. E essas consequências podem acontecer mesmo sem o consumo de elevada quantidade da bebida.

Em relação à ansiedade causada pela ingestão de café, estudos demonstram que ela é mais presente em indivíduos que apresentem ansiedade grave, síndrome do pânico ou esquizofrenia.

Em algumas pessoas, a ingestão de café pode estar associada a desconfortos gastrointestinais, sendo que em determinadas condições clínicas como gastrite e úlceras, o consumo da bebida é desaconselhado.

A azia/queimação é o sintoma gastrointestinal mais referenciado após a ingestão de café. Tal efeito pode ser decorrente de irritação da mucosa esofágica e/ou de refluxo gastro-esofágico. E o café pode provocar o aumento desse refluxo e da secreção ácida gástrica.

Consumir um alimento antes da ingestão de café ou consumir o café juntamente com alimentos ou com leite, por exemplo, pode reduzir esse efeito de desconforto gástrico.

O que dizem os estudos sobre café e prevenção de doenças?

Muitas pesquisas vem sendo feitas investigando os efeitos do café na saúde e na prevenção de doenças.

No campo das doenças neurodegenerativas, estudos sugerem que o consumo de café está associado ao menor risco de doença de Parkinson, especialmente em indivíduos do sexo masculino. Outros estudos apontam um efeito neuroprotetor do café/cafeína em relação ao desenvolvimento de Alzheimer.

O consumo de café também pode auxiliar no emagrecimento devido ao efeito termogênico da cafeína. Ou seja, o aumento da termogênese/gasto energético após a ingestão de café ou cafeína. Além disso, estudos demonstram uma redução do risco de diabetes tipo II associado ao consumo de café.

Consumo de Café versus Saúde

  • Os efeitos do consumo de café dependem principalmente da quantidade dos compostos químicos e das substâncias antioxidantes ingeridas. Assim, a qualidade dos grãos irá refletir não apenas nas características sensoriais de gosto, sabor e aroma. Mas, também na maior qualidade dos seus componentes químicos que vão exercer efeitos benéficos na saúde.
  • Como mencionado, as pesquisas apontam para um efeito benéfico do consumo de café em relação à diminuição do risco de desenvolvimento de diabetes melittus tipo II, Parkinson e Alzheimer. E um efeito prejudicial ao contribuir para o aumento do risco de ansiedade, hipertensão arterial, sintomas gastrointestinais (gastrite, úlcera e refluxo) e doenças cardiovasculares.
  • Existe a variabilidade interindividual de metabolização da cafeína, além das condições fisiológicas e clínicas, e a preferência por diferentes tipos de bebidas de café, com variações desde as espécies, graus de torra e moagem e método de preparação da mesma que irão influenciar na qualidade não apenas sensorial, mas também nos efeitos benéficos para a saúde.

Por fim, o consumo de café é um hábito cultural do brasileiro. E em relação ao efeito do café na saúde humana, antes de ser generalizado como benéfico ou prejudicial, deve ser avaliado caso a caso, considerando o indivíduo na sua singularidade e só, assim, estimular ou desaconselhar o consumo da bebida.

Para mais informações, acesse: Lima et al. (2010). Café e saúde humana: um enfoque nas substâncias presentes na bebida relacionadas às doenças cardiovasculares. Rev. Nutr., 23(6): 1063-1073. Disponível em:  https://www.scielo.br/j/rn/a/NM6dh9CVSv7hxYFmGhQsjYb/?lang=pt

Sobre Helena Previato 14 Artigos
Helena Previato é Doutora em Alimentos e Nutrição pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Nutricionista e Mestre em Saúde e Nutrição pela Universidade Federal de Ouro Preto. Especialista em Nutrição Clínica pela Associação Brasileira de Nutrição.

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