Montanha russa de emoções: O início da jornada

Sabe aquele momento em que você se pergunta se realmente é isso que você deve fazer? Se você não pode simplesmente seguir onde estava e esquecer de tudo que te causa medo ou que te dá aquele frio na barriga? Foi exatamente assim que minha jornada nesse doutorado começou.

Você deve estar se perguntando: “Por que desse medo todo?”. Basicamente, a resposta que eu tenho hoje é que foi por medo do futuro, por não saber o que esperar, por estar recomeçando sem muita perspectiva de onde isso podia me levar. E assim, naquela onda de estar com medo, eu fui com medo mesmo. Cheguei na UNICAMP com uma insegurança grande com relação a quem eu era (como eu apresentei no primeiro post), sem conhecer praticamente ninguém, sem ter amigos por perto, dia após dia a solidão aumentava.

Foi então que eu me entreguei ao que eu tinha nas mãos, o trabalho. Assim, eu deixei de ter hora para me divertir, para cuidar do meu corpo e da minha alma (aqui sem me referir diretamente à religião), eu passei a viver para o doutorado, e dessa forma eu segui por pelo menos dois anos. Os amigos em geral eram do laboratório, a qualquer momento que alguém me pedia qualquer favor, eu parava o que estivesse fazendo e colocava isso como minha prioridade. Eu simplesmente tinha deixado de me importar com as minhas necessidades, pois a única coisa que eu realmente dei valor durante esse ano foi o “trabalho” e o que estivesse relacionado a ele.

Dessa forma, com o passar do tempo eu me peguei extremamente desligada com o que tinha relação com o dia a dia, isso porque eu saía do lab pensando no que eu tinha que fazer, e chegava em casa para recomeçar a fazer, a grande vantagem da bioinformática acabou sendo a maior desvantagem, eu perdi meu limite, vivia no automático para a rotina, e ao final do ano, a ansiedade e o estresse estavam a todo vapor.

Mas, como tudo na vida, nada é 100% bom ou 100% ruim, e eu tive muitos bons momentos. Eu aprendi muito esse ano, fiz alguns bons amigos para o momento, e me entreguei ao ambiente que eu estava vivendo, me dei a oportunidade de parar para conviver com algumas pessoas e começar a descobrir o que elas realmente precisavam. Minha vida acontecia fora de mim, mas ainda assim eu era capaz de interferir nisso.

Além disso, passei por alguns desafios interessantes: uma apresentação do meu trabalho em inglês, primeira apresentação de pôster do meu doutorado, primeira disciplina em inglês, alteração do objetivo do meu projeto inicial, e principalmente, aceitar que eu tinha muito o que aprender com todas as pessoas ao meu redor, com o capricho e com o amor com que toda a pesquisa era feita ali. A palavra do momento foi, sem dúvida, aprendizado.

Durante esse ano eu deixei muita coisa de lado, algumas pessoas que eram importantes para mim, mas que eu não soube dar atenção quando deveria; momentos que eu deixei de viver por estar sempre com a cabeça em outro lugar; e principalmente, oportunidades que eu deixei passar de estar com alguém por sentir que eu não tinha tempo para pensar em namoro. Hoje eu me pergunto o que realmente eu estava fazendo da minha vida, porque quando eu paro para lembrar de tudo o que passou, eu percebo que eu estava completamente sem a noção de mim mesma, eu me perdi, me deixei ser guiada por tudo ao meu redor, e, apesar de ter me tornado alguém mais confiante “profissionalmente”, eu tinha me tornado alguém ainda mais insegura no âmbito pessoal.

E assim, eu terminei o ano sentindo uma necessidade absurda de me transformar, de buscar um ponto de equilíbrio, porque estava me sentindo em um relacionamento abusivo, daqueles que te tira o resto do mundo.

“Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo a mata.
Quem tenta ajudar um broto a sair da semente o destrói.
Há certas coisas que não podem ser ajudadas.
Tem que acontecer de dentro para fora.”

Rubem Alves

Pra finalizar meu primeiro ano de doutorado falta deixar aqui o aprendizado e a minha ação a ser desenvolvida durante o segundo ano, que será apresentado no próximo post, não percam 😉

Aprendizado: “Por mais que eu tivesse algo muito importante na minha vida, nada podia ter o poder de ser tudo no mundo para mim, eu precisava encontrar o que mais poderia preencher minha vida, mas tudo tem seu tempo certo para acontecer.”

Ação: “O que é mais importante na vida, atingir objetivos ou aproveitar o caminho? Eu precisava encontrar meu ponto de equilíbrio.”

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Sobre Sheila Tiemi Nagamatsu

Formada em Biotecnologia pela UFSCar, Dra. em Genética e Biologia Molecular com ênfase em Bioinformática na UNICAMP, apaixonada por desenvolvimento pessoal e, atualmente, pós-doutoranda em YALE na área de psiquiatria.

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