Síndrome do Impostor, já ouviu falar?

Publicado por Marina Barreto Felisbino em

Se você nunca ouviu esse termo, há ainda grande chance de já ter se sentido dessa maneira, embora não soubesse nomear o problema.

Que cientista nunca sentiu inadequação mesmo em face de evidências que provam que isso não é real, ou não experimentou sensações de dúvida da sua capacidade, considerando-se assim uma fraude? Entretanto, se a frequência desses pensamentos e sensações for alta, é importante reconhecer o problema.

Reconheça os sinais

Se você ainda está em dúvida, cheque se alguns desses sentimentos se aplicam a você:

  1. Eu tenho receio de dar a impressão de ser mais competente do que realmente sou.
  2. Eu frequentemente tenho medo que descubram quanto conhecimento me falta.
  3. Eu não mereço as minhas conquistas.
  4. Eu sinto que valorizam demais meu sucesso, embora não mereça.
  5. Minhas conquistas foram devido à sorte ou estar na hora certa, no lugar certo.
  6. Eu procuro validação externa, embora não acredite totalmente quando receba.
  7. Quando me elogiam, eu tenho medo de não atender às expectativas.
  8. Eu tendo a focar no que fiz errado ao invés dos diversos acertos.
  9. Eu acredito que o que faço nunca é suficiente.

Reconhecer os sinais é o primeiro passo. Muitas vezes esses pensamentos são tão frequentes e subconscientes que mal conseguimos reconhece-los em um nível consciente para combate-los.

A partir de agora, ao senti-los, primeiramente reconheça que eles estão ali! Depois disso, questione se você está sendo justo e correto na sua análise. Sua memória dos fatos pode ser muito traiçoeira.

Imagem por Marina Felisbino

Alguns recursos

Aqui vão algumas dicas e recursos para procurar aliviar as angústias e ansiedades relacionadas a essa síndrome:

  • Cheque de realidade: Escreva pelo menos 5 conquistas pessoais e profissionais das quais você se orgulha. Mantenha lembranças de seu sucesso à mão caso precise. Pode ser mensagens de colegas e familiares, fotos de um evento e situação que te orgulhou.
  • Conecte-se com seus pares: Saber que outros, inclusive profissionais que você muito admira, têm as mesmas sensações pode ser um grande alívio. Escrevo esse texto exatamente com esse intuito.
  • Envolva-se em outras atividades: Sair do foco da sua aflição, olhando outras perspectivas e histórias pode ser um bom método para se equilibrar. Voluntarie-se para outras atividades em sua comunidade ou mesmo em sua universidade. Cerque-se de outras realidades.

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Saúde mental é um assunto sério e merece assim ser tratado. Por isso, embora aqui oferecemos alguns recursos para aliviar sensações de inadequação, caso sejam muito frequentes e estejam atrapalhando sua rotina, não deixe de procurar ajuda profissional.

Um cientista de sucesso é antes de tudo uma pessoa feliz e equilibrada!


Marina Barreto Felisbino

Bióloga formada pela Unicamp em 2010 e doutora na área de Biologia Celular e Estrutural em 2016. Atualmente trabalho na Universidade do Colorado em Denver-USA, onde desenvolvo pesquisa de pós-doutorado. Apaixonada pela ciência, assim como pelo alcance das mulheres à equidade. Com o desejo que todos vejam a ciência pelos olhos delas.

1 comentário

Montanha-russa de emoções: O reencontro - Terabytes of life · 22 de outubro de 2018 às 15:16

[…] (Pra quem já passou por isso e quiser entender um pouco dos sintomas, esse blog apresenta a Síndrome do Impostor de forma bem […]

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