A Solução Para O Problema Do Feijão

Você já deve ter ouvido falar que “para todo problema há uma solução”!

Pois bem, em nosso texto “O Problemão Do Nosso Feijão“, contamos sobre a contaminação de um vírus que afeta o feijão nosso de cada dia e, agora, iremos abordar a super solução que a ciência encontrou para este problema.

Prevenir ou remediar?

Imagine uma planta infectada por um vírus, fungo ou por uma bactéria. O que é melhor: tratá-la com remédios ou evitar que ela fique doente? Claro que a segunda opção é a melhor!

Com base nisso, vários cientistas mundo afora, trabalham para encontrar meios de prevenir a infecção.

E, para orgulho nacional, cientistas da Embrapa Arroz e Feijão encontraram uma solução para o problema do feijão. Desde a década de 90 eles vêm estudando formas de controlar o vírus do mosaico dourado no feijão, e com sucesso.

Um plano B para o problema do feijão

No início, o objetivo principal era entender os mecanismos de ataque do vírus e encontrar variedades de feijão que fossem resistentes, para que pudessem ser utilizadas nos programas de melhoramento vegetal.

 

Após anos de buscas e estudos, ficou claro que o problema do feijão não seria solucionado pelo melhoramento, uma vez que nenhuma variedade totalmente resistente ao vírus foi encontrada.

Mas a equipe de cientistas não desistiu, e focou na caracterização completa do vírus e o sequenciamento total do genoma do feijão.

Uma nova tecnologia

A partir de 2000, a história começou a mudar graças à adaptação de uma capacidade natural de defesa das plantas.

A biotecnologia conseguiu imitar a maneira que as plantas reconhecem e se defendem do ataque de alguns vírus.

Isso aconteceu pois, durante o ciclo de vida de vírus, algumas plantas produzem RNAs parecidos com grampos, ou cadeias duplas de RNA, que as plantas reconhecem como PERIGO.

Para lidar com a ameaça, as plantas entram em modo “picotar agora”. Os “grampos” de RNA são cortados por proteínas, e os pedacinhos são levados e encaixados nas sequências de nucleotídeos do vírus.

Com isso, as sequências de RNA do vírus são quebradas.

Esse mecanismo de reconhecer um RNA, e procurar sequências parecidas para picotar, é chamado de RNA de interferência e impede que novos vírus sejam produzidos nas plantas.

Após ser muito bem compreendido por pesquisadores, os RNAs de interferência passaram a ser usados como estratégia no combate de algumas doenças através da biotecnologia, podendo identificar as sequências alvo para serem destruídas.

EMBRAPA e o Super Feijoeiro

Para encontrar uma maneira de solucionar o problema, os cientistas da Embrapa escolheram o gene que produz uma proteína essencial para a vida do vírus que eles queriam combater.

A proteína se chama Replicase, e atua na fabricação de novas cópias do vírus quando ele infecta o feijoeiro. Sendo assim, escolheram um feijoeiro – o super Feijoeiro – e aplicaram em seu genoma a sequência do gene Replicase, para formar o grampo de RNA que as plantas reconhecem como perigo.

A partir disso, as plantas passaram a se defender!

Elas agora conseguem identificar o grampo de RNA contendo a sequência da Replicase. Depois picotam os genes do vírus, e, consequentemente, bloqueiam o surgimento de novas moléculas de vírus e tornam o feijão imune.

Tecnologia sustentável

Apesar de ser resistente ao vírus do mosaico dourado, o problema do feijão foi resolvido.

O feijão transgênico tem a vantagem de ser menos exposto à aplicação de inseticidas que matam o inseto vetor do vírus (mosca branca). Isso protege nossa saúde, a dos animais e o meio ambiente.

E, o melhor, ele chega a nossa mesa por um preço acessível, sem perder o sabor e as vitaminas tão importantes para a nossa alimentação!

Autor: Jean Carvalho

Dicas de leitura:

Quando um inimigo vira um aliado

A vacinação é direito de todos, inclusive das plantas!

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