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Um episódio ocorrido nas trincheiras alemãs em agosto de 1915 foi recordado pelo artilheiro Herbert Sulzbach vinte anos depois em suas memórias, With the German Guns: Four Years on the Western Front 1914-1918 [Com as Armas Alemãs: Quatro Anos no Front Ocidental]:
Numa das noites de verão seguintes, de céu estrelado, um chapa Landwehr [gíria para Guarda Austríaco], decente, subiu de repente e disse ao 2º. Ten[ente]. Reinhardt: “Sir, é só aquele francezinho que está lá, cantando de novo, maravilhosamente.” Nós nos colocamos para fora de nossa esburacada trincheira e, incrivelmente, havia uma maravilhosa voz de tenor cantando noite afora uma ária do Rigoletto. A companhia inteira estava parada na trincheira, ouvindo o “inimigo”. Quando ele acabou, aplaudimos tão alto que o bom francês deve certamente ter ouvido e tenho certeza de que ele deve ter sido tocado da mesma maneira que nós fomos por sua maravilhosa canção.
Não se sabe quem era o francês que cantava o Rigoletto em plena trincheira nem qual fim ele teve.

Herbert Sulzbach nasceu em Frankfurt, na Alemanha, em 1894. Serviu no exército alemão durante toda a Primeira Guerra Mundial. Incrivelmente, nunca se feriu e foi condecorado com duas “Cruz de Ferro“. Apesar de sua bravura e do sucesso de seu livro de memórias, foi obrigado a fugir da Alemanha em 1937, após ter sua cidadania cassada por ser judeu. 

Herbert passou a viver na Inglaterra. Após escapar ileso aos bombardeios de Londres, alistou-se no Exército Britânico e foi responsável por reeducar prisioneiros de guerra alemães. Foi trambém condecorado com medalhas pelos ingleses. Após a Guerra, Sulzbach naturalizou-se inglês em 1947. Em 1952, sua cidadania original foi restituída e ele voltou a ser cidadão alemão, mas continuou a viver em Londres, onde trabalhou como intérprete na Embaixada Alemã. Herbert Sulzabach morreu aos 91 anos de idade em 1985.

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