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“O Mistério Shaver: a mais
sensacional história real já
contada.”
A pioneira revista de ficção científica Amazing Stories vivia, evidentemente, cheia de estórias incríveis. Mas o escritor Richard Sharpe Shaver insistia em afirmar que tudo o que escrevia era baseado em fatos reais. Entre 1943 e 1948, Shaver e Raymond A. Palmer, editor da revista, publicaram uma série de histórias — os Mistérios de Shaver. Eram contos ambientados em cidades construídas em cavernas, cheias de robôs malignos que seqüestravam seres humanos inocentes. O próprio Shaver afirmava ter sido prisioneiro durante vários anos.
Estranhamente, o resultado foi uma avalanche de cartas com relatos de experiências similares às de Shaver. Uma mulher, por exemplo, dizia ter sido abduzida de um porão em Paris para ser torturada e estuprada antes que bons robôs a salvassem. O “Shaver Mystery Club” [Clube de Mistério Shaver] começou a se espalhar por diversas cidades e a Amazing ganhou cerca de 50.000 novos assinantes.
Não muito tempo depois, as histórias incríveis da vida real e toda a sensação em torno delas foram sendo esquecidas — a nova sensação eram os igualmente misteriosos discos voadores —, mas os clubes de mistério resistiram até o fim dos anos 1950. Shaver dizia que os discos voadores que começavam a ser vistos eram prova da realidade de suas histórias. Apesar do incrível número de novos assinantes, muitos fãs da hard sci-fi da Amazing não gostaram nem um pouco da série, que estaria se afastando demais da realidade plausível.
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Richard Sharpe Shaver (1907-1975):
para muitos, ele é o criador
da mitologia ufológica do pós-guerra.
Tudo parece um grande golpe publicitário à la Guerra dos Mundos de Orson Welles. Mas a realidade pode ser mais estranha que a ficção. Na década de 1970, Shaver foi encontrado internado num hospício, pois sofria de esquizofrenia paranóide e era incapaz de discernir realidade de ficção. As cartas que relatava histórias parecidas eram ou de pessoas muito criativas, que levavam tudo na brincadeira ou, o que é mais provável, de pessoas como Shaver que se sentiram seguras o bastante para relatar seus inimigos imaginários. Mesmo internado, ele continuava afirmando a veracidade de suas histórias e dizia mais: certas rochas seriam livros escritos e ilustrados pelos Atlantes com métodos similares ao laser.
Shaver poderia ter sido um grande autor de Ficção Científica, mas sua imaginação foi longe demais.

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