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O Cheetah (ou Guepardo) pode alcançar velocidades de mais de 70 milhas por hora [112 km/h]. Em um mergulho, o Falcão-Peregrino pode chegar a 200 mph [322 km/h]. Mas, em 1927, o entomologista Charles Townsend (1859-1944) estimou que uma espécie de mosca-varejeira que ele observou no Novo México voaria a 400 jardas [365 metros] por segundo — o que equivale a 818 mph [1316 km/h]. Seria o suficiente não apenas para ultrapassar os dois animais mais velozes mas a própria barreira do som: 1226 km/h.
Por mais incrível que pareça, o suposto recorde de velocidade animal resitiu por longos 11 anos. Só caiu em 1938, quando o químico Irving Langmuir (1881-1957) detonou a estimativa de Townsend em um minucioso artigo publicado na Science. Entre outras coisas mais óbvias, Mr. Langmuir — laureado com o Nobel de Química em 1932 — apontava os seguintes contras para o recorde da varejeira:
  • A potência necessária para alcançar tamanha velocidade seria de 370 watts ou quase meio cavalo-vapor. Para voar tão rápido, a mosca teria que consumir 1,5 vez o seu próprio peso em comida — por segundo.
  • Fórmulas da Balística mostram que a pressão do vento sobre a cabecinha da mosca chegaria a 8 libras por polegada quadrada. Isso seria mais que o suficiente para esmagá-la completamente.
  • Uma mosca de 800 mph seria capaz de atingir a pele humana com uma força de 310 libras [140 kg]. “É óbvio que tal projétil penetraria profundamente na pele humana.”
  • Uma mosca supersônica seria invisível ao olho humano e não algo como o “borrão amarronzado” descrito por Townsend.
Além de tudo isso, um inseto supersônico também criaria o seu próprio “boom” ao quebrar a barreira do som. “As descrições apresentadas pelo Dr. Townsend” — concluía o artigo — “parecem corresponder melhor com uma velocidade na casa das 25 mph [40 km/h].”

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