Em certo dia, nos meados do século XVIII, um gentleman saiu às ruas de Londres carregando um aparelho de aparência muito estranha. Às vezes, ele o carregava ao seu lado, mas às vezes ele o expandia para carregá-lo por cima. Ele era inglês, foi um grande viajante e havia trazido esse curioso dispositivo da distante Pérsia. A aparência daquilo nunca havia sido vista na Inglaterra e causou grande dose de curiosidade. Mais que isso, aquilo trouxe muitos abusos e ridicularizações sobre a cabeça do gentleman. Multidões de homens e rapazes o seguiam, vaiando e zombando e até mesmo lançando-lhe pedras. Mas ele não foi intimidado e persistiu na sua prática dia após dia. Outros também, e ele viveu para ver seu exemplo seguido por quase toda a população de Londres. O nada romântico nome desse herói desconhecido era Jonas Hanway e ele foi o primeiro britânico a usar um guarda-chuva. — Albert William Macy, “Curious Bits of History” [“Pedaços Curiosos da História”], 1912

Mr. Hanway (1712-1786) tornou-se um viajante após associar-se com um tal Mr. Dingley, mercador em São Petersburgo, na Rússia. Hanway partiu da então capital russa em 10 de setembro de 1743. Depois de passar por Moscou, Tsaritsyn e Astrakhan, ele embarcou numa travessia do Mar Cáspio em 22 de novembro, chegando em Astrabad, na então Pérsia, em 18 de dezembro. Ao chegar, ele teve a infelicidade de ser assaltado, mas após perseguir os bandidos conseguiu recuperar a maior parte de seu bens.

Sua viagem de volta também não foi das mais agradáveis: Mr. Hanway sofreu com atrasos por motivo de doença, por ataques de piratas e ainda teve que aguardar uma quarentena antes de chegar a São Petersburgo em 1º. de janeiro de 1745. Ele partiu dali em 9 de julho de 1750 e, após atravessar a Alemanha e a Holanda, retornou à Inglaterra em 28 de outubro, tendo se estabelecido em Londres.

Após publicar um livro sobre suas viagens em 1753 — Historical Account of British Trade over the Caspian Sea, with a Journal of Travels, etc. [Relato Histórico do Comércio Britânico sobre o Mar Cáspio, com um Diário de Viagens, etc.] —, Hanway dedicou-se à filantropia. Em 1756 fundou a The Marine Society, dedicada a auxiliar os marinheiros britânicos. Dois anos mais tarde, ele tornou-se gerente, e mais tarde, vice-presidente do Foundling Hospital. Também teve papel importante na fundação do Magdalen Hospital e procurou aperfeiçoar o sistema de registro de nascimentos de Londres.

Apesar de avançado para a sua época, Mr. Hanway também defendia posições que hoje seriam extremamente conservadoras: ele pregava o confinamento na solitária para todos os prisioneiros e opunha-se à naturalização de judeus.

Ninguém é perfeito.


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