imageIndependente do peso, enfrentar a balança não é algo muito agradável. Se você está de sobrepeso, não quer ver os números subindo. Se você está abaixo do que deveria pesar, não deve desejar que os números caiam. Geralmente, o primeiro caso é o mais comum, especialmente durante dietas ou programas de controle do peso. Mas e se a balança falasse?

John A. Macintosh e Willard L. Zeigner acham que uma balança falante seria um bom incentivo para os vigilantes do peso. E um bom meio de engordar os lucros — tanto que patentearam a Dieter’s weighing scale [Balança do dietista]:

Uma balança eletrônica falante para encorajar o uso e o engajamento em um programa dietético pré-determinado. Um usuário sobre a balança ativa um mecanismo cujo movimento é transformado em pulsos elétricos para prover uma leitura digital do seu presente peso em um display. Um microprocessador mantém uma memória eletrônica para armazenar a meta de peso para a pessoa e seu peso cada vez que ela se pesa, além de uma série de comentários que podem ser vocalizados. O microprocessador também compara a meta de peso com o peso atual para ativar um dispositivo sintetizador de voz conectado ao microprocessador para apresentar comentários pré-selecionados de acordo com a comparação. O sistema de áudio conectado ao sintetizador de voz permite que tais comentários sejam audíveis para o usuário.

Na patente 4.576.244 [pdf], aprovada em 18 de março de 1986, Macintosh e Zeigner apresentam uma série de objetivos e problemas que seriam resolvidos com sua balança. No entanto, balanças digitais com memória para pesos não eram novidade: os inventores citam uma patente registrada em 1981. O que diferencia o sistema Macintosh-Zeigner é apenas o sintetizador de voz ligado ao alto-falante.

Como estamos falando de tecnologia dos anos 1980, não espere grande coisa. A balança reconhece apenas dois usuários e os trata genericamente como M1 e M2. O sistema de memorização é simples: durante a primeira pesagem, o usuário deve cobrir um sensor fotoelétrico (situado dentro de um furo no canto da balança) com o dedão do pé. Assim, a balança memoriza o primeiro peso registrado. É possível programar uma meta de peso, mas aparentemente isso deve ser feito de forma manual, com botões de [+] e [-].

Depois que M1 e M2 são registrados, não precisam “logar” novamente: a balança os reconhecerá pela proximidade da última pesagem. Quando se pesam novamente, a balança os reconhece — “Bom dia, M1” — e lê o peso após alguns segundos. Depois vêm os comentários, de acordo com o programa estabelecido pelo usuário. São até quatro comentários diferentes, de um animador “Fantástico!” para perda de peso a um “uh-oh” ou “Más notícias” em caso de aumento de peso. Caso o peso se mantenha, a balança reconhece o esforço e, segundo a patente, “produz um comentário favorável, como ‘Parabéns, M1’”. Os inventores afirmam que tais comentários são “programados para prover um incentivo psicológico ao usuário para mantê-lo no programa ou melhorar, se necessário.” Mas deve ser difícil se animar com a voz fria e robótica de uma balança…

Evidentemente, as limitações são grandes. O maior defeito, talvez, seja o reconhecimento baseado no peso. É uma solução simples, mas que pode falhar se um casal, por exemplo, apresentar pesos muito semelhantes. Quando não está em uso, a balança também funciona como relógio e por isso se recomenda que a pesagem seja feita sempre na mesma hora do dia. Mas a balança não tem um sistema de alarme para lembrar o usuário.

Em vez disso, tem um sistema de compensação que mais parece uma brecha. Se o usuário perde a hora da pesagem e, por exemplo, se pesa após um farto jantar, o que resulta em um peso acima de sua média, pode escolher que a média seja mantida naquele dia — mesmo que na verdade tenha ganhado peso em vez de mantê-lo. Sair do programa, portanto, é simples: basta pesar-se em horas erradas e você sempre pode manter o último (ou o menor) valor registrado na memória.

No entanto, nem tudo é assim tão patético na patente de Macintosh e Zeigner. Há uma interessante função que permite a pesagem de bebês de modo indireto. Primeiro a mãe pesa-se com o bebê no colo e registra esse peso. Depois, basta a mãe se pesar sozinha e a balança vai subtrair o peso de (mãe + filho) do peso da mãe para dar o peso do bebê. Esse sistema de pesagem por tara também permite descobrir o peso de objetos como mochilas.

Por fim, embora uma balança falante não seja uma boa ideia para incentivar o controle de peso, é ótima para deficientes visuais. Pena que os inventores não tenham pensado nisso. Vale a pena dar uma olhada na patente, que traz detalhada descrição do funcionamento e fluxogramas com os programas da balança.


0 comentário

rafinha.bianchin · 15 de dezembro de 2012 às 22:48

Wow! Indescritível! Nem chega a ser patético…

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