https://www.google.com/patents/US3698121

Sair pra pescar pode ser um bom programa de fim-de-semana pra muita gente, mas a pescaria em si não é lá muito divertida. Quem quer realmente pescar precisa esperar a época do ano certa, manter todos os seus apetrechos em ordem, comprar a linha certa pra cada peixe, caçar iscas, procurar um bom local piscoso (de preferência sem outros pescadores por perto), pôr a isca no anzol, lançá-lo no lugar certo e esperar, esperar e esperar até que algum peixe caia na pequena armadilha subaquática. Depois disso é preciso lutar arduamente — talvez até homericamente — para conseguir derrotar o peixe. Isso, claro, quando se fisga um peixe.

Gerald C. Nordeen acha que é justamente esse papo de lutar com uma vara e um molinete de linha que não tem a menor graça. Talvez entediado numa pesca no rio Potomac no início dos anos 1970, Nordeen criou um Fishing apparatus [Aparato de pesca] que pode ser resumido em apenas três frases:

Um aparelho de pesca que tem uma câmara de flutuação boiante [sic] formada por um contêiner e um balão inflado mais-leve-que-o-ar para ser posicionado sobre a área de pesca. O contêiner é adaptado para inicialmente ser enchido com água para render à câmara de flutuação boiância suficiente [sufficiently buoyant] para flutuar sobre na água. A câmara de flutuação tem um anzol convencional pendente e um tubo flexível oco que forma uma linha adaptada para ser armazenada num molinete anexo a uma extremidade daquilo e conectada a uma varinha de pescar, uma fonte de gás inerte sob pressão na varinha e válvulas na varinha para liberar manualmente o gás através do tubo oco para dentro do contêiner para forçar a água dali e assim inflar o flutuador suficientemente para causar o levantamento do contêiner pela porção balão, com o anzol anexo e qualquer peixe que possa estar nele até um ponto adjacente à superfície da água, onde o pescador pode enrolar sua linha.

Se essa última frase parece longa demais, as três juntas dão uma oração só em inglês. Embora nosso pescador de Baltimore, Maryland não se destaque por sua descrição do invento, não podemos negar que Nordeen foi prolixamente convincente. Ou pelo menos foi claro e convincente o bastante para que o US Patent Office julgasse seu pedido de patente dessa mistura de pesca com balonismo em menos de um ano e meio. Nordeen entrou com o pedido em 11 de maio de 1971 e seu sistema de pesca foi oficialmente patenteado sob nº. 3.698.121 [pdf] em 17 de outubro de 1972.

Ainda que use página e meia para descrever a pesca por inflação, o funcionamento é tão simples que pode ser explicado num par de parágrafos:

A chumbada, o anzol com sua isca, etc, será submerso. O pescador solta a linha vazia e depende do vento para carregar a câmara de flutuação para longe do barco, doca ou qualquer outro ponto em que ele [o pescador] esteja estacionado. A câmara de flutuação pode ser levada a qualquer distância do pescador, limitada apenas pelo comprimento da linha vazia.
O contêiner 33 é enchido com água até o anel de flutuação 50. Evidentemente, o gás cheio de gás vai causar um empuxo vertical sobre o contêiner o tempo todo, mas não o bastante para levantar o contêiner cheio d’água fora d’água. Quando uma mordida é detectada, por agitação da boia, o pescador simplesmente abre a válvula 19 na alça da haste. Esta [válvula] vai soltar o gás sobre pressão armazenado na alça para passar através da linha oca B e através da porta 46 para dentro do contêiner. O gás, então, inflará a bolsa 43 para a posição mostrada na FIG. 10 e abrirá a válvula 39 para permitir o escape da água no contêiner. Tendo perdido a água que contém, o contêiner não será mais pesado o bastante para manter a câmara de flutuação na água, mas devido ao empuxo do balão o sistema inteiro será levantado da água  para o ar, facilitando a captura, se houver alguém no anzol, perto da superfície da água. O pescador pode, então, recolher sua linha.

Mais simples que isso, só a dezena de figuras mesmo.

Não é preciso ser um pescador profissional nem aquele tiozão que ~~pesca~~ todo fim-de-semana para ver como isso não vai dar certo. Em primeiro lugar, a boa e velha arte de lançar o anzol exatamente no ponto escolhido é solenemente ignorada. Em vez disso, você passa a depender do vento para levar uma boia com seu anzol onde ele bem entender. Em segundo lugar, seria difícil soltar e recolher uma linha que, na verdade, é uma mangueirinha de borracha. Seria mais difícil ainda se você tem que soltar e recolher o tempo todo na tentativa de vencer o peixe pelo cansaço. Mesmo que você queira ver o que foi fisgado antes de puxar a linha, vai ser difícil inflar o balão através de uma linha-mangueira que certamente vai estar toda enrolada e retorcida (quando não furada). Mas isso ainda não é nada — sua linda boia-balão que sustenta um peixe no ar logo após fisgá-lo pode ser facilmente estourada. Pelo anzol de pescador rival, pelas garras de uma ave ou mesmo por aquele sobrinho entediado, que detesta pescar…

Se nada der certo, você ainda pode tentar atrair os peixes com um espelho


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