K-Popices: Knockdown (Xdinary Heroes)

A música que ajudou a trazer o hypercubic de volta à ativa

Pensei muito em como introduzir essa coluna sobre K-Pop no blog. Aprendi muitas coisas desde que me interessei pelo gênero, nos últimos anos. Uma dessas coisas foi passar a escrever sobre música, o que tem sido uma experiência diferente pra mim. Inicialmente fiz isso no @k.popices, perfil que criei no Instagram para esse propósito. Mas o Insta tem lá suas limitações e eu precisava retomar as atividades no hypercubic. Assim, decidi criar essa coluna por aqui.

Cheguei à conclusão de que uma boa maneira de apresentar esse ritmo musical para quem não tem familiaridade (como eu suponho que seja o caso de muitos leitores) é por meio de uma música que ouvi muito nos últimos meses — e que foi um estímulo para a retomada do blog. Hoje, portanto, vamos falar de Knockdown, da banda Xdinary Heroes.

Cabe aqui uma distinção importante no K-Pop, entre banda e grupo. Banda é o conjunto formado por músicos que cantam e tocam instrumentos. Grupo é o conjunto que canta e dança, mas não toca. De maneira geral, bandas pertencem ao k-rock, um misto de rock e k-pop. Já os grupos são do k-pop propriamente dito, que conta com diversos subgêneros.

A Xdinary Heroes é formada por seis integrantes: Gu-nil, líder e baterista; Jungsu, vocalista e tecladista; O.de, tecladista; Gaon, guitarrista e vocalista; Jooyeon, baixista e vocalista e Jun Han, guitarrista. Knockdown é a segunda faixa de Hello World!, primeiro álbum da banda, lançado em 21 de Julho deste ano.

Desde o lançamento, este álbum não sai dos meus ouvidos. Provavelmente é o álbum mais que mais ouvi em 2022. Todas as músicas são altamente recomendáveis e eu poderia fazer uma resenha detalhando cada faixa. Mas, destas, Knockdown é a minha preferida.

E aqui é que, a meu ver, talvez esteja o segredo do sucesso do k-pop. Independente do grupo, dos clipes muito bem-feitos e das melodias que unem vários ritmos em poucos minutos, as letras são mais intimistas do que pode parecer. Acredito que mais do que a música, é a letra que ressoa, que gera identificação nas pessoas. Nesse sentido, Knockdown (literalmente Nocauteado) é exemplar. E eu gostei tanto da letra que me senti estimulado a trabalhar numa tradução.

A versão que fiz foi baseada na letra vertida para o inglês no genius. Embora esteja estudando coreano desde o começo do ano, ainda estou longe de compreender a ponto de fazer uma tradução direta. De qualquer forma, trabalhar nessa tradução foi uma maneira de expressar meus sentimentos, ainda que de maneira indireta. Eis os meus trechos favoritos:

(…)

Eu arrasto os pés
Pois hoje tudo está tão pesado

(…)

Na tela partida e apagada
Nem sem que expressão vejo
As preocupações penduradas como uma mochila
Deixam meus ombros mais pesados

(…)

Essa voz fraca
Este ar abafado
Não me aguento mais
Eu suspiro de novo

Quero respirar, quero tirar
Todos esses olhos de cima de mim, sim
Estou preso
Esgotado e estafado, esgotado e estafado, sim

Knockdown (Xdinary Heroes) em tradução própria

Evidentemente, eu andava deprimido. Comecei o ano muito mal, com vários problemas de saúde. Muitas dores físicas e mentais. Quando descobri essa música, no fim do primeiro semestre, minha situação já estava começando a melhorar. Mais ainda tive (e às vezes tenho) muitos momentos do cansaço e desânimo tão bem descritos por essa letra.

No mês passado, decidi ir além da tradução da letra. Tive vontade de fazer uma versão legendada do vídeo da música. Foi, de certa forma, o primeiro projeto que me exigiu dedicação por alguns dias desde o início do meu último episódio depressivo. Foi um desafio autoimposto e esforço, mas não tão difícil — facilitado pela música estimulante e a perspectiva de finalizar um projeto.

Acho que é isso. Knockdown, ao mesmo tempo que descreve aquela sensação de dias longos e vida arrastada de quem está deprimido, apresenta a saída por meio do sonho, da ficção. O eu-lírico da canção se arrasta pelo trânsito, mas não deixa de sonhar com uma vida mais solta, mais corajosa, como a do Homem-Aranha.

Mas eu não quero ser o Homem-Aranha. O que eu queria era voltar a escrever aqui. Antes de voltar, reli muitas coisas antigas, muitas das quais nem me lembrava mais. Também voltei a ouvir músicas que ouvia na época em que escrevia aqui com frequência, quando nem imaginava que um dia escutaria pop sul-coreano.

Acho que deu certo: eu estou escrevendo aqui agora.

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