Glossário

  • interincompreensão [ discurso ]

    Um dos conceitos mais conhecidos de Gênese dos Discursos é o de “simulacro”. Segundo o autor, um simulacro seria uma tradução depreciativa dos enunciados do Outro. O discurso-agente só consegue ler o discurso-paciente seguindo sua própria semântica global. Ele só é capaz de compreender o Outro por meio de "simulacros", i.e., traduções dos valores do Outro em suas próprias categorias de análise. Cf. MAINGUENEAU, Dominique (2005) Gênese dos discursos. Curitiba: Criar edições.
  • memória discursiva [ discurso ]

    Todo dizer é formulado a partir de outras enunciações cujos sentidos permanecem como memória discursiva. Para que haja interpretação é necessário que haja sempre já-sentidos. Ou seja, que algo já tenha sido significado ou possa vir a ser significado a partir do que já ganhou sentido(s) nas práticas sociais. Esse universo do já-dito está determinado historicamente e é atravessado pelas contradições ideológicas que organizam as relações sociais.  Por outro lado, o já-dito tem uma relação necessária com o não-dito e com o silêncio.
  • silêncio [ discurso ]

    De acordo com Eni Orlandi (1992) o dizer tem uma relação constitutiva com o silêncio. Para a autora, o silêncio significa, as palavras são habitadas pelo silêncio, do qual elas se separam ao se constituir na língua. O silêncio atravessa o dizer de diversos modos. Pode estar presente como implícito, como aquilo que fica pressuposto a partir do funcionamento de uma forma linguística. Por exemplo, o significado do verbo parar pressupõe a existência de um processo que foi interrompido. Mas o silência significa mais do que simples implícitos linguísticos. Pode estar presente como aquilo que não está dito mas que sustenta o dizer. Por exemplo, nomear como descoberta a chegada dos portugueses ao território atualmente reconhecido como Brasil está sustentado por sentidos que interpretam esse território como desconhecido. O silêncio permeia os enunciados ainda como silenciamento, como aquilo que é necessário não dizer para poder formular. Retomando o exemplo, nomear como descoberta silencia necessariamente que esse território era já conhecido (pelos habitantes que já estavam nele). Temos ainda o funcionamento das políticas de silenciamento e mais especificamente da censura, da interdição de dizer. Cf. ORLANDI, E. (1992) As formas do silêncio. No movimento dos sentidos. 1° reimpr.Campinas, Editora da Unicamp, 2010.