Glossário

  • Medidas neurofisiológicas na psicolinguística

    A Psicolinguística, além dos métodos comportamentais como os tempos de resposta, tempos de leitura e índice de acertos e de respostas e questionários, também pode utilizar métodos neurofisiológicos para testar suas hipóteses. Os métodos de exames neurofisiológicos não invasivos em ciências cognitivas são divididos em dois grupos: hemodinâmicos e eletromagnéticos.
    1. Os exames hemodinâmicos mais comuns são o PET (tomografia) e o fMRI (Ressonância Magnética funcional). Estas técnicas monitoram substâncias no fluxo sanguíneo do participante e, por isso, possuem uma excelente resolução espacial, na casa dos milímetros (onde no cérebro daquele participante aconteceu o processamento). Por outro lado, o sangue trafega a baixa velocidade para alimentar as áreas cerebrais utilizadas no processamento e, por isso, estas técnicas possuem uma péssima resolução temporal, na casa dos segundos (quando, no fluxo da computação linguística, aconteceu o processamento). Estas técnicas são mais utilizadas por neurocientistas cognitivos que buscam entender como o cérebro funciona ao processar linguagem, ou seja, o ponto de partida é o cérebro e possuem uma abordagem mais cartográfica (mapeamento de áreas cerebrais).
    2. Os exames eletromagnéticos mais comuns são o EEG (eletroencefalografia) e o MEG (magnetoencefalografia). A eletricidade e o magnetismo são duas faces da mesma força fundamental do universo. Por isso e por outras razões, normalmente você verá a referência a estes métodos como M/EEG. Estas técnicas monitoram o fluxo da eletricidade enviada de um neurônio a outro no cérebro do participante. Como o eletromagnetismo viaja em alta velocidade, esta técnica possui uma excelente resolução temporal, na casa dos milissegundos. Por outro lado, a resolução temporal vem ao custo de uma péssima resolução espacial (na casa dos centímetros). A energia elétrica capturada pelo EEG pode ricochetear no líquido cefalorraquidiano (que fica em volta do cérebro e ajuda a evitar fortes impactos) e ser capturado em posições diferentes daquela onde o sinal foi gerado. O magnetismo, por outro lado, atravessa o líquido ajudando na resolução espacial, mas não consegue captar perfeitamente o sinal gerado nas dobras do córtex. Esta técnica é mais usada pelos linguistas que querem entender, através de sinais do cérebro, como a linguagem funciona. Os linguistas utilizam o sinal como uma medida do curso temporal do processamento.
  • memória discursiva [ discurso ]

    Todo dizer é formulado a partir de outras enunciações cujos sentidos permanecem como memória discursiva. Para que haja interpretação é necessário que haja sempre já-sentidos. Ou seja, que algo já tenha sido significado ou possa vir a ser significado a partir do que já ganhou sentido(s) nas práticas sociais. Esse universo do já-dito está determinado historicamente e é atravessado pelas contradições ideológicas que organizam as relações sociais.  Por outro lado, o já-dito tem uma relação necessária com o não-dito e com o silêncio.
  • Metodologia longitudinal naturalística

    É chamada longitudinal naturalística a metodologia que consiste em acompanhar a criança em contexto natural, em interação com um adulto. Isto é feito ao longo de seu desenvolvimento, através de gravações sistemáticas, em intervalos regulares (uma semana ou duas).