Glossário

  • Psicolinguística

    A Linguagem é o objeto de estudo principal da Linguística. Porém, a linguagem possui aspectos sociais, biológicos, neurofisiológicos, psicológicos, lógicos, formais, políticos etc. Cada um destes aspectos será explorado por cada uma das especialidades da Linguística ao analisar seu objeto: a Sociolinguística, a Biolinguística, a Neurolinguística, a Psicolinguística, a Linguística Formal, a Análise do Discurso entre outras. A Psicolinguística é uma das especialidades da Linguística e, como tal, conversa com outras especialidades, além de outras disciplinas como a Teoria da Informação e a Psicologia Cognitiva. Normalmente se diz que a Psicolinguística nasceu na década de 50, quando o linguista Noam Chomsky e o Psicólogo George Armitage Miller passaram a trabalhar juntos, buscando uma teoria que desse conta de como a linguagem funciona e buscando evidências que corroborassem os achados teóricos. Porém, dois pontos precisam ser observados:
    1. O termo psicolinguística foi utilizado diversas vezes antes do encontro de Chomsky e Miller, especialmente nos encontros interdisciplinares entre linguistas estruturalistas e psicólogos behavioristas nas universidades de Cornell e de Indiana em 1951 e 1953.
    2. Após alguns avanços na Psicolinguística Cognitiva (subparte da psicologia cognitiva que utiliza métodos cronométricos psicofísicos de medida), os achados da psicolinguística de Miller passaram a ir contra a teoria padrão de Chomsky, resultando numa crise da Teoria da Complexidade Derivacional (DTC). Desta forma, a Psicolinguística seguiu um caminho independente, elaborando suas próprias teorias de processamento (o que se faz - desempenho), que possuem natureza diferente da teoria de computação (o que se sabe - competência). Na década de 70, já no modelo de Regência e Ligação, a psicolinguista Lyn Frazier conseguiu novamente utilizar os modelos de computação para prever os resultados do processamento linguístico, fazendo com que a psicolinguistica e a teoria chomskyana voltassem conversar. Ainda, assim, por seu caminho histórico independente, a psicolinguística não utiliza necessariamente o modelo gerativo, podendo utilizar outros modelos como os cognitivos e funcionais, além de poder se utilizar apenas do aparato teórico desenvolvido dentro da própria disciplina ou de comparações com modelos de processamento de informação (Teoria da Computação).