CRIAB: de onde viemos?

CRIAB: de onde viemos?

No dia 25 de janeiro de 2019 rompia-se uma das barragens de rejeito de minério da Vale no município de Brumadinho (MG). Na época ainda estava fresco na memória outro rompimento, ocorrido em 2015, dessa vez em Mariana (MG) (Samarco/Vale/BHP). Todavia, infelizmente, no desastre-crime mais recente, o número de pessoas que perderam suas vidas soterradas pela lama foi 10 vezes maior quando comparado ao anterior. 

É inegável que acontecimentos como esses afetam não só aqueles diretamente atingidos psíquica e fisicamente pelo fato, mas também todos que não se conformam com a perda de tantas vidas por algo evitável. Provocando impactos socioambientais irrecuperáveis na escala de tempo histórico, rompimentos desse tipo impactam direta e indiretamente a vida de grupos sociais que dependem economicamente de uma relação direta com a terra, a água, a fauna e a flora para a manutenção de seus trabalhos, naqueles territórios. Além disso, a vida como eles conheciam, de certa forma, deixa de existir.

Nesse sentido, nosso grupo também é sensível ao processo histórico-ideológico que acompanha e, mais precisamente, sustenta uma política de mineração responsável pela construção de barragens em que se nega, sistematicamente, a importância e o lugar simbólico dos quais se ocupam as cosmovisões que têm nos rios, nas matas, nas montanhas e nos animais modos de viver e de se relacionar que não são capturados pelo olhar colonizado. É assim que nós, enquanto sociedade, perdemos muito e foi dessa perda que viemos, enquanto um grupo. É nela que nos inspiramos para buscar modos de re-existir ao que ainda está por vir.

Desse modo, na tentativa de compreender o ocorrido e tentar traçar algum plano de mitigação dos efeitos desse evento, Jefferson Picanço, docente do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi a Brumadinho logo após as notícias do rompimento da barragem do Córrego do Feijão como membro do Centro de Apoio Científico em Desastres (CENACID/UFPR), coordenado pelo professor Renato Lima da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Durante seus trabalhos no território, Picanço escreveu o Diário de Brumadinho, permitindo uma maior aproximação da comunidade universitária ao acontecimento do rompimento e todas as suas consequências imediatas.

No seu retorno à universidade, Jefferson obteve apoio da Administração Superior para montar um grupo interdisciplinar com todos os segmentos da Unicamp que tivessem interesse. A partir daí, em fevereiro de 2019, começou a se delinear o Grupo de Pesquisa e Ação em Conflitos, Riscos e Impactos Associados a Barragens (CRIAB), composto por alunos de graduação e pós-graduação, funcionários técnico-administrativos, docentes e pesquisadores de diferentes áreas, além de profissionais de outras instituições que também se interessaram no trabalho coletivo.

Somos um grupo bastante heterogêneo, organizado em grupos de trabalho reunidos por temáticas comuns, mas todos nos voltamos às barragens (sejam elas de rejeitos de minério ou hídricas) e seus efeitos nas comunidades em que elas são instaladas ou em que rompem. Saiba mais sobre nossa formação em CRIAB: quem somos.

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