Coisas que a internet n√£o conhece: CORUJA SEM PENAS!!!

Corujas s√£o lindas e meio aterrorizantes. Bom, talvez sejam lindas justamente por serem um pouco aterrorizantes, … e redondinhas. Ou seja, meio fofas tamb√©m

Enquanto eu estava ouvindo um podcast sobre a audição (aliás se você entende inglês DEVE ouvir Causticsoda), citaram a coruja, que é um dos animais com a melhor audição no mundo porque, entre outras coisas, as penas da sua cara formam uma parabólica que joga o som direto nos ouvidos da ave.

Daí eu pensei: se tudo naquele bicho parece pena, COMO SERIA UMA CORUJA SEM PENAS?

Googlei e achei algumas coisas.

A imagem mais bacana que achei foi essa aqui que dá uma ideia de quanto do bicho é pena, e dá pra ver o formato original por baixo daquilo tudo:

File:Strix nebulosa plumage coruja sem penas por dentro

 

Quase que eu me enganei com uma imagem de um filhotão de outra ave pelada, mas parece que o Google também não faz ideia de como é uma coruja adulta sem penas. Juntando a imagem de cima com essa aqui de baixo dá pra ter uma ideia do que seria, mas fico te devendo essa.

Se você tiver algo melhor pra ilustrar isso, por favor me mande nos comentários.

 

 

plumage coruja sem penas

 

E tem gente que acha que a internet tem tudo. Tsc, tsc…

 

B√ĒNUS:

– Eu n√£o disse que elas ouvem bem pra caramba?

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=yps7pgq1TAk” title=”Corujas%20ouvem%20bem%20demais”]

–¬†Caustic soda podcast – Hearing

 

UPDATE: Por algumas horas eu achei que essa √ļltima foto fosse de uma coruja, mas n√£o era e eu alterei o post. Fiquei encanado com o bico e a abertura do ouvido longe dos olhos e confirmei ser outra esp√©cie. Simplesmente n√£o h√° fotos de corujas peladas. Mas n√£o deve ser mais bonito que isso a√≠.

Girafas boiam na √°gua?

will-it-float_1Uma pergunta muito digna esta se as girafas boiam (digna de uma criança de 4 anos, que têm sempre as melhores perguntas e são cientistas natas).

Eu não saberia nem chutar uma resposta. O que você acha? Com aquele pescoço comprido parece que ela ficaria sempre pendendo para frente sem conseguir deixar a cabeça pra fora. E aquelas pernas finas com certeza não seriam bons remos para nadar.

Um teste óbvio seria jogar uma girafa numa piscina bem grande. Mas apesar de parecer uma cena hilária para a gente, seria aterrador para a girafa. Então pela ética (e principalmente porque ninguém pagaria por isso) fica impossível fazer esse teste.

Para resolver isso, um cara curioso, Darren Naish que escreve para a revista Scientific American, tem um amigo muito interessante que pode ajudar.

Esse amigo é Donald Henderson do Royal Tyrrell Museum of Palaeontology que criou por computação modelos tridimensionais de dinossauros que ele usa para estimar quanto um dinossauro pesava e se era aquático ou terrestre. E nada mais parecido com um brontossauro (ou braquiossauro, sei lá) do que uma girafa, concorda? Pelo menos a silhueta é a mesma, certo?

Então foi só construir um modelo de girafa e jogar na água, respondendo a pergunta, que era: girafas boiam?

A resposta é SIM!

E podem nadar de forma bem prec√°ria, coitadas. Tomara que nunca precisem disso para sobreviver.

Assim pudemos ver que modelos computacionais são uma mão na roda quando você não pode fazer o teste real, por mais hilário que ele possa ser.

 

Vi na Scientific American

Direitos dos animais: permitindo o di√°logo saud√°vel

Transcrevo aqui o comentário do leitor José Gustavo Vieira Adler em nosso post sobre o debate de direito animal.

Achei interessante o seu ponto conciliador, mostrando a import√Ęncia da pesquisa – inclusive para o embasamento dos ativistas pelos direitos animais -, mas tamb√©m mostrando que n√£o devemos nos acomodar com as pr√°ticas atuais, afinal temos o poder de continuar mudando t√©cnicas e conceitos.

Mas antes… B√ĒNUS: Aqui est√° o link para o Conselho de Cuidado Animal do Canad√° (CCAC), que s√£o as diretrizes seguidas pelo conselho de √©tica animal do Instituto de Bioci√™ncias da USP. Ou seja, √© o que a USP segue no que se refere a bem-estar dos animais em experimentos, nos seus m√≠√≠√≠√≠√≠√≠√≠√≠nimos detalhes. Vale a pena dar uma olhada (em ingl√™s).

O comentário foi transcrito com mínima intervenção minha; o original está aqui.

(…)
Quanto aos experimentos, dizer que se tem que acabar com os

experimentos é realmente difícil uma vez que nossa crença, nossos
conhecimentos e nossa cultura é baseado no metodo de pensar ciência e
como tal é impossível no estagio que estamos abdicar por completo do
uso de animais em experimentos. Mas usar isto como travas, correntes e
poltronas c√īmodas do costume √© um equ√≠voco, uma aberra√ß√£o contra a
nossa própria natureza, que é o avanço cultural.
Muito j√° se mudou, sendo que
hoje a pesquisa não depende de experimentação animal como dependia
em anos atrás, devido em grande parte graças ao movimento
ativista (que engraçado ter surgido por conta da visão mecaniscista dos
animais que eram vistos quase como m√°quinas e portanto n√£o os
consideravam seres dotados de sentimentos e conhecimentos). O
diálogo só surgiu porque surgiu a emergência dos valores
intr√≠nsecos aos demais animais, gra√ßas a luta pelos “direitos
animais”, e se faz necess√°rio a continua luta e di√°logo para for√ßar
financiamento para que mais e mais sejam desenvolvidas novas técnicas,
métodos e pensamentos voltados para a contínua retirada dos animais
dos laboratórios.

Agora, essas brigas de ego (macaco-alfa) de muitos que defendem os
direitos dos animais com ciêntistas que tem plena consciência da
problemática, a demonização dos que praticam a, realmente, enfadonha
tarefa de utilizar os animais em experimentos é um erro de julgamento,
um disturbio da idealização. Fazendo um paralelo com um argumento
muito usado pelos que lutam a favor dos valores dos outros animais,
vemos a escravidão do periodo colonial como uma ação demoníaca
dos donos de escravo, mas na verdade em muitos casos os donos de
escravo julgavam-se tratar da melhor forma possível seus escravos,
criavam empatia e um certo estreitamento. Quando esses escravos atacavam
ou matavam alguns de seus donos e fugiam pros quilombos eram julgados
como animais sem alma, selvagens, assim como um elefante mata seu
treinador ou uma orca afoga sua treinadora. Os julgamos como animais
selvagens, indomáveis. Os julgamentos e crenças são frutos do
contexto de cada época e cultura Рcondenar a caricaturas malevólas os
escravocratas é um desvio da valoração idealista. Os escravocratas
em grande parte acreditava que os negros eram realmente animais, ou que
seus sentimentos não valiam por não terem a consciência que seus
donos tinham a respeito da moral e costumes. Foram precisos muitos anos
de luta e uma mudan√ßa de interesses comerciais e econ√īmicos para que
houvesse uma mudança no modo de julgar os negros, de enxergar os
negros, para depois entender que os negros s√£o t√£o brancos quanto
nós e nós somos tão negros quanto eles, que somos todos humanos, da
mesma espécie, da mesma raça.

Para mudar o contexto socio-cultural que estamos imersos é preciso de
tempo, de muito diálogo, confronto de idéias, aquisição de
conhecimentos novos, aberturas de perspectivas, e PRINCIPALMENTE uma
mudança e um avanço no enfoque, nas ferramentas que temos para obter
nossos conhecimentos, criando alternativas vi√°veis e interesses
morais, éticos e economicos diferentes quanto a utilização de
animais, da coisificação de outras espécies.

Tratar os cient√≠stas como dem√īnios, assim como muitos humanistas,
esquerdistas tratavam os escravocratas como dem√īnios √© um erro de
julgamento, quando o que tem que ser combatido é a ação. O que tem que se
fazer é forçar cada vez mais a necessidade de se utilizar de outras
a√ß√Ķes que dispensem o uso de outras esp√©cies. Mesmo porque, ironia
do destino, a valoração dos animais ganhou visibilidade cética
graças a muitos experimentos com animais em cativeiro,
experimenta√ß√Ķes que chegavam at√© a ser invasivo.

Ou seja, é verdade que os que lutaram pelos direitos animais
empurraram a necessidade por uma abordagem dos valores dos outros
animais, também é verdade que que as pesquisas crescentes na
cogni√ß√£o e na sua evolu√ß√£o deram conte√ļdo, embasamento, para
tornar a visão de valores animais encorporada no contexto da Cíencia
,
tornar o assunto tema de respaldo e de valor cientifico. Os dois lados
caminharam em convergência para alcançar o grau de entendimento e
questionamento que chegamos atualmente. Muitos dos ativistas usar√£o o
discurso de que a inteligência animal era óbvia e clara, e que não
precisava de experimentos para atestar o que se podia averiguar
bastando conviver com os animais em seus habitats. Mas sem o respaldo
da Ciência, dos seus métodos e critérios, a idéia de inteligência
nas demais espécies estaria fadada a um saber local, ilhado,
desconectado dos processos do saber do homem contempor√Ęneo. Estaria
reclusa na crença popular, em valores de povos regionais, não teria o
alcance e nem o corpo investigativo e criterioso em que uma metodologia
experimental de uma investigação científica dá à crença.

Ainda somos dependentes dos animais para nosso avanço como ser
cultural, mas não podemos tornar essa dependência como uma
naturalidade, como uma situação imutável.