Eu amo matemática… e meu cérebro também!

mathheartCerta vez, fui acusado de ser um polímato. Apesar de ter achado a acusação um pouco exagerada (quem me dera ser um…) ela não veio sem fundamento. Sou uma pessoa que tenho interesses e curiosidades diversas: desde uma paixão sem noção por literatura de escrita feminina (quem já leu Virginia Woolf vai saber do que estou falando), até uma fascinação sem limites pela matemática teórica.

Essas são duas áreas vistas como completamente distintas. Literatura é arte, beleza, encantamento. Literatura como arte desperta no cérebro as áreas relacionadas às emoções, e/ou à apreciação de coisas belas e fascinantes. Já a matemática é vista como um domínio altamente intelectual. A matemática seria responsável por despertar áreas relacionadas ao raciocínio lógico e ao pensamento objetivo e técnico. E é por isso que as pessoas, em geral, acham estranho quando alguém tem interesse (e conhecimento) sobre áreas que são assim tão distintas.

Pra mim, esses domínios são um pouco difusos. Existem algumas fórmulas matemáticas que, pra mim, são belas. É como se elas fossem peças de arte que eu poderia passar horas e horas só admirando. Lembro bem de quando eu estudava as Equações de Maxwell, por exemplo, e ficava literalmente fascinado com elas. Coisa de doido, né?

Bom, nem tanto. Um estudo recente publicado no periódico Frontiers in Human Neuroscience, e conduzido por uma equipe de pesquisadores liderado pelo professor Semir Zeki da University College of London na Inglaterra mostrou que a mesma área do cérebro que é comumente acionada quando estamos apreciando uma obra de arte (i.e., uma pintura, ou uma escultura) é ativada no cérebro de matemáticos quando eles observam fórmulas matemáticas.

No estudo, os pesquisadores pediram a um grupo de matemáticos que julgasse a beleza de 60 fórmulas matemáticas enquanto o cérebro deles era escaneado por Ressonância Magnética Funcional (fMRI). Os resultados mostraram que houve uma ativação significativa em uma região do córtex órbito-frontal conhecida como campo A1. Vários outros estudos já mostraram que essa área (que está localizada em uma região conhecida como “cérebro emocional”) está associada à experiências de beleza vindas de várias fontes (i.e., arte, música). Mais interessante ainda, o estudo sugere que essa percepção de beleza não está necessariamente correlacionada com o conhecimento intelectual da fórmula. Mesmo aqueles matemáticos que julgaram não conhecer certas fórmulas, as julgaram como belas, sugerindo que esse julgamento tem uma natureza mais abstrata — assim como o julgamento de muitas peças de arte.

Dentre as fórmulas julgadas como mais belas estão a Identidade de Euler, a identidade trigonométrica fundamental e as equações Cauchy-Riemann (a propósito, leiam aqui também). A fórmula que foi unanimemente julgada como a mais feia foi a fórmula de Srinivasa Ramanujan que sugere que o recíproco de pi é uma soma infinita.

Apesar de ser ainda um estudo com bastantes arestas para serem aparadas, é interessante pensar que arte e matemática não estão tão separadas como geralmente pensamos. E da próxima vez que seu filho ficar olhando, sem palavras, para uma fórmula matemática, não fique bravo com ele. Ele pode estar apenas exercitando o talento de apreciar arte. lol

Para acessar o estudo original, clique aqui e para seguir as novidades do Cognando clique aqui.

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