Algumas variáveis

Se tem uma coisa que me impressiona em algumas pessoas é a relação de tamanho que elas tem com o planeta. Por exemplo elas realmente acreditam que a Terra é muito grande em relação a tudo e que ainda há recursos para todos e que eles são praticamente infinitos. Isso pra mim é o maior exemplo de egocentrismo que uma pessoa pode demonstrar, tudo bem que o ser humano é pequeno em relação ao planeta, sozinho ocupo um espaço ínfimo e gasto poucos recursos, mas já parou pra pensar que existem mais de 6 bilhões querendo ocupar o mesmo espaço e consumir os mesmos recursos que você? É, além de não saber lidar com a variável tempo muito bem, afinal vivemos 100 anos no máximo, ainda não sabemos lidar com números muito altos como os 6,5 bilhões que vivem nesse planeta.

Não podemos lidar com os dados isoladamente, a Terra pode ser grande sim se você pensar que ela existe só para você e as pessoas que você conhece, mas já parou para pensar que no mundo tem mais outras 6 bilhões de pessoas que você provavelmente nunca irá conhecer e que consomem recursos e espaços como você.

Percebo que as pessoas não tem problemas para entender só a variável tempo (por exemplo entender o conceito de gerações futuras) mas a variável espaço também é complicada. O homem pode ser minúsculo em relação as magnitudes da Terra e da natureza, mas multiplicado por 6,5 bilhões não é tão pequeno assim, vide todo o caos que já fomos capazes de fazer por aí e com que velocidade.

Aliás, velocidade é outra coisa que o homem não entende. Velocidade para o bicho homem (principalmente no dias de hoje) é MUITO, MUITO diferente do que é para a natureza.

Você já parou para pensar quanto tempo demora para você poluir um rio e quanto tempo você demora para recuperá-lo? Se é que a recuperação será 100%.

Ou ainda quanto tempo a natureza demorou para produzir 1 barril de petróleo e quanto tempo (vou ser boazinha) demora para o homem extrair, refiná-lo e queimar no motor do seu carro? Pois se você pensar em apenas queimá-lo o tempo é ridiculamente incomparável.

Temos ai algumas questões para pensarmos:
1)O bicho homem não é apenas 1 ou um pequeno grupo, somos 6,5 bilhões, a Terra pode ser grande, mas o número de pessoas não é nada pequeno;
2)O tempo não é apenas o tempo que vivemos, nosso DNA vai continuar por aí, seja por meio de filhos, netos, primos, sobrinhos e etc; e
3)A nossa velocidade e a velocidade da natureza estão bem diferentes. E veja bem se a gente quiser multiplicar essa variável a gente pode multiplicar por 6,5 bilhões.

As polêmicas fraldas descartáveis (?)

No Faça a sua Parte está uma discussão sobre o assunto fraldas descartáveis (aqui, aqui e aqui), diante de tanto burburinho eu não consigo parar de pensar que o problema tem que ser pensado um pouco antes.

Vamos a alguns fatos, as pessoas com menos condições financeiras e menos acesso a educação também usam fraldas descartáveis! Sempre tenho que fazer trabalho de campo nas favelas de SP e SEMPRE encontro fraldas descartáveis pelas ruas das favelas. E qual a população que mais tem filhos?

Acho que a pergunta que deve ser feita antes de decidir qual fralda você vai usar no seu filho é: Você, o mundo, o meio ambiente realmente precisa de mais uma pessoa?

Não sou a favor das fraldas descartáveis nem totalmente contra, acho que elas são úteis em algumas ocasiões e podem ser usadas, desde que com parcimônia, como tudo no mundo, só por que o carro polui vou negar os benefícios que ele nos traz?

Acho super válida a preocupação das pessoas de usarem ou não as fraldas descartáveis, mas a parcela da população que mais tem filhos não se questiona nenhuma vez quanto ao número de filhos ou se deve ou não usar fraldas descartáveis. E isso é o que realmente me preocupa.

A China está pensando na possibilidade de acabar com a lei do filho único, você já parou pra pensar na quantidade a mais de gente que vai nascer e provavelmente consumir não só mais fraldas descartáveis mas mais alimento, água, energia?

A discussão sobre as fraldas é muito valiosa mas vamos nos lembrar de pensar globalmente, as fraldas só são as primeiras pegadas que um ser humano deixa no planeta e todo o resto que vem depois? O planeta vai ser capaz de dar conta do recado, com a população crescendo todos os dias 200.000 pessoas, descontados os mortos? E será que a geração presente vai deixar alguma coisa para as próximas gerações?

Bom, não pretendo ter filhos, não quero transmitir a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Sim, parafraseando Memórias Póstumas de Brás Cubas, bem pessimista…

Minha vida era mais sustentável quando eu tinha a minha mãe

Esse post poderia ter sido escrito na blogagem coletiva do Dia das Mulheres, deveria ter sido publicado no dia das Mães, mas só pensei nesse assunto no dia das Mães quando estava dentro de um avião numa escala em Brasília.

Gostaria muito de tê-lo publicado no dia das mães, mas estava sem computador, sem Internet, essa perda de “timing” me fez pensar seriamente em comprar um smartphone. O máximo que consegui foram algumas anotações num caderninho.

Mas antes tarde e meio fora de contexto do que nunca, principalmente em se tratando da minha mãe.

Minha mãe teve uma relevância absolutamente gigante na minha vida pra me tornar a pessoa com consciência ecológica que sou hoje. Desde que me entendo por gente em casa separamos o lixo, imagina a novidade há uns 20 anos ao se falar em separar lixo. Tinha um hospital na minha cidade que juntava sucata das pessoas para poder arrecadar mais dinheiro, era um hospital fundado por um Frei, com objetivos filantrópicos. Acho que foi por conta dessa separação em casa que me perguntei pela primeira vez para onde ia o lixo e percebi que não deveria ser um lugar muito agradável uma vez que ninguém gostava muito de tê-lo por perto.

Essa talvez tenha sido a primeira lição de meio-ambiente, que eu me recordo, que tenho da minha mãe, mas depois dessa vieram tantas outras que provavelmente ela fazia sem se dar conta que era sustentável. Aliás enquanto ela viveu essa palavra nem era tão famosa como hoje. E olha que nem faz tanto tempo assim que ela se foi.

Uma fez, acho que logo depois do apagão e da economia de energia que todos no país se esforçaram a fazer (alguém se lembra no longínquo 2001?), perguntei pra ela por que o aparelho de som não estava na tomada e ela óbvio disse que era pra economizar energia, eu sem noção fui lá e coloquei-o na tomada pelo simples luxo de poder ligar o som com o controle remoto quando raramente usava-o e estava em casa. Foi só eu virar as costas pra ela ir lá e desligá-lo novamente.

Na mesma época do apagão meu pai resolveu trocar o aquecedor de água elétrico que nós tínhamos em casa por um a gás. Só que a água quente demorava muito pra chegar até o chuveiro e por isso perdíamos muita água, qual solução encontrada? Não foi só 1 mas 2 soluções: 1) todo mundo da casa passou a tomar banho no banheiro mais próximo do aquecedor e 2) baldes eram colocados estrategicamente embaixo do chuveiro até a água esquentar, essa espera rendia pelo menos meio balde de água a cada banho. Água essa que era usada para dar descarga ou lavar o banheiro.

Um dia em casa me surpreendi com uma sacola estranha na entrada da cozinha, perguntei de quem era e minha mãe respondeu: é a sacola que uso para ir no mercadinho quando preciso comprar alguma coisa, não pego mais aquelas sacolas plásticas… E essa resposta não me foi dada ano passado quando a moda das ecobags apareceram por ai.

A água da máquina de lavar nem preciso dizer que era totalmente aproveitada, tanto para lavar o quintal como para lavar os banheiros, isso sem contar que ela mesma enchia a máquina com baldes para deixar a máquina menos tempo ligada (ás vezes ela exagerava, eu sei).

Se até hoje uso em casa sabão feito de óleo de cozinha é por culpa dela, ela conseguiu encontrar uma pessoa que produzia esse sabão e trazia em casa e ela ainda fazia propaganda para todos os conhecidos.

Na cozinha então, nem se fala, fazia feira toda semana, só comprava ovos caipiras, só comíamos o molho de tomate feito por ela, bebíamos suco de laranja natural todos os dias e ainda sempre que podia comprava produtos locais e orgânicos de uma pequena feira de produtores que tinha no caminho de casa para a escola que trabalhava como voluntária.

Sem contar que ela não dirigia, só andava a pé, de ônibus ou de carona.

Fico pensando como ela reagiria a esse blábláblá todo pelo mundo, nos últimos tempos, de coisas que ela sempre fez sem precisar de campanhas publicitárias milionárias ou algum artista famoso pra dar o exemplo. Ela lia muito e dizia sempre que fazia isso ou aquilo por que leu em algum lugar.

Mãe, preciso ter acesso às suas leituras pois provavelmente lá deve ter a resposta para o próximo passo que deveremos dar para podermos continuar existindo nesse Planeta.

Notas

Nossa, eu passo uma semana fora e parece que várias coisas resolvem acontecer…

Meu amigo Hugo finalmente colocou no ar o blog dele Nosso Futuro Comum. Fiquei super contente pois já tinha um tempo que ele estava com essa intenção.

A Marina da Silva pediu demissão… Essa notícia me deixou arrasada. Recebi uma enxurrada de e-mails e notícias sobre o assunto, não consegui ler tudo ainda, nem sei se conseguirei, mas é fato que perdemos um ícone respeitadíssimo mundialmente.

Espero que o meio ambiente não saia da pauta ambiental do governo, que essa fome de crescimento dos governantes não nos transforme numa nova China (se é que já não nos transformou) e que possamos acreditar que algo para o bem das futuras gerações está sendo feito e não para o bem das próximas eleições.

Reproduzo abaixo como foi a repercussão no mundo da saída da Marina do governo, do site O Eco.

Ecos de Marina
14.05.2008 | Lula tanto quis, que seu Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e sua política desenvolvimentista ganharam manchetes internacionais. Mas não exatamente pela pompa que levam, e sim por terem empurrado a ministra do Meio Ambiente para as margens do governo. Nesta terça-feira, quando a carta de demissão de Marina Silva chegou aos ouvidos da imprensa, os diários estrangeiros logo acionaram seus repórteres. Afinal, saía de cena a mulher que já teve o nome entre os políticos considerados mais verdes do mundo e num ranking que listava as 50 pessoas que poderiam salvar o planeta.

A notícia rodou o mundo como mais um golpe na combalida Amazônia. Aqui ao lado, os vizinhos Chile e Argentina destacaram em seus principais jornais os desentendimentos políticos que levaram Marina a cair. O argentino Página 12 diz que o Brasil acaba de perder uma ministra de biografia que “poucos políticos são capazes de se igualar”, e relaciona a renúncia à fome por terra dos grandes produtores de soja: “É um duro revés para os defensores da Amazônia”. O conterrâneo Clarín frisa que as divergências dentro do governo já “se arrastavam desde o ano passado”, e o chileno El Mercurio põe a ex-ministra como uma das vozes mais fortes na proteção da floresta tropical.

O New York Times também citou o caso dando ênfase no currículo ambiental de Marina. A reportagem a coloca como “renomada defensora da floresta tropical” e uma “estrela ambiental universalmente conhecida”. O diário, assim como o International Herald Tribune, comenta o fato de ela não ter acusado o presidente Lula como culpado direto pela demissão. No Reino Unido, o influente The Guardian deu a notícia como manchete na seção de meio ambiente. O texto começa em tom de lamentação, prevendo tempos difíceis para o maior bioma brasileiro: “O medo sobre o futuro da maior floresta tropical do mundo aumentou ontem”.

Na Europa, o pedido de demissão também chamou atenção. O fato de Marina Silva ter entrado no governo como uma das pessoas de maior confiança de Lula e ter saído por desavenças foi ressaltado pelo diário espanhol El País: “A relação de ambos foi se desgastando devido ao claro apoio do presidente a outros ministérios voltados a fomentar o desenvolvimento na Amazônia”. Já o francês Le Monde afirma que a ex-ministra deixou a pasta após cinco anos tentando proteger o Brasil de “interesses econômicos predatórios”.

Não era bem essa imagem que Lula queria lá fora. Com tantos confetes sobre a figura de Marina Silva, o presidente pode ficar em maus lençóis, como lembra nosso colunista Sergio Abranches.

http://arruda.rits.org.br/oeco/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet?publicationCode=6&pageCode=72

Acabei de ver esses links sobre a saída da Marina da Silva do governo que gostaria de compartilhar: Perdendo o Pescoço e A Grande lição de Marina da Silva.

Vai comprar uma coca-cola semana que vem?

Já falei da Coca-cola aqui. E o colega do Propaganda Sustentável falou ontem da nova campanha “Viva o lado Coca-cola da vida” e da promoção (não sei se é assim que se chama) “Cada gota vale a pena”, que durante a semana de 18 a 24 de maio, que a cada embalagem de Coca-cola vendida 2,3 centavos serão revertidos para o Instituto Coca-cola Brasil.

Bom, não vou discutir o fato de que se é certo estimular consumo e chamar isso de responsabilidade social (pra mim chega quase a chantagem, compre uma coca que a gente ajuda alguém, e se eu não comprar a empresa não vai ajudar ninguém?).

A idéia que me interessou no Propaganda Sustentável levantada pelo Jacques está no fim do texto dele quando ele levanta a seguinte questão: “Dado o tamanho da campanha, incluindo TV, rádio, jornais, revistas, internet, ponto-de-venda, o investimento na divulgação é muito superior ao que será arrecadado pela ação. Não serei hipócrita ou simplista de dizer para que a empresa simplesmente destine o dinheiro da veiculação e produção ao Instituto Coca-Cola. Mas, ora, considerando a boa causa, porque os veículos não abrem de 0,55 ou 1% e somam esse valor ao total auferido pela campanha e o destinam à boa causa?
E também, porque a agência que faturou uns bons caraminguás (e coloquem uns 7 dígitos de caraminguás aí) também não destina uma parte para a boa causa?
Ou seja, por que diante da bela iniciativa da Coca-Cola, não se faz um mutirão onde todas as empresas mostrem-se engajadas no objetivo e colham os benefícios de imagem de marca também?”

Gente, isso sim pra mim seria responsabilidade social e não só: “estou ajudando se você consumidor me ajudar e comprar mais.”

Tá, eu sei, eu sei, isso é um começo. E imagina o trabalho e o empenho que uma ação dessas não demandaria? Mas se é pra ser superficial eu tô aqui perdendo tempo (pra variar) acreditando que sustentabilidade é um negócio sério e não só blablabla de marketing.

Volto aqui à minha crítica feita no blog Empresa Verde, da Época Negócios.

“É ridículo ouvir que a sustentabilidade tá tomando grandes dimensões e todos estão mudando. Balela, o que tá mudando é o papo do pessoal de marketing, não o jeito de fazer negócios… As mudanças reais ainda são mínimas.”

Energia, biocombustíveis, alimentos

Recebi por mail esse texto e achei muito bom. Grifei as partes que mais me interessaram. Só fica a pergunta: se até economistas super famosos como Paul Krugman está dizendo que os recursos estão acabando, não temos mais planeta para explorar, por que continuamos com essa obssessão de crescimento infinito e eterno? Seremos parasitas ao ponto de consumirmos até a última possibilidade pra então ir atrás de novo planeta para destruirmos? Mas até onde se sabe não há outro planeta…

ALIMENTOS E AGRO-COMBUSTÍVEIS: UM IMPASSE

Clóvis Cavalcanti
Economista ecológico e pesquisador social

Em março de 2007, Fidel Castro escreveu denso artigo no jornal Granma, de Havana. Nele, analisa o impasse entre mais produção de comida e mais combustíveis de origem agrícola. Segundo Fidel – que se baseou em trabalho de Atilio Borón, cientista político argentino de quem sou amigo –, por mais “que os discursos oficiais assegurem que não se trata de optar entre alimentos e combustíveis, a realidade demonstra que … ou o solo se destina à produção de alimentos ou à fabricação de bio-combustíveis”. Na sua edição de 4.4.2007, a respeitável revista britânica, considerada de direita, The Economist, publicou editorial em que diz que “Fidel está coberto de razão”. Segundo esse semanário, são bastante conhecidas suas divergências do líder cubano; mas, naquele momento, tinha-se que reconhecer os méritos da reflexão de Fidel. No último dia 21 de abril, Paul Krugman, brilhante economista e professor da Universidade de Princeton (EUA), em sua coluna no ilustre jornal New York Times, afirma que está propenso a aceitar a tese (que antes lhe parecia exagerada) de que “a era dos recursos baratos acabou para sempre”. Em sua opinião, “as ofertas limitadas de recursos naturais erguem um obstáculo ao crescimento econômico do mundo no futuro”. No caso dos países ricos, isso significa que fica mais difícil elevar os níveis de vida da população; no dos países pobres, especialmente no de alguns deles, que se está começando “a viver perigosamente próximo do abismo”. O artigo de Krugman tem o sugestivo e esclarecedor título de “Ficando sem Planeta para Explorar”. Sua tese é a de que, num mundo finito, explorar mais e mais o que a natureza nos dá significa ir acabando com a riqueza natural. Para Nicholas Georgescu-Roegen (1906-1994), outro brilhante economista, um enunciado desse naipe não passa de “tautologia sem graça”, algo semelhante tendo sido dito pela admirada economista inglesa Joan Robinson (1903-1983).
Não deve ser por mero acaso que a opinião de gente tão notável coincida. Krugman lembra bem, a propósito, que o preço do barril de petróleo em abril de 1999 era de 10 dólares. Na ocasião, The Economist escreveu que esse preço deveria baixar, talvez para 5 dólares, acrescentando que o mundo estava diante de “perspectivas de petróleo abundante e barato pelo futuro previsível”. Engano rotundo. Logo em seguida, o petróleo começou a encarecer sem retorno, já tendo ultrapassado a marca dos 115 dólares o barril. A realidade que se tem hoje é de que a alta do barril não retrocederá. Ele irá ficando sempre mais caro, até porque a demanda não diminui – nem mesmo se estabiliza – e não existem mais grandes jazidas a ser descobertas. Em outras palavras, ocorre aquilo que se chama, em inglês, “the end of peak oil” (o fim do pico do petróleo). É aqui que cabe pensar no futuro da Refinaria de Suape. Quando ela estiver terminada, em dez anos, quanto custará um barril de petróleo? Talvez mil dólares. Talvez mais. Ou menos. Ninguém sabe. Se a The Economist cometeu o erro enorme de 1999, como podemos garantir que em 2018 o petróleo justificará o empreendimento de Suape? Pode acontecer que ele se torne totalmente inviável. Afinal, é preciso consumir menos – e não mais – petróleo, por causa do efeito estufa. Pernambuco e o Brasil poderão ter prejuízos monumentais.
Pior, porém, pode ser no curto prazo. Estamos ficando “sem planeta para explorar”, como assinala Krugman. Ou seja, se cresce a produção de agro-combustíveis (também chamados, talvez impropriamente, de “biocombustíveis”), como existe só uma Terra a ser explorada, faltarão solos para a produção de comida. Menos comida, relativamente a uma população sempre em crescimento (e com renda que aumenta), levará àquilo que Fidel, aplaudido pela The Economist, comentou em março de 2007: “o encarecimento dos alimentos e, portanto, o agravamento da situação social dos países do Sul”. A mesma coisa, aliás, que afirma Krugman agora. Mais interessante é saber por que se quer mais agro-combustíveis e por que isso está significando o aparecimento de um espectro que ameaça a paz de todo o mundo. Nas palavras de Fidel, saudadas por The Economist, “Os alimentos são convertidos em energéticos para viabilizar a irracionalidade de uma civilização” voltada para “sustentar a riqueza e os privilégios de uns poucos”, mediante “brutal ataque ao meio ambiente”. Na verdade, os economistas entendem muito bem disso: trata-se dos seus famosos “custos de oportunidade”. Explicando: quanto mais agro-combustíveis se produzam, tanto menos alimento haverá.

Mementrevista

Sim pessoas, estou afastada do blog, é um misto de várias coisas… Preguiça, falta de criatividade, inspiração, descrença, necessidade de férias (coisa que irei resolver na próxima semana), estudos para um concurso público e etc.

Aí como estou em casa hoje sem muitas forças por conta de uma infecção intestinal resolvi fazer uma coisa que me pareceu divertida, um mementrevista.

Geralmente eu não participo desses memes quando eles são fora do contexto do blog, mas esse achei interessante pois o assunto é o blog. Já aviso de antemão que não responderei as perguntas pessoais, ok?

Vi esse meme primeiramente no Viajante Consciente, depois no Rastro de Carbono e cá estou eu aqui fazendo parte dele também.
Vamos lá…

1. Por que resolveu criar o blog?

Já respondi essa pergunta num entrevista que dei para o Blog do Planeta, mas eu respondo de novo. Na verdade sempre quis ter um blog, mas até então nunca tinha encontrado um assunto. Como sempre me interessei por meio ambiente e busco um emprego na área achei que começar um blog com esse tema seria uma maneira bem interessante de encontrar mais pessoas interessadas.

2. O que te dá mais prazer em blogar?

Provavelmente a sensação que não estou sozinha no mundo preocupada com os rumos da humanidade no Planeta. Perceber a reação das pessoas também é bem interessante.

3. Indique um blog bom e um que você não gosta e por quê.

Que difícil… Só 1? Um blog que tenho acompanhado nos últimos meses é o Pé na África, de um jornalista da Folha que está fazendo um tour pelo continente. Gosto muito desse blog porque ele ta fazendo uma coisa que eu quero muito fazer em breve, um giro por esse continente. Um de meio ambiente que gosto muito é o Mude o Mundo do Fabio Yabu, mas que infelizmente anda em recesso.
Um blog que não gosto? Geralmente não curto muito blogs que são clippings de notícias ambientais, quando as pessoas apenas copiam e colam algumas notícias, mas apesar de não gostar muito dos blogs desse tipo descobri que eles podem ser bastante úteis.

4. Qual tipo de música você ouve, e quais suas bandas favoritas?

Como já expliquei, não vou responder perguntas de cunho pessoal.

5. Qual o assunto que você mais gosta de postar?

Outra pergunta difícil, mas quem me acompanha já dever ter percebido que dar alfinetadas é comigo mesmo. Na verdade só peço um pouco de coerência para as atitudes que são tomadas, tanto pelas empresas como pelas pessoas. Busco todos os dias ser o mais coerente possível com meus princípios e crenças, acho que se todos fossemos assim perderíamos menos tempo e energia com mentiras e hipocrisias.

6. Seaquinevasseceusavaesqui?

???

7. Você é: casada, solteira, separada, enrolada, desquitada, chutada, viúva ou outros?

Sem perguntas pessoais.

8. Por que você deu este nome ao seu blog?

Bom, sempre me pergunto qual o real nome do meu blog? Quando comecei o endereço era Ecodesenvolvimento e o título era Sustentabilidade. Aí quando minha amiga fez o logo, ela fez com Ecodesenvolvimento e o sustentabilidade ficou só no título mesmo. Na realidade queria que o endereço e o nome fosse Sustentabilidade, mas não o endereço não estava disponível e um amigo sugeriu Ecodesenvolvimento. O conceito é controverso, eu sei, mas com o tempo os 2 nomes combinados me convenceu.

9. Qual foi o último blog que você visitou?

Rastro de Carbono

10. Por que resolveu participar deste meme?

Acho que já respondi lá em cima.

Quem pode se declarar realmente responsável?

Recebi várias mensagens de amigos comunicando a decisão do Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (CONAR) de suspender peças publicitárias da Petrobrás. Decisão inédita do Conar, foi alegado que a afirmação da empresa de que faz tudo com responsabilidade social não é verdadeira. Para maiores detalhes dessa decisão leia aqui.

Mas eu me pergunto, por que apenas os anúncios da Petrobrás foram suspensos? Não estou defendendo a empresa, mas depois de ler essa notícia o que o Conar vai fazer com esse anúncio da Vale?

Posso estar equivocada, talvez a propaganda da Petrobrás seja muito mais mentirosa que a da Vale, talvez a sutileza do texto faça toda a diferença, mas acho que devemos ser coerentes, todo mundo sabe que NENHUMA empresa é totalmente sustentável e portanto acho que TODOS os anúncios, propagandas que tivesse qualquer insinuação sobre o assunto não deveria ser veiculado, certo? Que radical, né? Mas esse foi só o primeiro pensamento que me veio a cabeça sobre o assunto, quem sabe alguém consiga me convencer de algo diferente…

Momento de profundo pessimismo

Hoje é meu aniversário e estou fazendo 27 anos e gostaria muito de estar muito contente por isso, mas diante do que eu vi e ouvi ontem isso só me faz sentir menos esperança de continuar lutando pelo acho realmente certo.

As fotos do post anterior me deixaram muito, mas muito chateada, eu tinha te uma vaga noção de que isso fosse realmente assim, mas ver a foto tornam as coisas muito mais reais e foi muito aborrecedor ver aquela imagem. Depois ainda conversando com uma amiga que trabalha na fiscalização ambiental das obras do Rodoanel ouvi que o presidente da Dersa emitiu um comunicado para todos os consórcios da fiscalização ambiental dizendo que está vetada a emissão de laudos de não-conformidade!!!!!!!!!!!!!!!!!! Quando os homens vão tomar alguma atitude real em relação a destruição que estamos levando nosso único Planeta? Até quando vamos levar o dinheiro como tudo e qualquer coisa que se precisa no mundo?

É difícil ter consciência do que acontece e poder fazer muito pouco para mudar, talvez fosse mais fácil ser uma patricinha preocupada em comprar minhas roupas Diesel que afirmam estar “preparadas” para o aquecimento global. Ou então moradora de um confim qualquer do Planeta que tem que caminhar alguns quilômetros para buscar água, outros tantos para ter acesso a comida e não se preocupar se o mundo do dinheiro esta fazendo ou não alguma coisa para melhorar aquele lugar, sobreviver é a maior preocupação.

A mesma amiga que contou essa fato surreal do Rodoanel questiona como a natureza permite a evolução de um ser a que destrói, talvez seja assim que tem que ser, a natureza cansou de lutar contra e sabe que quanto mais for destruída mais perto o homem estará da própria extinção e assim as coisas serão mais fáceis para ela. Devemos então parar de remar contra a maré e deixar o homem se extinguir? Talvez seja menos desgastante mesmo…

É um absurdo… É um absurdo


Pra variar as imagens falam mais que qualquer palavra.

Pra você saber o que são essas imagens leia aqui.