Um ganso equivocado

No jardim público de Halifax há um excêntrico ganso que parece manifestar uma afeição genuína. Sempre que um velho gentleman, cujo nome não conhecemos, se aproxima do lago e chama “Bobby”, o ganso deixa o lago para sentar-se perto dele. Quando ele vai embora, o ganso segue-o de perto, como Leia mais…

Em uma palavra [87]

nesciência (nes.ciên.cia) s.f. 1. estado de néscio: nesciedade. 2. ausência de conhecimento ou consciência; ignorância. 3. Filos. doutrina que afirma que nada é verdadeiramente cognoscível. (ou conhecível); agnosticismo. [derivado do latim nescientia = ignorância]

A outra caixa de Skinner

Deborah Skinner em seu aircrib.

Após o nascimento de sua segunda filha, Deborah, em 1944, o psicólogo behaviorista B.F. Skinner (1904-1990) teve o que para uns foi sua ideia mais brilhante e para outros, a mais infame. Para aliviar a barra de sua esposa, Yvonne, Skinner desenvolveu um inovador dispositivo para cuidadados infantis (isso cheira a patente patética, mas não é).

Originalmente batizada de aircrib ou air-crib (lit. aeroberço), a invenção de Skinner era uma caixa com controles de temperatura e umidade e um painel de vidro na qual o bebê — sem qualquer fralda ou lençol — poderia ser posto por algumas horas para dormir. Em suma, era um chiqueirinho (ou cercadinho) high-tech e com ar-condicionado. O objetivo era permitir grande liberdade de movimento para o bebê e encorajar-lhe a independência literalmente desde o berço. O colchão havia sido especialmente projetado para ser facilmente removível e lavável. Como era de se esperar, D. Yvonne ficou interessada e acabou atuando como co-inventora. Durante boa parte de seus primeiros anos, Deborah Skinner passaria a maior parte de suas horas de sono no aeroberço. Mas ao contrário de relatos posteriores, ela não foi “criada numa caixa”. (mais…)

O sarcasmo esteja convosco!

[…] Era, aliás, um costume comum que clérigos repreendessem publicamente os ofensores [que atrapalhassem os serviços sagrados]. Houve o caso que aconteceu a um jovem que, ao sentar-se em uma posição privilegiada na igreja, tirou seu lenço [de seu bolso] e com ele veio um maço de cartas de baralho Leia mais…

Patentes Patéticas (nº 40)

catalisador bovino

Nestes tempos de aquecimento global a todo vapor (com trocadilho, por favor), era de se esperar que a inventividade de gente comum disposta a salvar o mundo explodisse. Como a emissão pecuária de metano tem sido apontada como um dos problemas mais sérios, o californiano Markus Donald Herrema propôs uma solução: em vez de tentar bloquear essas emissões naturais, porque não usar esse metano como fonte de energia? Em certo sentido, ele tem razão (já que o metano é, de fato, um gás mais “estufado”). O problema é que seu “Processo para Utilização de Emissões de Metano por Animais Ruminantes” parece no mínimo ridículo. Com uma apresentação em estilo devidamente ruminate, Mr. Herrema explica sua ideia de: (mais…)

Mutirão às avessas

Tenha medo dos empregados do vizinho que não param para o chá das cinco. Ainda mais se você mora em uma casa pré-fabricada: LONDRES — Mrs. Kathleen Cameron, 19, ficou impressionada com a rapidez e eficiência com que os carpinteiros trabalhavam para desmontar a casa pré-fabricada ao lado da sua Leia mais…

Em uma palavra [86]

macrologia (ma.cro.lo.gia) s.f. conversa longa e tediosa; discurso prolongado, porém sem ideias; diálogo supérfluo. ≈ Lenga-lenga, Delonga, Papo-furado, Cantilena, Ladainha → macrológico, adj. → Macrologista, s.c.2g. é aquele que pratica macrologia, que insiste em tal tipo de conversa. [do grego macro = grande + logos = palavras]

O matemático lunático

Sendo um dos mais famosos matemáticos franceses de sua época, era natural que Jacques Hadamard (1865-1963) recebesse várias correspondências de aspirantes a matemáticos cheias de dúvidas ou de teorias malucas. Boa parte daquelas cartas geralmente era ignorada por Hadamard, até que ele recebeu uma prova brilhante de um tal André Bloch. Hadamard ficou tão fascinado pela elegância da prova que decidiu conhecer aquele sujeito e convidá-lo para um jantar. Uma vez que eles só mantinham contato através de cartas, Hadamard escreveu de volta para o endereço do remetente: 57, Grand Rue, Saint-Maurice. Em resposta, Bloch só informou que estava impossibilitado de sair, mas convidou o grande matemático a lhe fazer uma visita.

Foi só ao chegar ao endereço que Jacques Hadamard descobriu porque o brilhante colega não poderia sair: o que ficava na 57, Grand Rue, Saint-Maurice não era uma casa, mas um hospital. Ou melhor, um hospício, o Asilo de Lunáticos de Charenton. Apesar da imensa surpresa, Hadamard foi ao encontro de Bloch e em meio a uma longa conversa sobre temas matemáticos, ele conheceu a história do matemático lunático. (mais…)