A salvação de Ezra Pound

Ezra_Pound

[tradução de Saving Ezra Pound, publicado pelo Dr. Romeo Vitelli em Providentia]

Em 1945, o fim da II Guerra Mundial foi um tempo não só de celebração mas também de penitências. Enquanto os julgamentos de Nuremberg para os criminosos de guerra nazistas estavam sendo planejados, os processos contra os colaboracionistas avançavam rapidamente. Na Grã-Bretanha, o julgamento de William Joyce (a.k.a. Lord Haw-haw), acusado de traição por fazer propaganda nazista pelo rádio, terminou com sua execução em 1946. Mas ainda havia Ezra Pound(mais…)

Casamentos Clandestinos

Hogarth, William, Marriage a-la-Mode, plate I, 1745 Engraving, 14 4/25″ x 17 4/5″

Eram muito comuns na Inglaterra setecentista. Tanto que, durante algum tempo, o governo de Londres multava em 100 libras o falso oficiante e em 100 libras cada pseudo-cônjuge. Mesmo assim, havia tabernas e até casas de moral duvidosa que chegavam a contratar seus próprios ministros religiosos, muitas vezes formados em teologia em universidades respeitáveis. Ou não. Por uma pequena taxa pagas a algumas casas de moral duvidosa, informavam anúncios em classificados, era possível se casar nesses lugares. Pouco importava que você estivesse bêbado feito um gambá, ou só com tesão demais por alguém: o casamento era feito e, de alguma forma, registrado.

Mesmo que fossem ilegais, esses registros nem sempre eram destruídos quando descobertos pelas autoridades. Algumas das notas depositadas no Registrar of the Consistory Courts [algo como Cartórios das Cortes Eclesiásticas] de Londres são bastante divertidas: (mais…)

Patentes Patéticas (nº. 131)

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Há muita coisa errada no mundo e um inventor é alguém que sempre busca consertar, de maneira criativa, pelo menos algum destes milhões de problemas. De tampas de privadas levantadas a adoção de crianças. Isto mesmo, adoção de crianças. Todo mundo sabe que em muitos casos há mais candidatos a pais adotivos do que crianças disponíveis (especialmente quando são crianças pequenas e brancas), mas como resolver isso? Que tal tentar um Método e Sistema para Permitir Consulta ao Público e Eleição de Pais Prospectivos em Procedimentos de Adoção em Rede Nacional. Apesar do nome burocrático, parece algo bastante democrático: (mais…)

Em uma palavra [175]

escólio (es.có.li:o) s.m. 1. Lit. comentário destinado a tornar claro os escritos de um autor clássico; nota de esclarecimento; rodapé; marginália; glossário. 2. p. ext., anotação, explicação, interpretação ou comentário em um texto, uma lei ou um teorema matemático. escoliasta, s.2g., autor de escólios; explicador; comentarista; glossador; escoliador. escoliar, v.t., Leia mais…

Zavin vs. Zavin

Em 1961, era relativamente fácil se divorciar no estado de Oregon (EUA). Se um cônjuge conseguisse provar que o outro havia quebrado o contrato marital, o casamento estava desfeito. A maneira mais simples (e presumivelmente a mais comum) era comprovar que o outro cônjuge havia cometido adultério. O problema é Leia mais…

Legítima defesa de quem?

Parece razoável concordar que todo mundo tem direito a viver. Mas também parece razoável que uma pessoa abre mão de seu direito à vida quando ameaça a vida de um terceiro. Para os defensores da pena de morte, nesse caso seria admissível matar o matador. Mas e quando há mais Leia mais…

Patentes Genéticas?

DNA®. Patente requerida.

DNA®. Patente requerida.

Nada parece mais orwelliano do que o controle de uma empresa privada sobre algo que todo mundo tem e do qual não pode abrir mão: genes. Não é possível comprar genes, é claro, mas pode-se patentar um. Faz quase 30 anos que o US Patent and Trademark Office emite patentes sobre genes humanos. Algumas dessas patentes, relacionadas a dois genes ligados ao aumento do risco de câncer de mama e câncer de ovário pertencem à Myriad Genetics, Inc. Pode isso, Arnaldo? (mais…)

Quatro volumes e um destino

Quatro volumes de um velho livro de Direito no fundo de um barril cheio de lixo. Parece desprezível, mas isso pode mudar o destino de uma pessoa e, através dessa pessoa, o rumo de um país inteiro:

Um dia, [A. J. Conant] perguntou a Mr. Lincoln como ele se tornou interessado em Direito. “Foram os Blackstone’s Commentaries que fizeram isso”, disse Mr. Lincoln, relatando em seguida como foi seu primeiro encontro com esse livro. “Eu estava cuidando de um armazém em New Salem [Illinois], quando, num dia, um homem que estava migrando para o Oeste apareceu com um carroção que continha toda sua família e sua mobília. Ele me perguntou se eu poderia comprar um velho barril para o qual não havia mais espaço em seu carroção e que, segundo ele, não continha nada de valor especial. Eu não queria, mas concordei em comprá-lo e paguei-lhe meio dólar, eu acho. Sem nenhum exame, coloquei-o no fundo do armazém e o esqueci completamente. Algum tempo depois, ao rearranjar as coisas, me deparei com o barril e pus seu conteúdo sobre o chão. Debaixo do lixo, encontrei uma edição completa dos ‘Commentaries’ de Blackstone. Eu comecei a ler esses famosos trabalhos e tinha bastante tempo disponível, pois, durante os longos dias do verão, quando os fazendeiros estavam ocupados em suas lavouras, meus clientes eram poucos e esporádicos. Quanto mais eu lia” — disse ele, com uma ênfase incomum — “mais intenso meu interesse ficava. Em toda a minha vida, minha mente nunca esteve tão inteiramente absorvida. Eu li até devorá-los.” — Ida M. Tarbell, Selections From the Letters, Speeches, and State Papers of Abraham Lincoln [Seletas das Cartas, Discursos e Papéis Governamentais de Abraham Lincoln], 1911

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