O gênio do asilo

Muito antes de ser relacionado ao autismo, o savantismo foi reconhecido pela primeira vez no século XIX, num homem que passou a vida num asilo e tinha uma habilidade extraordinária para trabalhos manuais. Seu nome era James Henry Pullen. Por Romeu Vitelli, no Providentia. Tradução de Renato Pincelli. A síndrome Leia mais…

Desconstruindo Gödel

Kurt Gödel podia ser bem paranoico às vezes — motivos para isso não lhe faltavam. Por Romeo Vitelli, no Providentia. Tradução de Renato Pincelli. Nascido em 1906, no que então era o Império Austro-Húngaro, ele se tornou cidadão da Checoslováquia aos 12 anos, quando a Austria-Hungria se esfacelou. Após sobreviver a Leia mais…

O que andei vendo no Netflix em maio

No mês do Dia da Toalha estive azarado feito um Arthur Dent. Ainda que a Terra não tenha sido destruída (por enquanto), meu carro me deixou na mão durante uma viagem e, como não tenho dinheiro para consertá-lo, me vi andando tanto que ganhei uma lesão no calcanhar direito. Também tive problemas com um grupo de trabalho na faculdade. Apesar de tudo, pude ver boas produções sobre o impacto de um massacre escolar numa comunidade americana, as lutas contra os preços abusivos de medicamentos contra a AIDS, os esforços para recuperar os veteranos traumatizados pela II Guerra, e observei as experiências de ficar cego, resgatar refugiados da Alemanha Nazista, ter filhos e conhecer o Japão. (mais…)

Em uma palavra [322]

cacosmia (ca.cos.mi.a) s.f. Med. 1. perversão do olfato que leva o portador a apreciar cheiros desagradáveis; 2. sensação frequente ou constante de odores desagradáveis; em ambos os casos, trata-se de uma anomalia olfativa de fundo psicológico ou neurológico. [do gr. kakosmia = mau cheiro]

IgNobel 2016: as pesquisas mais improváveis do ano

Existem pesquisas científicas que parecem engraçadas, dignas de cientistas malucos de desenhos animados. Botar calças em ratos, se coçar diante do espelho, fazer perguntas aos mentirosos (e acreditar nas respostas), observar e descrever o mundo de cabeça pra baixo. Todas essas são, na verdade, pesquisas científicas bem sérias. E ninguém as leva tão a sério quanto a revista Annals of Improbable Research, que acaba de premiar esses trabalhos com o IgNobel.

Realizada ontem à noite na Universidade de Harvard tendo como tema o Tempo, a 26ª. cerimônia de premiação do IgNobel foi bagunçada como já é tradição. Foram proferidas as palestras 24/7 (uma descrição técnica em 24 segundos seguida de um resumo em 7 palavras) e apresentada a ópera The Last Second (sobre um complô para acrescentar um segundo extra em todos os relógios do mundo e ganhar dinheiro com isso). Em meio a duas chuvas de aviõezinhos de papel e um campeonato de jogo-da-velha com um neurocirurgião, um cientista de foguetes e cinco laureados da versão chata do IgNobel (o Prêmio Nobel), foram anunciados os ganhadores em 10 categorias: (mais…)

Em uma palavra [231]

alexitimia (a.le.xi.ti.mia) s.f. Psic. dificuldade ou incapacidade de reconhecer ou expressar, especialmente em palavras, os próprios sentimentos ou sensações; inarticulação emocional; ficar sem palavras. alexitímico, adj. 1. portador de alexitimia; 2. diz-se de sentimento inexpressável, inefável. [do grego a- = sem + lexis = palavras + thumos = alma, sentimento]

“Eu acho que já vi esse déjà vu antes”

dejavu

Aquela sensação algo familiar de passar por uma experiência já conhecida mesmo que ela seja inédita. Isso mesmo, déjà vu. Aquilo que foi visto. Normalmente é uma sensação bastante repentina e passageira. Como um flash de futuro pretérito no presente. Se você já passou por isso, imagine prolongar seu déjà vu mais intenso. Por anos a fio, tudo o que acontece lhe parece familiar demais. (mais…)

Breve História do Pó: o fim da carreira

Os doutores do pó também não levaram muito a sério os alertas dos colegas limpos. Muitos sequer admitiam que estavam em risco, ainda que fossem consumidores contumazes tanto de coca quanto de morfina. Com o fácil acesso que tinham à cocaína, não é de se estranhar que, por volta de 1901, uns 30% dos cocainômanos dos Estados Unidos fossem médicos e dentistas. O caso de William Steward Halsted (1852-1922) é exemplar. (mais…)