MIT descobre o universal linguístico (ou não)

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Torre de Babel (Pieter Bruegel, o velho. c. 1563)

[tradução e adaptação de: “MIT claims to have found a “language universal” that ties all languages together“, por Cathleen O’Grady, no Ars Technica]

Ao redor do mundo, as línguas assumem uma estonteante variedade de formas — a tal ponto que isso mantém um longo debate sobre se todas as línguas podem ter alguma propriedade em comum. Agora, de acordo com um paper publicado na edição dessa semana da PNAS, há um novo candidato ao fugidio título de “universal linguístico”. Todas as línguas, segundo os autores, se organizam de tal modo que conceitos relacionados ficam tão próximos quanto possível dentro de uma frase, facilitando a compreensão da noção geral que expressam. (mais…)

Relatório Asimov sobre a Criatividade (1959)

Depois de lançar com sucesso seu primeiro satélite espacial, o Sputnik, a União Soviética parecia estar pronta a dominar o mundo. Enquanto isso, os Estados Unidos estavam apenas começando a esboçar uma reação. Em 1958, foram criadas a NASA e a ARPA. No ano seguinte, a relação entre essas duas entidades ainda era confusa. Impaciente, o governo americano já havia percebido que precisava definir bem os papéis para ter suas próprias surpresas tecnológicas. Outro problema: não importava o quanto fosse investido na expansão tecnológica, ela parecia inadequada.

Arthur Obermayer trabalhava na Allied Research Associates, empresa da MIT dedicada ao estudo dos efeitos de armas nucleares em estruturas aeronáuticas. A firma estava envolvida num dos primeiros projetos da ARPA, o GLIPAR (Guide Line Identification Program for Antimissile Research) [pdf]  e precisava de muita criatividade para ajudar a projetar um sistema de defesa com mísseis balísticos. O governo americano queria que todos os envolvidos fossem estimulados a “pensar fora da caixa”. Mas como fazer isso? (mais…)

Poesia Cthulhu

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Cthulhu Rising by somniturne (via mobground.net)

Para quem não sabe, os contos de horror cósmico de H. P. Lovecraft (1890-1937) retratam um mundo muito além da compreensão humana. Situado na tríplice fronteira do horror com a fantasia e a ficção científica, seu universo é governado por deuses com aparências capazes de perturbar qualquer mente sã. O primeiro destes contos foi “The Call of Cthulhu”, escrito em 1926 e publicado na Weird Tales de fevereiro de 1928. A Wikisource tem o texto na íntegra (em inglês, of course). O Chamado de Cthulhu é uma tradução para o português disponibilizada pelo Site Lovecraft [pdf em zip].

Mas e se, em vez de contos, Lovecraft tivesse contado a história de Cthulhu em versos? Em 2011, o americano David Jalajel fez de Lovecraft um poeta. Ou quase isso. No poema experimental Cthulhu on Lesbos [Cthulhu em Lesbos], Jalajel pega frases de The Call of Cthulhu e as arranja em cantos safados sáficos com pouca ou mesmo nenhuma consideração pela sintaxe convencional. Eis os primeiros versos, acompanhados de nossa tradução: (mais…)

Contos Traduzidos: “A Estrela”

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Num fim de ano, numa virada de século, enquanto o resto do mundo se dedica às festas ou ao trabalho, os astrônomos percebem que há alguma coisa errada com Netuno. Para a comunidade astronômica isso já seria o bastante para causar rebuliço — seria a perturbação causada por um outro planeta? Imaginem, então, quando os estudiosos do céu descobrem um clarão cada vez maior e mais brilhante vindo justamente da direção de Netuno. Nos primeiros dias do ano-novo, os jornais se dividem ao noticiar a descoberta. Uns dizem que é uma tragédia anunciada, é o fim do mundo e vamos todos morrer. Outros afirmam que não vai ser bem assim, que foi a mesma coisa com o ano 1000 e, no máximo, pode ser uma passagem de raspão de um segundo sol mas não há motivos para pânico.

Ou será que há? (mais…)

>Soneto ao Nada

>Poema de Richard Porson, publicado na edição de 4 de março de 1814 do Morning Chronicle: Misterioso Nada! Como hei-de mostrarVosso infome, infundado, ilocável vazio?Nem forma, nem cor, nem som, nem tamanho traz.Nem palavras ou dedos podem expressar vosso vozerio. Mas embora não possamos vos comparar a algures,Um milhar de Leia mais…

>Literatura Médica

> Quando o médico escocês John Armstrong (1709-1779) disse aos amigos que tinha planos de escrever um livro sobre A Arte de Preservar a Saúde todos devem ter achado uma boa ideia. O que ninguém esperava é que ele o escrevesse em versos brancos (a divisão dos versos foi mantida Leia mais…