Sobre o ser autêntico

Ser autêntico… Afinal, o que é ser autêntico? Você é quem você é, ou você é fruto das circunstâncias e das pessoas que passaram pela sua vida?

Segundo o dicionário, a autenticidade é:

Natureza daquilo que é real ou verdadeiro; estado do que é genuíno; verdadeiro: autenticidade de uma obra de Picasso. Em que há pertinência; que possui legitimidade; legítimo e adequado: a autenticidade de um artigo científico.

Mas como definirmos o que em nossa personalidade é legítimo e genuíno? Quem é capaz de julgar o verdadeiro?

A todo momento estamos suscetíveis a tudo que acontece a nosso redor, estamos sempre sendo influenciados pelo julgamento alheio, afinal, quantas vezes vocês mulheres não ouviram alguém chamar uma completa desconhecida de “piriguete” por causa da roupa com que ela se apresentou? E em casos mais sérios, quantas vezes você já não ouviu que determinada roupa não pode ser usada em qualquer lugar porque vai chamar atenção e pode ser perigoso? E nesse momento o que você fez com a sua imagem em uma roupa parecida? Certamente a descartou definitivamente da sua vida.

Quantas vezes alguém já te criticou por seu jeito de ser, seu jeito de andar, sua forma de pensar sobre a vida, e até mesmo sua forma de abordar as diversas situações da vida. E qual foi a sua reação? Você foi capaz de se auto afirmar como sendo assim ou você resolveu mudar e se adaptar ao que as outras pessoas diziam querer?

As pessoas, e nós mesmos sempre queremos muitas coisas, sempre acreditamos que nossa forma de olhar o mundo é a melhor, é a que leva mais longe, e ela até é, afinal, quem define o certo ou o errado? Mas nós estamos sempre a mercê do certo ou errado alheio, isso porque sempre vemos no outro aquilo que nós mesmos julgamos, O MUNDO REFLETE A NOSSA ALMA.

Um exemplo físico é o que trouxe a novela malhação 2018, do caso da personagem Pérola que tinha problemas com o próprio corpo e por isso não conseguia aceitar o corpo da Úrsula, e quando estamos nesse ponto, vivemos a chamada Síndrome do espelho. Mas quem disso que isso também não pode acontecer quando falamos de comportamentos? E quando passamos por esses julgamentos alheios, realmente somos nós que estamos agindo assim ou é só o que o outro consegue enxergar?

E a nossa insegurança e falta de autoconhecimento nos leva a aceitar o que vem de fora como uma verdade absoluta e passamos a nos modificar em algum ponto, até chegarmos ao limite de nos darmos conta de que nos perdemos nesse processo, que não sabemos mais quem somos sem a opinião alheia, que não somos capazes de decidir nada sem que alguém diga amém. Tem uma parte da carta da Clarice Lispector à sua irmã que define bem esse processo:

“Tania, não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar, querida irmã, minha alma. Mas o que  eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias.”

Às vezes, ao decidirmos mudar por causa das circunstâncias, nós abrimos mão daquilo que nos sustenta, daquilo que nos caracteriza, e nos perdemos no processo. O Brasil que eu quero é aquele onde não iremos mais precisar nos modificar para sermos aceitos, onde haja respeito, em que o ser autêntico (com qualidades e defeitos) seja o mais bonito e importante, afinal, a grande beleza do Brasil está justamente na grande diversidade de pessoas que sustentam a nação.

E afinal, o que te faz autêntico? Qual é aquele sonho só seu e que todo mundo te chama de louco por querer realizar? Descubra sua força ao se aceitar e se amar como é, porque é isso que te deixará ainda mais encantador e acima de tudo, feliz!

 

Referências:

A síndrome do espelho

Assédio em universidades: Qual o limite da brincadeira?

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Sobre Sheila Tiemi Nagamatsu

Formada em Biotecnologia pela UFSCar, Dra. em Genética e Biologia Molecular com ênfase em Bioinformática na UNICAMP, apaixonada por desenvolvimento pessoal e, atualmente, pós-doutoranda em YALE na área de psiquiatria.

2 respostas para Sobre o ser autêntico

  1. Muito legal, concordo em grau e adorei a carta da Clarice. Considero que apesar desses “trágicos” eventos para nos tornarmos autênticos, é sempre a melhor viagem dessa jornada na Terra. Abraços

    • Sheila Tiemi Nagamatsu diz:

      Eu também não tenho dúvidas de que é esse caminho que faz tudo valer a pena no final, e obrigada por continuar acompanhando nossos posts, Augusto. Abraços

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