9 – Angra 3 é um bom projeto?

Já ouviu falar da energia nuclear? Esta energia, como citado no segundo texto deste blog, é não renovável. E esta energia é provinda do resultado da fricção nuclear dentro do reator, cuja energia térmica resultante é convertida em energia elétrica e consequentemente distribuída. Apesar de ser não-renovável, a nuclear é bastante levada em consideração pelo fato de não emitir gases agravadores do efeito estufa. Este texto se trata de uma das usinas nucleares ainda em andamento, chamada de Angra 3.

Complexo nuclear de Angra dos Reis

Você deve ter ouvido falar nestas 3 usinas, correto? Angra 1, Angra 2, e Angra 3. Todas estas são usinas nucleares. Atualmente está sendo construída a usina de Angra 3, cujo prazo para operar é em 2026. Vejamos estas usinas.

Angra 1

A Angra 1 foi inaugurada em 1985. A usina possui 640 MW de potência, e já passou por vários problemas, como por exemplo a troca de equipamentos (2).

Angra 2

A Angra 2 começou a operar em 2001. A usina possui uma potência de 1350 MW, equivalente a quase o dobro da Angra 1. Ou seja, está usina pode suprir o dobro do consumo da usina anterior.

A construção da usina teve inicio em 1981. A partir de 1983, começou-se uma crise financeira, desacelerando o crescimento da Angra 2. Em 1994 as obras voltaram, sendo finalizadas em 2000. Segundo a Eletrobras, a operação desta usina permitiu uma economia de água dos reservatórios das hidrelétricas brasileiras, amenizando as consequências do racionamento de energia (3).

Angra 3

Está usina ainda está em construção, cuja potência prevista é de 1405 MW. Quando está usina estiver pronta, a energia nuclear poderá gerar 50% equivalente ao consumo do estado do Rio de Janeiro, segundo a Eletrobras.

Atualmente, foram executadas 67,1% das obras. Os recursos para a construção da usina estão sendo providenciados por empréstimos pegos pela própria Eletrobras, e seus equipamentos e serviços no mercado nacional estão sendo custeados através do financiamento via BNDES. O financiamento para a aquisição das máquinas e equipamentos importados, mais a contratação de serviços externos está sendo feito mediante contrato com a Caixa Econômica Federal (4).

No presente momento as obras estão interrompidas. Porém, estudos estão sendo feitos para novos investimentos nesta usina. Inclusive defendem-se medidas como o aumento da tarifa definida para o empreendimento (5;9).

Vale a pena a construção da usina?

O ponto agora é se é viável ou não a construção da usina. Assim como toda fonte de energia, a energia nuclear tem suas vantagens e suas desvantagens. Uma das suas principais desvantagens seria em relação a segurança. Um exemplo clássico é a usina de Chernobyl, em que ocorreu um dos maiores acidentes nucleares da história. Não só muitas vidas se perderam, como também a área local e áreas adjacentes ficaram contaminadas com a radiação nuclear, ficando inacessíveis para habitação (7).

Defende-se que é viável a construção da usina pelo fato desta não emitir gases de efeito estufa. Isto ajudaria inclusive o país a seguir as metas estabelecidas no Acordo de Paris em relação a emissão destes gases. Sem falar também em seu beneficio econômico, com o intuito de tirar o Rio de Janeiro da crise (8).

Aparentemente, o programa nuclear não é uma prioridade para o Brasil, em consideração com outros programas de implementação, como as energias renováveis (eólica e hidrelétrica). Inclusive não é necessário, pois uma maior gestão das fontes já existentes poderia suprir a potência da Angra 3. A questão da segurança de implantar a nuclear também é algo a ser influenciável, como a caso de Chernobyl. Inclusive eu ouvi esta questão de segurança no XI CBPE (1;6).

Conclusão

Como sempre, o mais viável a se fazer e estudar se realmente é viável ou não. A função deste texto é informar em relação a Angra 3, e impedir que você se limite a opiniões mais conservadores. Se a usina for necessária (em termos de atender o consumo de uma região), em especial para a redução de gases, é uma boa alternativa. No entanto, se o impacto da construção for muito maior do que a emissão de gases nas termelétricas, talvez não seja uma boa ideia assim. Tanto que existem alternativas para a Angra 3, embora estas possuam vantagens e desvantagens em relação a nuclear. Links na descrição e bons estudos.

Referências

(1) DE CARVALHO, J. F.; SAUER, I. L. Does Brazil need new nuclear power plants? Energy Policy, v. 37, n. 4, p. 1580–1584, 2009.

(2) ELETRONUCLEAR. Angra 1. Disponível em: <http://www.eletronuclear.gov.br/Nossas-Atividades/Paginas/Angra-1.aspx>. Acesso em: 30 set. 2018a.

(3) ELETRONUCLEAR. Angra 2. Disponível em: <http://www.eletronuclear.gov.br/Nossas-Atividades/Paginas/Angra-2.aspx>. Acesso em: 30 set. 2018b.

(4) ELETRONUCLEAR. Angra 3. Disponível em: <http://www.eletronuclear.gov.br/Nossas-Atividades/Paginas/Angra-3.aspx>. Acesso em: 30 set. 2018c.

(5) Governo tenta solução para retomar obras de Angra 3 com aumento de tarifa. Disponível em: <https://odia.ig.com.br/economia/2018/06/5548645-governo-tenta-solucao-para-retomar-obras-de-angra-3-com-aumento-de-tarifa.html#foto=1>. Acesso em: 30 set. 2018.

(6) Jornal da USP – Usina Angra 3: Compensa Concluir? [16 06 2017]. Brasil. Youtube, , 2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=k0gXRoDeKHI>

(7) O acidente nuclear de Chernobyl. Disponível em: <http://www.oarquivo.com.br/temas-polemicos/historia/447-o-acidente-nuclear-de-chernobyl.html>. Acesso em: 30 set. 2018.

(8) PIRES, A.; MARCHI, G. DE. Retomar a construção de Angra 3 é imperativo para o Rio. Disponível em: <https://www.poder360.com.br/opiniao/economia/retomar-a-construcao-de-angra-3-e-imperativo-para-o-rio/>. Acesso em: 30 set. 2018.

(9) Plano decenal de expansão de energia 2026. Empresa de Pesquisa Energética, p. 50–107, 2017.

Rafael Henrique

Sou graduado em Engenharia de Energia pela PUC Minas. Recentemente, concluí o mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos pela UNICAMP. Decidi dar inicio a este blog, com o intuito de abrir o espaço de divulgação científica relacionado a energia e seus temas relacionados.

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2 Resultados

  1. 4 de fevereiro de 2019

    […] tem muito a ver com energia e suas tecnologias. Inclusive tem um texto neste blog em relação a energia nuclear. Qualquer semelhança entre este texto e o da energia nuclear não é mera coincidência. E que […]

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