O termo “fake news” não dá conta da complexidade do fenômeno da desordem da informação na medida em que este termo foi apropriado por figuras públicas que o utilizam como ferramenta para criticar reportagens com as quais discordam (Wardle, 2017). Wardle e Derakhshan (2017) argumentam que o problema vai muito além de informação falsa,  trata-se de um ecossistema que cria, produz e distribui informações. Desinformação, portanto, é a informação falsa, criada intencionalmente para causar dano. Quando uma desinformação é criada e divulgada em forma de boato, gera impactos socialmente visíveis (McIntyre, 2018; Morozov, 2011). As plataformas digitais, que incluem as mídias sociais, entram não apenas como um catalisador da desinformação, mas também como agentes que se recusam a averiguar os conteúdos compartilhados por medo de perda de lucratividade (Barbosa et al, 2020).

É importante observar que as desinformações não circulam sozinhas: elas são estrategicamente articuladas para atingir algum objetivo e com o movimento antivacina não é diferente. As desinformações formam um ecossistema, que reúne uma rede complexa e extensa de atores. A criação de desinformações, além de intencional, é dirigida a públicos específicos, que vão redistribuir a mensagem porque se identificam com ela. Isso faz com que a circulação da informação seja acelerada e ampliada. As pessoas compartilham sem ler, sem assistir os vídeos até o fim, sem refletir sobre o significado do material, sobre as possíveis intenções por trás dele. Encaminham especialmente porque recebem o conteúdo de pessoas que fazem parte do círculo de confiança ou porque o material valida alguma opinião pessoal.

(Texto produzido por Marina Fontolan e Dayane Machado)

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