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Amazônia

Saiu segunda-feira os novos dados de desmatamento da Amazônia e claro, óbvio e evidente que o desmatamento está aumentando, alguém tinha alguma dúvida que o resultado seria esse? Ai, eu fui ver como eles calculam essas áreas, qual o método, que tipo de imagens eles usam, como fazem e etc.

Quando li essa notícia não entendi o problema das nuvens. Foi por causa desse detalhe que eu fui procurar mais sobre o assunto. Como assim nuvens atrapalhando a imagem? Que raios de imagem eles usam que tem nuvens? Bom, eles usam uma imagem de satélite do tipo multiespectral (MODIS) e não sei se adianta eu explicar isso aqui, mas são várias imagens captadas por ondas de diferentes comprimentos que eles combinam para obter a melhor imagem para o objeto deles, que seriam as áreas desmatadas.

O objetivo do projeto Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) é monitorar áreas desflorestadas periodicamente, isto é, acompanhar a ação antrópica na floresta de modo qualitativo. Eu entendo que se é qualitativo por que eles indicam o número da área? Eles deveriam dizer apenas se está maior ou menor que o medido anteriormente, não? Já começa por ai que esse número que eles divulgam é, digamos, uma estimativa.

Conversando com uma pessoa mais entendida que eu do assunto ele me disse que o Deter é pra mostrar uma tendência e que o Projeto Prodes é o que vira número oficial e esse utiliza imagens de satélite com resoluções um pouco melhor (30m, o Deter é 250m) e esse é feito uma vez por ano enquanto o Deter mensalmente. Mas tanto no Deter como no Prodes o problema das nuvens continuam…

Ai, você pode me perguntar, mas existe tecnologia que não pega nuvens? SIM. Existe resolução melhor que 30m? Sim, existem imagens com resolução de 1m!!!!!

É mais caro? Sim, bem mais caro, mas não é pra proteger a Amazônia? A tão importante floresta que o mundo todo está de olho? Até entendo que a precisão que essas imagens mais caras podem trazer, podem não alterar tanto o número do desmatamento na floresta, mas não dá pra ficar colocando culpa nas nuvens por um número impreciso, uma vez que se tem tecnologia melhor pra isso. Nessa notícia diz que eles estão pesquisando novas tecnologias com sensores radar, mas nem mencionam quando isso vai funcionar de verdade.

Outra coisa, quando desmatam apenas as árvores mais baixas e deixam as mais altas isso não é levado em conta. Isso também poderia ser medido se fossem usadas imagens com uma resolução um pouco melhor e nem precisa ser as imagens de 1m de resolução, conversando com gente que trabalha com o assunto, eles acham que uma imagem com resolução de 15m seria o suficiente.

O que me irrita nessa história é o complexo de pobreza do Brasil, existe tecnologia precisa para calcularmos o desmatamento da Amazônia, mas não usamos provavelmente porque é mais caro. Ou será por que a política não deixa os dados serem precisos? É conveniente dizer que as nuvens “atrapalharam” a coleta dos dados e por isso eles não são tão precisos, não?

Aliás, nesse post do Nosso Futuro Comum, mostra dados sobre o desmatamento da Amazônia muito interessantes, como por exemplo já desmatamos aproximadamente o equivalente ao território da Espanha (504.782 km2) e do Reino Unido (244.820 km2) juntos!

Mas na realidade a medida do desmatamento da Amazônia é só um dos impasses a serem resolvidos nesse tema. Eu já falei que não gosto muito de dar opinião sobre a Amazônia por que não entendo muito e nem nunca estive lá, mas lendo o Eco Balaio descobri um documento super interessante de proposta de desenvolvimento da Amazônia. Desenvolvimento baseado em pesquisa científica e melhor exploração da própria floresta, não fazer como fizeram na Zona Franca de Manaus que foi um ato totalmente desvinculado com o povo de lá, a cultura e suas riquezas.

Aliás, tá aí uma promessa de Dia Mundial do Meio Ambiente que eu vou fazer: estudar mais sobre a Amazônia e tentar visitá-la num futuro próximo.

Cobertura via Twitter do Roda Viva

Pessoas, eu, a Paula e a Maira fomos convidadas a fazer a cobertura via Twitter do Roda Viva dessa semana.

O entrevistado será o Presidente da Funai, Márcio Meira.

Convido a todos a assistir o programa a partir das 22h40 na TV Cultura ou acompanhar via Twitter pela tag #rodaviva.

Gisele Bündchen lança blog “ecológico”

Sei que a nação de fãs da modelo vai querer me matar por esse post, mas vamos deixar claro que não é nada pessoal com a modelo, faria isso com qualquer celebridade que cometesse a mesma gafe.

É relevante o fato da Gisele lançar um blog dito ecológico? Claro, principalmente quando isso aparece como notícia de capa no portal UOL e imediatamente depois o post de entrada do blog tem algumas dezenas de comentários.

Qualquer pessoa que acessa Internet com alguma freqüência sabe da importância que tem ter um link na capa do UOL ou qualquer outro portal de relevância nesse país. Acho que qualquer blogueiro, jornalista e afins ficaria muito grato de ter uma chamada do seu post/ reportagem na capa desse site, isso se reverte em nada mais nada menos que milhares de visitas. Pra se ter uma idéia o preço de um banner nesses sites custam pelos menos uns 5 dígitos por dia.

Mas vamos falar da qualidade do blog, o lay-out é lindo a foto da modelo mais ainda e o conteúdo? Bem, vejamos… Pra começar quem escreve no blog? Isso é uma coisa realmente importante afinal ele leva o nome de uma pessoa, espera-se que seja ela quem escreva, não? Não nesse caso, nem sei quem são as pessoas que escrevem no blog, não sei qual a relevância pro meio ambiente que essas pessoas tem para escrever sobre o assunto, não estou dizendo que só especialistas podem escrever sobre o assunto, mas afinal esse é o blog de uma super celebridade ela tem dinheiro, fama e o que mais precisar para conseguir pessoas relevantes para falar sobre assunto, não? Minhas fontes disseram que as pessoas que escrevem no blog são fãs dela que não tem lá muito conhecimento sobre meio ambiente pra escrever sobre o assunto. De verdade, a assessoria dela fiz um servicinho bem meia-boca, quer gente falando de meio ambiente pra você? Quer qualidade no que está escrito? Siga o exemplo da Mapfre com o Ecoblogs. Não coloca gente pra apenas reproduzir notícias de outros sites no seu blog dito ecológico.

Bom, o fato dela preferir um blog pra tentar discutir ecologia do que falar da vida particular dela é mais digno? É válido por que ela está falando do assunto e isso já um grande passo? Uma vez que você vê milhares de blogs por ai de celebridades falando de suas vidas rodeadas de glamour, fama e futilidade? Tá, pode até ser, mas já que quer abordar o tema e ela não é nenhuma coitadinha, faça direito. Tem trocentas consultorias por ai que podem dar várias dicas de como fazer a coisa direito, garanto! Assessoria de imagem é uma coisa que não deve faltar pra ela.

E por fim o fato que ninguém esquece. Como uma pessoa que “vendeu” roupas feita de pele de animais pode querer discutir ecologia sem tocar nesse assunto? Ignorar o passado não quer dizer que ele não aconteceu ou que as pessoas não lembrem. Aliás, como ela nem toca no assunto isso pra mim quer dizer que ela ainda pode voltar a fazer isso e ai, como que fica? Meio ambiente é só separar seu lixo em casa, fazer trabalho voluntário e cuidar da floresta? Ops, será? Na floresta tem bichos, bichos tem peles e elas podem se tornar casacos… Hum, bem… Meio ambiente é separar o lixo em casa, fazer trabalho voluntário e plantar árvores. Pronto, faça a sua parte!

De verdade não é nada pessoal com a Gisele Bündchen, aliás, ela transformou o nome em marca, uma vez que o emprestou para um blog feito por outras pessoas. Fez isso sem se preocupar se o discurso tem alguma coisa a ver com a realidade, isso pra mim é um grande banho/ maquiagem verde. E espero que a sociedade seja crítica pra perceber isso nas empresas e nas pessoas também.

Novo produto Unilever

A Unilever promete benefícios ao meio ambiente com o lançamento do amaciante Comfort Concentrado, incluindo, segundo a empresa, redução de água, energia e plástico em sua composição e consumo.

Segundo a Unilever, há uma economia de 79% de água na fórmula do novo produto, o que equivale a 30,5 piscinas olímpicas ao ano. A embalagem é menor, gerando uma economia de 58% de plástico por ano, cerca de 1.600 toneladas.

No transporte, há uma redução de 52% em caixas de papelão, conseqüentemente, de desperdício de materiais; redução de 67% em pallets e 67% de caminhões a menos nas estradas, conseqüentemente, menos gastos com combustível e menor emissão de poluição no ar.

A companhia promete ainda preço aproximadamente 20% menor ao consumidor.

Fonte: CCSP

Mas vejam só isso, esse produto é um milagre!! Só tem vantagem!! Polui menos, economiza recursos e ainda vai ser mais barato! É, quando as empresas querem é só se esforçar, né? Mas mesmo assim esse produto é perfeito demais, só falta dizer que se você usá-lo vai ajudar a salvar a humanidade! hehe

Onde entregar seu óleo de cozinha? Lista Nacional.

Neste post ano passado eu tentei fazer rapidamente uma lista de locais para arrecadação de óleo de cozinha.

Eis que um ano depois o Instituto Akatu fez isso para Brasil todo!

Aqui o link para a lista.

O destino dos navios

Ai, por que eu me preocupo com coisas que acontecem do outro lado do planeta? Num lugar que eu muito provavelmente nunca irei, com pessoas nunca conhecerei? Eu gostaria de verdade de poder fazer alguma coisa além de publicá-las aqui no blog…

 

Por acaso achei esse link. Mostra o destino dos navios quando eles são “descartados”. Nunca tinha parado pra pensar o que acontecia com um navio quando ele é considerado inoperante. Sim, sabemos dos casos que naufragam, acho até que pensei que isso pudesse acontecer com todos (consegue imaginar o imenso lixão que se encontra nos fundos dos oceanos?), mas alguns vão para esse lugar que você vai ver nas fotos desse link. Ah, clique nos links que mostram as imagens no google maps, acho que torna mais real para os céticos.

Ai vendo essas fotos me lembrei de outros casos que recebi por mail ano passado, muito parecidos.

Nesta notícia (em inglês, e veja bem do NYT) clique no link multimídia e veja as fotos. Não tem o que dizer, é absurdo ver isso acontecer nos dias de hoje. Vendo essas fotos me senti voltando ao século XVIII.

E o último caso foi um ppt., chamado o milagre do custo baixo, que recebi por mail e não sei como faço para colocar aqui (alguém tem alguma sugestão?). É na China e mostra a linha de produção de velas de ignição numa fábrica de lá. Esse caso não é nada perto dos anteriores. Quem quiser posso enviar por mail enquanto não tenho uma saída melhor.

É, quando vejo esses casos eu me pergunto, sustentabilidade? Pra quem? Onde? A humanidade vai dar conta do recado de fazer isso ser banido do planeta? Dá pra ser otimista? Eu simplesmente não consigo, não acho que fazer só a minha parte é suficiente pra mudar alguma coisa.

Salve as Baleias!

Colabore para a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul.

Entre aqui e participe!

Temos uma blogagem coletiva sobre o assunto hoje, leia mais aqui, aqui e aqui.

Algumas variáveis

Se tem uma coisa que me impressiona em algumas pessoas é a relação de tamanho que elas tem com o planeta. Por exemplo elas realmente acreditam que a Terra é muito grande em relação a tudo e que ainda há recursos para todos e que eles são praticamente infinitos. Isso pra mim é o maior exemplo de egocentrismo que uma pessoa pode demonstrar, tudo bem que o ser humano é pequeno em relação ao planeta, sozinho ocupo um espaço ínfimo e gasto poucos recursos, mas já parou pra pensar que existem mais de 6 bilhões querendo ocupar o mesmo espaço e consumir os mesmos recursos que você? É, além de não saber lidar com a variável tempo muito bem, afinal vivemos 100 anos no máximo, ainda não sabemos lidar com números muito altos como os 6,5 bilhões que vivem nesse planeta.

Não podemos lidar com os dados isoladamente, a Terra pode ser grande sim se você pensar que ela existe só para você e as pessoas que você conhece, mas já parou para pensar que no mundo tem mais outras 6 bilhões de pessoas que você provavelmente nunca irá conhecer e que consomem recursos e espaços como você.

Percebo que as pessoas não tem problemas para entender só a variável tempo (por exemplo entender o conceito de gerações futuras) mas a variável espaço também é complicada. O homem pode ser minúsculo em relação as magnitudes da Terra e da natureza, mas multiplicado por 6,5 bilhões não é tão pequeno assim, vide todo o caos que já fomos capazes de fazer por aí e com que velocidade.

Aliás, velocidade é outra coisa que o homem não entende. Velocidade para o bicho homem (principalmente no dias de hoje) é MUITO, MUITO diferente do que é para a natureza.

Você já parou para pensar quanto tempo demora para você poluir um rio e quanto tempo você demora para recuperá-lo? Se é que a recuperação será 100%.

Ou ainda quanto tempo a natureza demorou para produzir 1 barril de petróleo e quanto tempo (vou ser boazinha) demora para o homem extrair, refiná-lo e queimar no motor do seu carro? Pois se você pensar em apenas queimá-lo o tempo é ridiculamente incomparável.

Temos ai algumas questões para pensarmos:
1)O bicho homem não é apenas 1 ou um pequeno grupo, somos 6,5 bilhões, a Terra pode ser grande, mas o número de pessoas não é nada pequeno;
2)O tempo não é apenas o tempo que vivemos, nosso DNA vai continuar por aí, seja por meio de filhos, netos, primos, sobrinhos e etc; e
3)A nossa velocidade e a velocidade da natureza estão bem diferentes. E veja bem se a gente quiser multiplicar essa variável a gente pode multiplicar por 6,5 bilhões.

As polêmicas fraldas descartáveis (?)

No Faça a sua Parte está uma discussão sobre o assunto fraldas descartáveis (aqui, aqui e aqui), diante de tanto burburinho eu não consigo parar de pensar que o problema tem que ser pensado um pouco antes.

Vamos a alguns fatos, as pessoas com menos condições financeiras e menos acesso a educação também usam fraldas descartáveis! Sempre tenho que fazer trabalho de campo nas favelas de SP e SEMPRE encontro fraldas descartáveis pelas ruas das favelas. E qual a população que mais tem filhos?

Acho que a pergunta que deve ser feita antes de decidir qual fralda você vai usar no seu filho é: Você, o mundo, o meio ambiente realmente precisa de mais uma pessoa?

Não sou a favor das fraldas descartáveis nem totalmente contra, acho que elas são úteis em algumas ocasiões e podem ser usadas, desde que com parcimônia, como tudo no mundo, só por que o carro polui vou negar os benefícios que ele nos traz?

Acho super válida a preocupação das pessoas de usarem ou não as fraldas descartáveis, mas a parcela da população que mais tem filhos não se questiona nenhuma vez quanto ao número de filhos ou se deve ou não usar fraldas descartáveis. E isso é o que realmente me preocupa.

A China está pensando na possibilidade de acabar com a lei do filho único, você já parou pra pensar na quantidade a mais de gente que vai nascer e provavelmente consumir não só mais fraldas descartáveis mas mais alimento, água, energia?

A discussão sobre as fraldas é muito valiosa mas vamos nos lembrar de pensar globalmente, as fraldas só são as primeiras pegadas que um ser humano deixa no planeta e todo o resto que vem depois? O planeta vai ser capaz de dar conta do recado, com a população crescendo todos os dias 200.000 pessoas, descontados os mortos? E será que a geração presente vai deixar alguma coisa para as próximas gerações?

Bom, não pretendo ter filhos, não quero transmitir a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Sim, parafraseando Memórias Póstumas de Brás Cubas, bem pessimista…

Minha vida era mais sustentável quando eu tinha a minha mãe

Esse post poderia ter sido escrito na blogagem coletiva do Dia das Mulheres, deveria ter sido publicado no dia das Mães, mas só pensei nesse assunto no dia das Mães quando estava dentro de um avião numa escala em Brasília.

Gostaria muito de tê-lo publicado no dia das mães, mas estava sem computador, sem Internet, essa perda de “timing” me fez pensar seriamente em comprar um smartphone. O máximo que consegui foram algumas anotações num caderninho.

Mas antes tarde e meio fora de contexto do que nunca, principalmente em se tratando da minha mãe.

Minha mãe teve uma relevância absolutamente gigante na minha vida pra me tornar a pessoa com consciência ecológica que sou hoje. Desde que me entendo por gente em casa separamos o lixo, imagina a novidade há uns 20 anos ao se falar em separar lixo. Tinha um hospital na minha cidade que juntava sucata das pessoas para poder arrecadar mais dinheiro, era um hospital fundado por um Frei, com objetivos filantrópicos. Acho que foi por conta dessa separação em casa que me perguntei pela primeira vez para onde ia o lixo e percebi que não deveria ser um lugar muito agradável uma vez que ninguém gostava muito de tê-lo por perto.

Essa talvez tenha sido a primeira lição de meio-ambiente, que eu me recordo, que tenho da minha mãe, mas depois dessa vieram tantas outras que provavelmente ela fazia sem se dar conta que era sustentável. Aliás enquanto ela viveu essa palavra nem era tão famosa como hoje. E olha que nem faz tanto tempo assim que ela se foi.

Uma fez, acho que logo depois do apagão e da economia de energia que todos no país se esforçaram a fazer (alguém se lembra no longínquo 2001?), perguntei pra ela por que o aparelho de som não estava na tomada e ela óbvio disse que era pra economizar energia, eu sem noção fui lá e coloquei-o na tomada pelo simples luxo de poder ligar o som com o controle remoto quando raramente usava-o e estava em casa. Foi só eu virar as costas pra ela ir lá e desligá-lo novamente.

Na mesma época do apagão meu pai resolveu trocar o aquecedor de água elétrico que nós tínhamos em casa por um a gás. Só que a água quente demorava muito pra chegar até o chuveiro e por isso perdíamos muita água, qual solução encontrada? Não foi só 1 mas 2 soluções: 1) todo mundo da casa passou a tomar banho no banheiro mais próximo do aquecedor e 2) baldes eram colocados estrategicamente embaixo do chuveiro até a água esquentar, essa espera rendia pelo menos meio balde de água a cada banho. Água essa que era usada para dar descarga ou lavar o banheiro.

Um dia em casa me surpreendi com uma sacola estranha na entrada da cozinha, perguntei de quem era e minha mãe respondeu: é a sacola que uso para ir no mercadinho quando preciso comprar alguma coisa, não pego mais aquelas sacolas plásticas… E essa resposta não me foi dada ano passado quando a moda das ecobags apareceram por ai.

A água da máquina de lavar nem preciso dizer que era totalmente aproveitada, tanto para lavar o quintal como para lavar os banheiros, isso sem contar que ela mesma enchia a máquina com baldes para deixar a máquina menos tempo ligada (ás vezes ela exagerava, eu sei).

Se até hoje uso em casa sabão feito de óleo de cozinha é por culpa dela, ela conseguiu encontrar uma pessoa que produzia esse sabão e trazia em casa e ela ainda fazia propaganda para todos os conhecidos.

Na cozinha então, nem se fala, fazia feira toda semana, só comprava ovos caipiras, só comíamos o molho de tomate feito por ela, bebíamos suco de laranja natural todos os dias e ainda sempre que podia comprava produtos locais e orgânicos de uma pequena feira de produtores que tinha no caminho de casa para a escola que trabalhava como voluntária.

Sem contar que ela não dirigia, só andava a pé, de ônibus ou de carona.

Fico pensando como ela reagiria a esse blábláblá todo pelo mundo, nos últimos tempos, de coisas que ela sempre fez sem precisar de campanhas publicitárias milionárias ou algum artista famoso pra dar o exemplo. Ela lia muito e dizia sempre que fazia isso ou aquilo por que leu em algum lugar.

Mãe, preciso ter acesso às suas leituras pois provavelmente lá deve ter a resposta para o próximo passo que deveremos dar para podermos continuar existindo nesse Planeta.