Por que um ortopedista deveria divulgar ciência?

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Fonte: www.fotolia.com

 

 

 

Quando falamos a palavra “ciência”, a imagem que imediatamente aparece na mente da maioria das pessoas é a de um daqueles personagens de filmes como De volta para o futuro, Frankenstein e O médico e o monstro, ou seja, um sujeito maluco, excêntrico, vestindo um jaleco branco, isolado da sociedade em algum laboratório secreto, fazendo experimentos perigosos e complicados.

Essa imagem tem sido muito divulgada pela mídia, principalmente em desenhos infantis e filmes em geral. Embora talvez isso pudesse ter alguma verdade em relação ao modo de fazer ciência há 300 anos, nada poderia ser mais distante da realidade atual.

Hoje, os pesquisadores (se quiser, pode chamá-los de cientistas, sinta-se à vontade!) nunca trabalham isoladamente. Existem grupos de pesquisa ligados a instituições públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos.

Esses grupos interagem em redes de pesquisa, que de secreto não tem nada. Isso porque a pesquisa que não é publicada não existe! Tudo bem, em algumas áreas há também competição entre os grupos, e os dados podem ser mantidos em segredo até que o resultado final seja alcançado. Mas isso também tende a desaparecer com a chegada da internet.

Mas, então, por que a mídia divulga tanto a imagem do “cientista louco”? Porque vende; dá audiência! As pessoas gostam de assistir a coisas bizarras. Veja o Google e o YouTube, por exemplo. Os campeões de acessos são sempre temas fora do normal, e acessos no mundo da internet, ou audiência na TV, significam dinheiro.

E o que é ciência? Bom, se você é um adepto da epistemologia (ramo da filosofia que pensa sobre a lógica da pesquisa científica), sinta-se à vontade para discordar. Mas a explicação mais simples para o público leigo talvez seja que a ciência é uma forma de conhecimento sistemático. Whaaat??? Como afirmam Gervais Mbarga e Jean-Marc Fleury:

“Aqui, sistemático significa aprofundar, pesar, medir, cronometrar, argumentar, racionalizar e construir logicamente, rejeitando o subjetivismo, deixando de lado as preferências pessoais e mantendo o sujeito fora de questão”.1

A ideia de divulgar ciência tem a finalidade, então, de desmistificar esse campo da atuação humana, levar para perto das pessoas não só os resultados e as novidades obtidas com o trabalho dos pesquisadores, mas principalmente mostrar para as pessoas o verdadeiro processo envolvido na geração científica. Para quê?

Para que as pessoas possam distinguir de fato o que é ciência e o que é marketing disfarçado de ciência. Particularmente, na medicina, existe um movimento amplo para medicalizar os problemas sociais e políticos, através de soluções vendáveis, especialmente sob a forma de pílulas.

Concluindo, precisamos dar voz aos pesquisadores. Precisa haver um canal direto de comunicação entre as pessoas e quem produz esse tipo de conhecimento. A revolução da internet possibilita isso.

E a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) percebeu essa necessidade social e saiu na frente, sendo a primeira universidade brasileira a criar uma rede de blogs para divulgação científica, escrita por quem faz ciência profissionalmente todos os dias. Eu acho que é uma iniciativa maravilhosa, e que deve inspirar muitas outras instituições a começarem iniciativas semelhantes.

O mais legal é que você pode apoiar essa causa, divulgando, nas suas redes sociais, este blog e os outros da rede, através dos links abaixo. Você doa uma pequena parte do seu tempo curtindo e compartilhando nosso conteúdo, e em troca recebe informações interessantes e úteis para o seu dia a dia. Informações não de cientistas loucos, mas de pessoas como você, que trabalham com a produção de inovações para os problemas atuais da sociedade!

Para saber mais:

  1. http://www.wfsj.org/course/pt/pdf/mod_5.pdf

Links úteis:

https://www.blogs.unicamp.br/pt_BR

http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/.br

Alessandro Zorzi

Médico ortopedista e pesquisador na UNICAMP e no Hospital Albert Einstein, com mestrado e doutorado em ciências da cirurgia pela UNICAMP e especialização em pesquisa clínica pela Harvard Medical School.

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