Implante Autólogo de Condrócitos

Lesões da CARTILAGEM articular podem causar dor, inchaço, dificuldade para andar e algumas vezes podem até progredir para a destruição da articulação, um quadro chamado ARTROSE, que é a principal causa de dor crônica em adultos. Os JOELHOS são as articulações mais acometidas. Por isso, novos tratamentos tem sido estudados, não só para tratar os sintomas, mas principalmente para regenerar a cartilagem antes que tudo isso aconteça.

Um tratamento muito popular na Europa e na América do Norte é o IMPLANTE AUTÓLOGO DE CONDRÓCITOS. Dizem que uma imagem vale por mil palavras, então um vídeo deve valer por mais de 1 milhão. Por isso, resolvi compartilhar aqui um video muito didático e bem feito, que mostra bem como é feito o procedimento. O vídeo está narrado em inglês:

Em resumo:

  • uma artroscopia, cirurgia feita com vídeo (sem grandes cortes) é necessária para confirmar o tamanho da lesão e colher uma biópsia, que não fará falta no joelho;
  • a biópsia é enviada para um laboratório com certificação de BMF (Boas Práticas de Fabricação) da ANVISA;
  • Os condrócitos, células que fabricam a cartilagem, são removidos da cartilagem e isolados em cultura;
  • Utilizando sangue do próprio paciente, retirado na primeira cirurgia, os condrócitos são estimulados a proliferar. Isso é chamado “expansão”;
  • Após 2 a 3 semanas, os condrócitos, agora em grande número, são colocados em uma membrana de colágeno, porosa. Esta membrana cheia de células é enviada para a sala de cirurgia;
  • O paciente via então para uma segunda cirurgia, onde a membrana cheia de células é colocada sobre a lesão da cartilagem;
  • Após a cirurgia, existe a necessidade de muito cuidado e muita fisioterapia, para estimular as células a fabricarem uma cartilagem nova.
  • Além do joelho, esta cirurgia pode ser feita também no tornozelo e no quadril.

Obviamente, esta cirurgia não é feita em qualquer caso. Quem é o paciente que deve ser submetido ao IMPLANTE AUTÓLOGO DE CONDRÓCITOS?

  • Jovens, idealmente com menos de 50 anos;
  • Lesão isolada da cartilagem, ainda sem artrose;
  • Com lesões associadas que também possam ser corrigidas cirurgicamente, tais como menisco, ligamentos e desalinhamentos (joelho algo ou joelho varo);
  • Falha do tratamento convencional não cirúrgico, baseado em fortalecimento muscular e perda de peso;
  • Lesão maior que 2 cm de diâmetro, por que para as menores existem outras alternativas cirúrgicas mais simples e com bom resultado.

No Brasil, o Implante Autólogo de Condrócitos ainda não é feito rotineiramente, principalmente por falta de regulação. A Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) promete para os próximos meses lançar uma portaria para regulamentar o uso de terapias celulares no Brasil. Até lá, o IMPLANTE AUTÓLOGO DE CONDRÓCITOS é feito como protocolo de pesquisa, com devida autorização e fiscalização de um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) filiado à CONEP. Neste caso, os pacientes NÃO PODEM SER COBRADOS, A CIRURGIA PRECISA SER FEITA SEM ÔNUS PARA O PARTICIPANTE DA PESQUISA, como orienta a lei. Se você for cobrado para participar de uma “pesquisa”,  desconfie e denuncie. É picaretagem e provavelmente estão te vendendo “gato por lebre”.

 

 

 

Alessandro Zorzi

Médico ortopedista e pesquisador na UNICAMP e no Hospital Albert Einstein, com mestrado e doutorado em ciências da cirurgia pela UNICAMP e especialização em pesquisa clínica pela Harvard Medical School.

21 thoughts on “Implante Autólogo de Condrócitos

  • 28 de agosto de 2017 em 16:52
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    Amei a matéria, gostaria de saber como fazer para participar da pesquisa.
    Tenho problemas no joelho por causa de um acidente, gostaria muito de participar dessa pesquisa.

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    • 1 de setembro de 2017 em 14:09
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      Bom Marisa, a pesquisa ainda está aguardando aprovação da CONEP, que é o órgão federal em Brasília, responsável por avaliar a segurança de todas as pesquisas feitas com Terapia Celular, mesmo as que não envolvem células-tronco. Quando o estudo for aprovado, será feita uma divulgação nos meios de comunicação. Toda pesquisa tem critérios muito específicos para quem pode e quem não pode participar. Então, os candidatos que se interessarem serão entrevistados e avaliados para entender os riscos envolvidos e para ver se tem todos os critérios necessários para serem incluídos. Muitas pessoas tem feito perguntas aqui no blog sobre como participar de uma pesquisa destas. Pretendo escrever em breve uma matéria com mais data;hes sobre como participar de uma pesquisa clínica. Fique ligada no blog. Cadastre seu e-mail na página para receber avisos toda vez que uma nova matéria for escrita.

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  • 25 de novembro de 2017 em 12:13
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    Bom dia Dr Alessandro, gostei muito do seu blog, pelo que pude ler e pelos exames do meu joelho acredito que eu seria um provável paciente, tenho condromalácia patelar… vi que ainda está pendente de aprovação para pesquisa, vou ficar atento às novidades sobre o assunto. Moro em Curitiba, se tiver algum colega seu daqui que trabalhe com inovações por favor me indique, muito obrigado.

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    • 25 de novembro de 2017 em 20:30
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      Oi Adriano, em Curitiba existe um grupo de pesquisa muito importante, liderado pelo Prof Brofman da PUC. Eles já estão até mais adiantados, pois já concluíram um estudo fase 1 para testar segurança da injeção de células tronco no joelho. Agora estão fazendo um estudo fase 2 para avaliar a eficácia. Para você ter uma ideia, depois serão necessários mais um ou dois estudos (fase 3) para que a terapia possa ser autorizada para uso clínico regular. Abraço!

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      • 26 de novembro de 2017 em 11:09
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        Muito obrigado Dr Alessandro, vou procurar pelo Dr Brofman. Desejo um ótimo domingo e sucesso nas pesquisas!!!! Abraço

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  • 6 de março de 2018 em 12:13
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    Dr. Esse implante tem bons resultados fora do Brasil? Vi que criaram novas plataformas para colocar os condrócitos. Pergunto pois eh um ttratamento bem caro. Grato.

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    • 12 de março de 2018 em 10:25
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      Olá Rafael, sim. Os resultados são superiores ao das microfraturas, mas somente nas lesões grandes, maiores do que 2 cm. Isto foi demostrado em um estudo multinacional feito na Europa, chamado SUMMIT. Os resultados foram publicados em 2014 e serviu de base para o FDA, a ANVISA dos Estados Unidos, aprovar o tratamento. Eles são bastante rigorosos. No Brasil, estamos esperando a aprovação para breve. A USP e o Albert Einstein já fazem esta cirurgia em São Paulo, mas ainda como pesquisa clínica. Estes estudos servirão para a ANVISA decidir se libera o tratamento no Brasil.

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  • 28 de março de 2018 em 15:01
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    Dr Zorzi moro no RJ, tem algum profissional para indicar que use essa terapia de transplante de células para regenerar cartilagem?

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    • 22 de abril de 2018 em 22:19
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      Oi Rosangela, por enquanto só a USP e o Hospital Albert Einstein estão fazendo estudos clínicos com esta técnica. Se os estudos tiverem bom resultado, a ANVISA poderá liberar em breve seu uso em outros hospitais.

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  • 24 de abril de 2018 em 11:41
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    Dr Zorzi, só posso agradecer esse seu interesse e torcer pra que sua pesquisa avance o mais rápido possível! Parabéns pela iniciativa! Tenho artrose nos dois joelhos, com rotura de menisco medial e lateral no direito. Quero acompanhar os resultados para evitar o caminho da prótese.

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    • 2 de maio de 2018 em 07:30
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      Obrigado Isabella.

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  • 14 de maio de 2018 em 09:18
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    Bom dia Dr. Alessandro Zorzi, sofro com dores nos joelhos desde os 15 anos, e hoje aos 27 tenho lesão de cartilagem nos dois joelhos em graus avançados (pelo último exame que fiz – grau 3 numa escala que vai até 4). Os tratamentos convencionais não estão surtindo efeito… minha rotina está totalmente comprometida. Gostaria muito de saber como faço para participar de um tratamento como o explicado nesse post! Há um tempo enviei um email para o senhor explicando meu caso, mas não tive resposta! O senhor pode me orientar ou sabe como pode proceder quanto a isso?! Obrigada!

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    • 5 de junho de 2018 em 07:01
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      Olá Fabiana, não recebi seu e-mail. Chequei de novo agora e não veio. Acredite, o seu caso tem solução. Não desanime. O implante autólogo de condrócitos atualmente é feito em apenas dois hospitais, o HC da USP em São Paulo e o Hospital Albert Einstein, também em São Paulo. São estudos clínicos com aprovação do Comitê de Ética. Se estes estudos derem certo, acredito que em 2 anos o tratamento poderá ser oferecido na rede pública caso obtenha aprovação do Conselho Federal de Medicina. Como já é uma terapia consagrada na América do Norte e Europa, acho que não tem muito sentido não permitir que seja feito no Brasil. Respondendo a sua pergunta, para participar dos estudos você deve procurar um destes hospitais e passar por uma avaliação para ver se o seu caso específico se enquadra nos critérios de inclusão dos estudos. abraço.

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      • 5 de junho de 2018 em 16:45
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        Olá Alessandro, muito obrigada pela resposta! Deve ter ocorrido algum problema com o email, mas que bom que conseguimos falar por aqui! Estou fazendo agora um tratamento com ácido hialurônico como mais uma tentativa de melhorar a dor. Não vou desanimar! Espero que esse tratamento seja aprovado no Brasil, porque com certeza precisarei dele daqui um tempo!
        Obrigada novamente e parabéns pelo trabalho!

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  • 3 de agosto de 2018 em 16:57
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    Olá, boa tarde Dr. Zorzi!
    Fiz uma cirurgia para reconstrução do lca e menisco dia 16/07/18. Não fiz a fisio analgésica, mas fazendo 3 a 4 ao dia em sessões de 20 min. Comecei a fisioterapia de movimentos dia 30/07. Hoje dia 03/08 consigo flexionar e esticar mais o joelho, mas ainda sinto uma instabilidade para caminhar. Tenho andado mancando um pouco e joelho ainda permanece inchado. É normal sentir essa instabilidade? E o que o senhor avalia sobre esse meu desenvolvimento até então?
    Desde já, agradeço a atenção.

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    • 4 de agosto de 2018 em 17:01
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      Oi Felype, de fato, 18 dias é pouco tempo. Precisa pegar firme na fisioterapia para desinchar. Existe um mecanismo elétrico natural que liga o joelho com a medula espinhal e desliga o funcionamento do quadríceps. É como se “caísse o disjuntor”. Enquanto estiver inchado, não consegue fortalecer. Enquanto não fortalecer, sente instabilidade. É bom avisar seu médico e passar pelo exame clínico. A manobra de Lachman pode ser realizada pelo médico para sentir a “folga” no ligamento. Abraço!

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      • 16 de fevereiro de 2021 em 14:46
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        Meu sobrinho tem 15 anos e doi diagnóstico com COXARTROSE e IMPACTO ACETABULAR, o ortopedista falou que ele tem.ossos de uma pessos de 60/70 anod! Ele esta sofrendo com dores horríveis, o ortopedista disse tb que ele não pode ser operado , ou seja colocar Protese de quadril devido a idade dele. Mesmo pq as próteses tem validade de 10 anos , imagina com a idade que tem, qtas cirurgias ele não passará por causa da Patologia! Estamos desesperados pq ele vide de anti-inflamatórios e mesmo assim não é o bastante. Eu tenho lido sobre terapias e implante de células até mesmo tronco para o caso dele. Com os pais desempregados não tem como fazer tratamentos tão caros. Outro dia achamos ele dentro do templo da Igreja chorando de dor. Meu Deus Dr. Alessandro não tem como ajudar ele a fazer esse tratamento dessa Membrana? É apenas um garoto de 15 anos e tem uma vida pela frente. Por favor nos ajude para que ele tenha qualidade de vida, Isaac e6 bom garoto e tem sonhos, mas a vida dele no momento está sendo interrompida por causa da patologia. Nos ajude! Isac precisa desse tratamento.

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        • 22 de fevereiro de 2021 em 15:15
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          Olá Sara, que problemão! 15 anos é muito jovem mesmo. Preciso mais detalhes para saber o que ele tem e em que grau está. Tem várias possibilidades para ajudá-lo.

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      • 13 de março de 2019 em 16:27
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        Marcos, no momento só na cidade de São Paulo. O Hospital das Clínicas e o Hospital Albert Einstein são os únicos do país que realizam esta cirurgia por enquanto. O problema é que você tem que fazer a fisioterapia toda no hospital. São 3 meses de recuperação. Se voc6e mora em São Paulo, próximo a esses hospitais, tudo bem. Se não vai ficar difícil.

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