http://www.google.com/patents/US4821017

Ter o carro roubado é uma das piores experiências que um motorista pode ter. Ao longo do século passado, diversos sistemas (inclusive mecânicos) foram inventados e patenteados para evitar essa dor de cabeça. Mas nenhum é tão drástico quanto o Protective system for protecting against assaults and/or intrusions [Sistema protetivo para proteção contra assaltos e/ou intrusões] proposto por Yair Tanami:

Um sistema protetivo para proteção [sic] do motorista de um veículo motorizado contra um assalto ou ameaça de violência por um passageiro, que compreende: um eletrodo de descarga disposto no assento do veículo a ser ocupado por tal passageiro e exposto para contato pelo passageiro quando sentado no assento; um gerador de alta voltagem conectado ao eletrodo de descarga; e um seletor elétrico ativado pelo motorista para energizar o eletrodo. O sistema protetivo ainda inclui um arranjo para também proteger o veículo contra a intrusão e um seletor para selecionar entre um modo de proteção anti-assalto ou um modo de detecção de intrusão.

Cadeiras elétricas no lugar dos assentos! Apesar da radicalidade da ideia, Yair Tanami, natural de Gedera (Israel), conseguiu uma patente, resgistrada nos EUA sob nº. 4.821.017 [pdf] em 11 de abril de 1989. Segundo a patente, “em anos recentes tem havido muitos casos de motoristas, particularmente taxistas, ameaçados com violência por um passageiro do veículo. Até o presente momento não havia resposta satisfatória para tal ameaça de violência.” Seria o inventor um taxista?

Embora fale em alta voltagem, Tanami afirma que “o choque recebido pelo passageiro ameaçador é suficiente para imobilizá-lo e fazê-lo largar sua arma, caso ele esteja usando uma.” Mas se o ladrão estiver armado, o susto do choque não poderia fazê-lo disparar a arma?

Mas e quanto à voltagem? Isso só aparece quase no fim da patatente, em meio às especificações técnicas: “pulsos de altas voltagens, com pico de até 60.000 volts, foram produzidos e considerados suficientes para imobilizar temporariamente a pessoa ameaçadora sem lesioná-la permanentemente.” Apenas para fins de comparação, algumas armas de eletrochoque (tasers) têm descargas de apenas 400 volts e mesmo assim não são seguras.

Se a questão ética não te comove, pense numa questão técnica: é possível produzir 60.000 V em um carro com um sistema de 12 V? Se sim, os transformadores envolvidos não seriam um peso extra, prejudicando o desempenho e consumo do veículo?

Enquanto o sistema anti-assalto é acionado pelo próprio motorista através de um botão de pânico, o sistema anti-furto funciona com sensores instalados sob os bancos. Nesse caso, o choque é aplicado 45 segundos depois que o veículo for invadido, junto com um alarme sonoro.

Em tese, o delay do choque existe para que o motorista tenha tempo de desligar o sistema anti-furto ao entrar no veículo e não ser eletrocutado. Mas isso significa que se o ladrão for esperto o suficiente, também pode desligar o sistema e fugir ileso. Igualmente, nada impede que um carro com esse acessório seja usado por criminosos. Um sequestrador disfarçado de taxista poderia capturar facilmente uma vitima imobilizando-a pelo choque. Seria literalmente um sequestro-relâmpago!


0 comentário

nilsonrdg · 12 de agosto de 2012 às 17:27

Vi na TV uma vez este sistema: http://www.youtube.com/watch?v=Yb-_JiYMNlA

Diziam que era patenteado e podia ser utilizado legalmente.

Bruno · 13 de agosto de 2012 às 10:19

Agora eu sei de onde veio a propaganda do sistema anti-furto do Robocop 2, hehehehehe.

Bruno · 13 de agosto de 2012 às 10:25

Pra quem não lembra da cena que citei do Robocop 2: http://www.youtube.com/watch?v=fARuCLhUyi0

    Renato Pincelli · 13 de agosto de 2012 às 16:39

    Verdade! Como eu não fui me lembrar dessa cena! Aliás, “Magnovolt” seria um bom nome comercial…

luis gonzaga gomes · 13 de agosto de 2012 às 14:53

Esse sistema não é mais radical do que o inventado na Africa do Sul a alguns anos: No caso de alguma ameaça pela lateral do carro, como é mais comum, um dispositivo pode ser acionado para ativar um lança-chamas para torrar o meliante.

    Renato Pincelli · 13 de agosto de 2012 às 16:41

    É o que o Nilson já comentou acima. No entanto, o uso de um lança-chamas também não deixa de ser potencialmente patético, pois também pode fritar acidentalmente o próprio dono do carro…

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