Gerenciador de Programas/

Esta será a nova coluna de recomendações do hypercubic, com dicas de canais do YouTube, achados nas plataformas de streaming, programas e truques de informática, tesouros dos arquivos digitais e qualquer coisa que me dê na telha.

/Leituras

Apontamentos de História Sobrenatural [Mario Quintana | Objetiva | 2012 | epub] – Para quem busca uma leitura leve, capaz de deixar o coração quentinho, nada melhor que a obra de Mario Quintana. Nestes Apontamentos de História Sobrenatural, Quintana nos leva em um passeio por diversos gêneros. Das formas mais tradicionais, como os sonetos e as elegias, às mais modernosas, como a prosa poética e suas frases aforísticas, o gaúcho de Alegrete brinca com tudo.

Seu “Autorretrato”, conclui num soneto, é “Um desenho de criança… / Corrigido por um louco!”. Ao olhar para as próprias mãos, numa composição de versos livres, ele se espanta em ver “Os dedos como pétalas carnívoras!”. Do estranhamento diante da idade, ele salta para as fantasias de qualquer jovem: quem disse que poeta não faz fanfic? Para Greta Garbo, de quem Quintana era fã, bastam apenas dois versos: “O teu sorriso é imemorial como as Pirâmides / e puro como a flor que abriu na manhã de hoje...”. Na “Cronologia”, nos mostra como rola um crepúsculo: “Roda a roda do sol ladeira abaixo”. Num dos “Apontamentos para uma elegia”, Quintana agradece a folha em branco que assusta tantos escritores: “E obrigado, papel, por tua palidez de espanto.” Já num “Trecho de diário”, o poeta confessa ter amanhecido pensando “Numa determinada pedra em certa rua de Calcutá.” Mas talvez seja melhor parar por aqui, temos outros poetas e outras pedras a seguir.

Antologia Poética [Carlos Drummond de Andrade | Companhia das Letras | epub] – Se Quintana pode pensar numa pedra aleatória de Calcutá é porque Drummond abriu essa possibilidade ao topar com sua antológica pedra no meio do caminho. Os versos sobre a pedra são antológicos de acordo com o próprio Drummond, que os inclui nesta Antologia Poética. Organizada pelo próprio autor, esta coletânea foi lançada em 1962, momento em que Drummond completava 60 anos de vida e 30 de literatura. Na nota que acompanha a primeira edição, o livro está exemplarmente resumido: “O texto foi distribuído em nove seções, cada uma contendo material extraído de diferentes obras, e disposto segundo uma ordem interna. O leitor encontrará assim, como pontos de partida ou matéria de poesia: 1) O indivíduo; 2) A terra natal; 3) A família; 4) Amigos; 5) O choque social; 6) O conhecimento amoroso; 7) A própria poesia; 8) Exercícios lúdicos; 9) Uma visão, ou tentativa de, da existência.”

Como exemplos de cada temática podemos enumerar, de acordo com a mesma ordem: 1) “José”; 2) “Cidadezinha qualquer”; 3) “Retrato de família”; 4) “Mário de Andrade desce aos infernos”; 5) “Sentimento do Mundo”; 6) “Quadrilha”; 7) “Procura da poesia”; 8) “Caso pluvioso” e 9) “A máquina do mundo”. Drummond, como se nota, é um escritor organizado.


/YouTube

bigclivedotcom – Com nome que remete aos primórdios da internet (e ao respectivo site), este canal é mantido por um eletricista grandalhão da Ilha da Man, entre a Escócia e a Irlanda. Conhecido como Big Clive, ele raramente aparece diante das câmeras. Mesmo assim, seu visual é inconfundível: calvo, de óculos e com uma vistosa barbicha já meio grisalha, ele parece um misto de mago e roqueiro old school.

Em cada um de seus frequentes vídeos, quase sempre diários, o gigante escocês usa suas mãos volumosas e suas ferramentas bagunçadas para desmontar e analisar equipamentos elétricos de qualidade duvidosa. São aparelhos, geralmente made in China, encomendados pelo eBay, e de utilidade muitas vezes questionável: um economizador de combustível, uma mini-motosserra, um mata-mosquitos e LEDs, LEDs de todos os tipos, com os respectivos carregadores.

Clive faz em sua bancada um desmonte lento e minucioso (mas nem sempre consegue evitar o uso de forças destrutivas). De vem em quando, ele encontra dificuldades e quando precisa interromper as gravações por motivos técnicos diz seu bordão educado: “one moment, please [um momento, por favor]”. Uma vez desmontada, a geringonça elétrica ou eletrônica é analisada com altas doses de detalhismo e sarcasmo (e às vezes com algum doce ou uma bebida). Tudo é devidamente documentado com os schematics, os esquemas que ele desenha para fins didáticos.

Apesar de, em muitos momentos, parecer fazer as coisas de maneira arriscada, Clive leva a segurança a sério e já publicou diversos vídeos com alertas de segurança sobre o uso inadequado e perigoso de componentes como transformadores de alta tensão de microondas e orientações para evitar choques elétricos. Seu vídeo mais visto é um guia didático sobre os componentes eletrônicos.

Como profissional, ele tem experiência em equipamentos dos ramos do entretenimento e da indústria. Por isso, ele pode nos apresentar dispositivos especializados, que passam longe do consumidor doméstico, como conectores industriais, um controlador eletromecânico de elevador antigo e o mecanismo por baixo de uma roleta, sempre desmontando e explicando o funcionamento desses produtos. Mestre da engenharia reversa, ele explica o caminho percorrido pela eletricidade no interior de qualquer aparelho, apontando pontos fracos e falhas do projeto capazes de colocar o usuário em risco.

Bom contador de histórias, de fala mansa, mas sem abrir mão de um palavrão ocasional, Big Clive parece ser a encarnação do tiozão eletrotécnico que todo nerd gostaria de ter. Seus vídeos são a um só tempo instrutivos e relaxantes (quase um ASMR não-intencional) – e por isso me ajudaram não só a suportar meu período depressivo no início do ano, mas também me despertaram o interesse pelo funcionamento de aparelhos elétricos e circuitos eletrônicos.


/Documentários

O Terremoto do Everest [Aftershock: Everest and the Nepal Earthquake | Netflix | Reino Unido | 3 episódios | 2022] – Nos últimos anos, celulares e câmeras fotográficas de boa qualidade tornaram-se presentes até nos lugares mais remotos do mundo. Esta minissérie documental britânica, dirigida por Olly Lambert, tira proveito dessa onipresença dos bons equipamentos nas mãos de fotógrafos e turistas para retratar o maior desastre natural do Nepal: o grande terremoto de 2015.

Em 25 de Abril daquele ano, o pequeno país do Himalaia foi chacoalhado por tremores de 7,8 graus Ritcher, os mais violentos em 80 anos. Era o início da temporada de turismo e o país estava cheio de estrangeiros atrás de aventura no Everest – a maior montanha do mundo – ou de tranquilidade, como os visitantes do Vale de Langtang, um dos mais isolados do país. A capital, Katmandu, fervilhava.

Nos três episódios, que variam de 38 a 58 minutos, acompanhamos o antes, o durante e o depois do abalo sísmico que deixou mais de 9 mil mortos no Nepal: no Everest, alpinistas novatos e veteranos escapam por pouco do soterramento do acampamento-base, que sumiu do mapa; em Langtang um grupo de turistas israelenses passa de heróis a vilões em meio à morte quase completa de um vilarejo tradicional, ao caos logístico e à crescente desconfiança entre nepaleses e estrangeiros enquanto em Katmandu o proprietário de um pequeno hotel vive a angústia de reencontrar sua família e seus funcionários no edifício desabado.

Mesmo com a versão dublada, é recomendável assistir com legendas: a Netflix parece ter dormido na adaptação do áudio e só fez a dublagem dos trechos em inglês, como se as falas dos personagens nepaleses fossem intraduzíveis e/ou desimportantes. Trailer aqui (em inglês)

Operação Naufrágios [Ocean Wreck Investigation | Disney+ | EUA | 10 ep. | 2021] A menos que haja um memorial, o local de um acidente aéreo pode passar despercebido. Com acidentes marítimos, acontece o oposto: o local de um naufrágio vira um misto de ruína, monumento e cemitério submarino pelo simples fato de que (normalmente) é impossível retirar e desmantelar um navio do fundo do mar. Mesmo a localização de um naufrágio pode ser complicada, graças às imensidões do espaço e do tempo em alto mar.

Essa série da National Geographic mostra exatamente como é difícil localizar uma embarcação acidentada e explicar o que aconteceu depois de décadas ou até séculos. Para isso é necessária uma equipe multidisciplinar, com mergulhadores, operadores de submarino, cartógrafos, arqueólogos e historiadores. Sem caixas-pretas, resta apenas a evidência física do próprio naufrágio para explicar as causas do desastre, além de eventuais testemunhos e relatos por escrito deixados por observadores ou sobreviventes.

Embora existam milhões de naufrágios nos mares do mundo, a maioria dos desastres deste documentário tem relação com a II Guerra Mundial, mas também há destroços da I Guerra Mundial e até da colossal Armada Espanhola que tentou invadir a Inglaterra no fim do século XVI. Independente da época, a reconstrução dos momentos finais de navios é facilitada por novas tecnologias como a fotogrametria submarina e o sonar de alta resolução. Esta série documental reúne todos esses elementos – técnicas, dramas e mistérios – para resgatar as memórias de milhares de pessoas que perderam a vida nos mares durante os últimos séculos. 


/Apps e Programas

FontBase — Cansado de ficar procurando fontes grátis para download em sites de segurança duvidosa? O FontBase oferece uma alternativa mais rápida, prática e segura. Este aplicativo para Windows permite ativar ou desativar suas fontes preferidas com poucos cliques, sem necessidade de instalar os arquivos. Isso é possível graças à integração entre este app e o Google Fonts, repositório on-line e gratuito oferecido pelo gigante das buscas. No programa, é possível navegar pelo catálogo, escolher suas preferidas e ativá-las. Também é possível ativar todas as fontes disponíveis. O programa funciona sob demanda, manualmente, ou pode ser configurado para ser iniciado com o sistema, automaticamente.

Bing Wallpaper e City Art Search — Nos celulares, existem aplicativos que trocam o papel de parede e a imagem da tela de bloqueio com frequência periódica. Estes dois programas da Microsoft realizam a mesma tarefa em PCs. O Bing Wallpaper é um pequeno aplicativo que baixa novas imagens diariamente para usá-las como papel de parede. Os temas variam, mas geralmente as fotos são retratos da vida selvagem, paisagens deslumbrantes ou imagens temáticas (como sobre o Halloween, por exemplo).

Já o City Art Search, também da Microsoft, cumpre um papel duplo. Sua janela principal funciona como um motor de busca para obras de arte em museus ao redor do mundo. Se você quiser saber, por exemplo, onde fica determinado quadro de Van Gogh, basta fazer uma pesquisa. Quer ver quadros de um movimento artístico ou período específico? Também é possível. Além disso, é possível configurar o programa para mostrar obras de arte aleatórias e suas informações na tela de bloqueio do computador. Nesse caso, o City Art Search é mais flexível que seu irmão: é possível determinar a escolha de imagens de modo aleatório ou a partir de uma lista de favoritos, em intervalos que vão de 15 minutos a 24 horas. Também é possível aplicar alguns filtros, evitando a exibição de obras com cenas de nudez, violência ou temática religiosa.


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