Um Anúncio Obscuro

Há quem reclame que os anúncios publicitários impressos de hoje são pobres em texto, supérfluos e muito dependentes da imagem. Os argumentos deram lugares a trocadilhos. Mesmo os anúncios classificados têm, por motivos diversos, um texto pobre. O amante de textos de publicidade deve, porém, lembrar-se que textos longos nem Leia mais…

Spotted: século XVIII

Ei, George, acho que esse anúncio é pra você! Ouça... [gravura de PUNCH, OR THE LONDON CHARIVARI. Vol. 156. May 7, 1919., via gutenberg.org]

Ei, George, acho que esse anúncio é pra você! Ouça… [gravura de PUNCH, OR THE LONDON CHARIVARI. Vol. 156. May 7, 1919., via gutenberg.org]

Esse negócio de publicar anúncios sob anonimato em busca de amores à primeira vista é mais velho do que se pensa. Talvez tão antigo quanto a imprensa, o ato de descrever alguém e fazer-lhe uma proposta (com ou sem segundas intenções) acontecia nos murais de redes sociais de 1700 e pouco: as páginas dos classificados.

Os seguintes exemplos são apresentados por Henry Sampson em A History of Advertising from the Earliest Times, Illlustrated by Anecdotes, Curious Specimens and Biographical Notes [Uma História dos Anúncios desde os Tempos mais Antigos, Ilustrada por Anedotas, Espécimes Curiosos e Notas Biográficas] (1874). O primeiro encontra-se no General Advertiser de outubro de 1748: (mais…)

Patentes Patéticas (nº. 111)

bloco de notas

Você é uma dona-de-casa que vai para o mercado fazer suas compras mas não se sente segura no caminho? Você é uma moça que quer se vestir como bem entender, mas sabe que precisa se defender de alguns canalhas? Você é um jornalista que, cada vez mais, precisa se defender para fazer seu trabalho mas não quer apelar para uma arma de fogo? Não importa qual o seu caso: você só precisa ter um simples bloquinho de anotações à mão. Ao menos é o que diz Yoshiro Nakamats, inventor da Self defense weapon with memo [Arma de autodefesa com memorando]: (mais…)

Galãs de rapina

Tenho considerado profundamente o projeto desses nossos Dédalos modernos e estou a desencorajá-los e a impedir que qualquer pessoa voe em minha época. [O voo] encheria o mundo com incontáveis imoralidades, e daria ocasiões a intrigas, já que é difícil para as pessoas se encontrar com alguém quando não tem Leia mais…

“Revista de Megapodologia”

Quer ganhar dinheiro e ainda ter seus artigos acadêmicos sempre aceitos? Porque não cria seu próprio periódico científico? Parece piada universitária, mas não é. Foi exatamente isso que a veterinária norte-americana Melba Ketchum fez. Ketchum considera-se uma especialista no Pé Grande (ou Sasquatch), o folclórico grande símio da costa oeste Leia mais…

Quatro volumes e um destino

Quatro volumes de um velho livro de Direito no fundo de um barril cheio de lixo. Parece desprezível, mas isso pode mudar o destino de uma pessoa e, através dessa pessoa, o rumo de um país inteiro:

Um dia, [A. J. Conant] perguntou a Mr. Lincoln como ele se tornou interessado em Direito. “Foram os Blackstone’s Commentaries que fizeram isso”, disse Mr. Lincoln, relatando em seguida como foi seu primeiro encontro com esse livro. “Eu estava cuidando de um armazém em New Salem [Illinois], quando, num dia, um homem que estava migrando para o Oeste apareceu com um carroção que continha toda sua família e sua mobília. Ele me perguntou se eu poderia comprar um velho barril para o qual não havia mais espaço em seu carroção e que, segundo ele, não continha nada de valor especial. Eu não queria, mas concordei em comprá-lo e paguei-lhe meio dólar, eu acho. Sem nenhum exame, coloquei-o no fundo do armazém e o esqueci completamente. Algum tempo depois, ao rearranjar as coisas, me deparei com o barril e pus seu conteúdo sobre o chão. Debaixo do lixo, encontrei uma edição completa dos ‘Commentaries’ de Blackstone. Eu comecei a ler esses famosos trabalhos e tinha bastante tempo disponível, pois, durante os longos dias do verão, quando os fazendeiros estavam ocupados em suas lavouras, meus clientes eram poucos e esporádicos. Quanto mais eu lia” — disse ele, com uma ênfase incomum — “mais intenso meu interesse ficava. Em toda a minha vida, minha mente nunca esteve tão inteiramente absorvida. Eu li até devorá-los.” — Ida M. Tarbell, Selections From the Letters, Speeches, and State Papers of Abraham Lincoln [Seletas das Cartas, Discursos e Papéis Governamentais de Abraham Lincoln], 1911

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Em uma palavra [129]

mixurucalha (mi.xu.ru.ca.lha) neolog. s.f. coisa mais desprezível que algo mixuruca; adj. de qualidade inferior à de mixuruca; chinfrim, mequetrefe, roscofe. [claramente derivado de mixuruca, o neologismo foi cunhado pelo jornalista Paulo Francis; como Francis, há quem grafe michurucalha (com ch), embora mixuruca seja com x] O termo apareceu pela primeira Leia mais…

Perna pra que te quero

O que acontece quando se junta vingança e fetiche por pernas? Provavelmente, algo assim: “Em certa noite, uma pessoa veio ao nosso escritório e pediu para ver o editor do Lancet. Ao ser introduzido em nosso santuário, ele colocou um saco sobre a mesa, do qual, em seguida, ele retirou Leia mais…