Murrinhpatha, a língua sem espaço

direções

O carro se aproxima, a janela se abre e o motorista pergunta: “Por favor, amigo, pode me dar uma informação?”. O local e o meio de transporte podem mudar, mas essa cena com um pedido de orientação repete-se desde que o mundo é mundo. Se você acha difícil dar referências em português, agradeça por não falar uma língua australiana que virtualmente não tem termos espaciais. (mais…)

Comunicação gelada

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Comunidade de geladas (Theropithecus gelada) nas montanhas Semien, Etiópia.

Sílabas se juntam em palavras, palavras se articulam em sentenças, sentenças se estruturam num parágrafo, parágrafos se sucedem num texto, textos constroem um livro, etc. Nas linguagens humanas, quanto maior o todo, menores as partes: palavras compridas tendem a ter sílabas curtas e frases compridas, por exemplo, contém palavras pequenas.

Esse fenômeno linguístico é descrito pela Lei de Menzerath. Tal como a sintaxe — recém-observada em pássaros —, pensava-se que essa lei fosse exclusividade da comunicação humana. Mas a mesma estruturação acaba de ser observada em macacos etíopes, segundo estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). (mais…)

MIT descobre o universal linguístico (ou não)

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Torre de Babel (Pieter Bruegel, o velho. c. 1563)

[tradução e adaptação de: “MIT claims to have found a “language universal” that ties all languages together“, por Cathleen O’Grady, no Ars Technica]

Ao redor do mundo, as línguas assumem uma estonteante variedade de formas — a tal ponto que isso mantém um longo debate sobre se todas as línguas podem ter alguma propriedade em comum. Agora, de acordo com um paper publicado na edição dessa semana da PNAS, há um novo candidato ao fugidio título de “universal linguístico”. Todas as línguas, segundo os autores, se organizam de tal modo que conceitos relacionados ficam tão próximos quanto possível dentro de uma frase, facilitando a compreensão da noção geral que expressam. (mais…)

O mundo da Lua de John Wilkins

Você provavelmente nunca ouviu falar de John Wilkins — mas deveria. Nascido em 1614, ele completou seus estudos em Oxford, sendo Bachelor of Arts em 1631 e Master of Arts em 1634. Como muitos intelectuais de sua época, Wilkins estudou tanto Teologia quanto Filosofia Natural (equivalente a um apanhado de Física e Astronomia). Depois de formado, foi ordenado vigário, mas, descontente com a vida rural, passou a atuar como capelão de diversos nobres, entre os quais um sobrinho do rei Charles I (1600-1649). Casado com uma irmã do todo-poderoso Lord Protector Oliver Cromwell (1599-1658), Wilkins garantiu seu lugar na alta sociedade e tornou-se Mestre do Trinity College em Cambridge. Ele perderia o cargo após a Restauração e, enquanto tentava se recuperar, teve sua biblioteca e seu laboratório destruídos pelo Grande Incêndio de Londres em 1666. Dois anos mais tarde, ele seria nomeado Bispo de Chester. Mas durante a Guerra Civil Inglesa, Wilkins viveu no mundo da Lua… (mais…)

Em uma palavra [173]

paragamacismo (pa.ra.ga.ma.cis.mo) s.m. Ling. defeito de pronúncia que consiste em trocar as consoantes velares ou pospalatais por prepalatais ou posdentais; dizer, por exemplo, dorro em vez de gorro; danso por ganso; tabo por cabo. [do grego para, indicativo de defeito + gamma + ismo]

Em uma palavra [165]

properispômeno (pro.pe.ris.pô.me.no) adj. Ling. Gramát. 1. palavra do grego antigo grafada com acento circunflexo na penúltima sílaba. 2. por analogia, palavra do português cuja penúltima sílaba tem o acento tônico na vogal ‘o’, como moço. [do grego properispómenos] Alguns properispômenos lusófonos fazem plural com ‘o’ fechado /ô/ enquanto outros passam Leia mais…

Um banco e uma placa

Isso é tudo nessa modestíssima estação ferroviária situada Gwynedd, North Gales, que já teve o sesquipedálico nome de Gorsafawddacha’idraigodanheddogleddollônpenrhynareurdraethceredigion. Essa denominação foi uma tentativa de superar  Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch pela complicada distinção de ser o local com nome mais comprido da Europa. A ideia foi da Fairborne Railway, uma ferrovia turística de Leia mais…