Transtornos Alimentares X Saúde da Mulher

A alimentação saudável não é apenas a ingestão equilibrada de calorias, carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas e minerais.

O alimento é também fonte de prazer, inserção social e identidade cultural e familiar.

Entretanto, na sociedade atual, em que o corpo magro é sinônimo de saúde e beleza, as mulheres são as maiores vítimas desse estigma. E acabam utilizando métodos inadequados de controle de peso como restrições alimentares diversas, uso de medicamentos e excesso de exercício físico.

Nesse contexto, observa-se o aumento das fobias alimentares. Ou seja, o “medo” de consumir determinados alimentos ou nutrientes, com destaque para “carbofobia”, “gordurafobia”, “frutafobia”, entre outros.

⇒ Além disso, transtornos alimentares como bulimia e anorexia, transtorno de compulsão alimentar, ortorexia e comer transtornado tem sido diagnosticados cada vez mais cedo entre as mulheres.

⇒ Adolescentes e até mesmo crianças se impõem proibições e restrições alimentares prejudiciais à saúde em busca de um corpo ideal, magro e sem gordura.

Dietas Restritivas em Busca do Corpo “Ideal”

Dietas restritivas e de emagrecimento sem acompanhamento de um profissional capacitado podem desencadear e/ou agravar as fobias e os transtornos alimentares.

Portanto, práticas alimentares com objetivo único de estética sem acompanhamento nutricional individualizado são desaconselhadas. → A saúde da mulher deve vir sempre em primeiro lugar.

Os principais transtornos alimentares e práticas inadequadas que mais acometem as mulheres são:

  • Transtorno da compulsão alimentar é o consumo de uma grande quantidade de alimento em um curto período de tempo. Ocorre pelo menos um dia por semana durante três meses. É associado à culpa, vergonha, arrependimento e baixa autoestima, além da falta de controle sobre o quê, como, por que, e o quanto se come.
  • Bulimia nervosa é caracterizada por períodos de compulsão alimentar seguidos de atitudes compensatórias como indução de vômito e uso abusivo de laxantes e diuréticos devido ao medo patológico de engordar.
  • Anorexia nervosa é uma restrição alimentar severa devido à preocupação excessiva em ganhar peso. Ainda, existe, uma distorção da imagem corporal, e, mesmo magra, a pessoa se considera acima do peso.
  • Ortorexia é uma obsessão em comer apenas “alimentos considerados saudáveis” como alimentos in natura. Geralmente é associada a dietas da moda e tem uma definição bastante rígida do que é comer de forma saudável. Ainda não foi oficialmente reconhecida como um transtorno alimentar. Mas, é um comportamento que requer atenção.
  • Comer transtornado inclui episódios de compulsão seguidos de culpa, além de restrições alimentares e outras atitudes inadequadas como uso de laxantes e diuréticos para perder peso. Tais práticas ocorrem de forma menos severa que na bulimia e anorexia nervosa, mas, podem evoluir para um transtorno alimentar.

Em geral, os transtornos ou comportamentos alimentares inadequados apresentam diversas causas. E uma das principais causas é a pressão social pela aparência física e padrão ideal de corpo.

Vive-se hoje um paradoxo da grande oferta de alimentos, informações sobre nutrição sem evidência científica e a cobrança por um corpo ideal magro.

Por isso, o diagnóstico precoce dos transtornos e atitudes alimentares inadequadas é tão importante. E o tratamento deve ser multidisciplinar com orientação nutricional, psicoterapia e medicamentos em casos mais graves.

Os transtornos alimentares não tratados levam a graves problemas para a saúde com consequências clínicas e psicológicas como ansiedade, estresse e depressão.

A alimentação tem um papel de melhorar a qualidade de vida física e mental. Por isso, deve ser individualizada de acordo com o ciclo de vida da mulher: infância, adolescência, vida adulta, fase gestacional e senescência.

Mudança de Comportamento Alimentar e Aceitação do Próprio Corpo

  • Um dos focos do tratamento dos transtornos alimentares é a mudança de comportamento alimentar e a aceitação do seu padrão de corpo e de beleza.
  • Cada mulher é única e precisa ser respeitada em suas características biológicas, corporais, nutricionais, comportamentais, emocionais e sociais. Dessa forma, será possível promover a saúde da mulher de forma integral.

Para mais informações sobre transtornos alimentares, acesse: http://www.genta.com.br/page-364

Sobre Helena Previato 9 Artigos
Helena Previato é Doutora em Alimentos e Nutrição pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Nutricionista e Mestre em Saúde e Nutrição pela Universidade Federal de Ouro Preto. Especialista em Nutrição Clínica pela Associação Brasileira de Nutrição.

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