Craving por doces: você sabe o que significa?

O craving por doces é definido como um forte desejo/vontade, na maioria das vezes incontrolável, por alimentos ricos em açúcares. A tradução do inglês do termo craving é fissura/desejo intenso.

E os principais alimentos nesse ranking dos desejos são: chocolates, doces, tortas, bolos e sorvetes.

Dentre eles, o chocolate é o mais desejado, sendo muito comum o termo “chocólatra” para descrever pessoas que tem esse desejo intenso quase como um vício.

  • De uma forma bem simplificada, o desejo é fisiologicamente mediado pela ativação do sistema opioide que produz uma sensação de prazer e motiva o intenso desejo por doces mesmo na ausência de fome fisiológica.

Quem nunca se viu na seguinte situação: após uma refeição, mesmo se sentindo completamente saciado sem conseguir comer mais uma garfada da comida, não resistir a uma sobremesa como um pedaço de torta, uma taça de sorvete ou algum outro doce.

No passado, a principal motivação para os nossos antepassados comerem era a obtenção de caloria e nutrientes para o organismo.

Atualmente, sabe-se que existem outros aspectos como psicológicos, emocionais, socioeconômicos e ambientais que devem ser considerados no desenvolvimento das preferências e hábitos alimentares.

Fatores externos como: a disponibilidade de alimentos e a palatabilidade (o sabor e o gosto) são estímulos importantes em um ambiente alimentar com grande oferta de alimentos hiperpalatáveis como doces, chocolates, sorvetes, sobremesas em geral.

Tais alimentos geralmente ricos em açúcar, gordura e calorias estão associados ao prazer e às interações fisiológicas e hormonais de prazer e bem-estar.

Nesse contexto, a fome hedônica – caracterizada por comer apenas por prazer e não por fome fisiológica – tem desempenhando um papel importante no consumo de doces em geral.

 Ambiente alimentar e Craving por doces

 O desejo intenso por doces é influenciado pelo ambiente alimentar em que estamos inseridos? E pela alta disponibilidade dos alimentos hiperpalatáveis?

Sabe-se que a vontade pode ser secundária à exposição aos alimentares e às memórias afetivas associadas ao prazer e bem-estar após o consumo desses alimentos.

Décadas atrás, o acesso a chocolates, balas, confeitarias, snacks, sorvetes, bebidas com alto teor de açúcar como refrigerantes e sucos de caixinha, entre outros era bem mais limitado.

Hoje em dia, é possível encontrar uma grande variedade desses produtos a um baixo custo e fácil acesso em diversos lugares:

  • desde supermercados, mercearias, padarias, lanchonetes em geral, cantinas escolares, lojas de conveniência, shoppings e até mesmo em drogarias.

Assim, o ambiente alimentar contemporâneo oferece uma grande oferta de alimentos doces podendo contribuir para seu o consumo excessivo em qualquer dia, horário e lugar.

Portanto, o ambiente alimentar pode ser considerado um fator que influencia diretamente o craving por doces.

É claro que existem fatores psicológicos e emocionais (como estresse e ansiedade), além de fatores hormonais que também podem levar ao consumo excessivo de doces. Dietas restritivas sem acompanhamento nutricional, omissão de refeições (ex.: “pular” o café da manhã e/ou almoço) ou ficar longos períodos em jejum podem levar ao craving e a compulsão por doces.

Por isso, é tão importante entender as causas/ consequências das nossas escolhas e os estímulos alimentares a que estamos expostos.

Você já observou o seu ambiente alimentar? Ele pode ser um gatilho para o consumo excessivo de doces?

Lembre-se que consumo em excesso de doces e o craving são uma via de mão dupla. Ou seja, o alto consumo de açúcares pode levar ao craving por doces. E o craving pode aumentar ainda mais o consumo de alimentos e bebidas açucaradas.

Sobre Helena Previato 11 Artigos
Helena Previato é Doutora em Alimentos e Nutrição pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Nutricionista e Mestre em Saúde e Nutrição pela Universidade Federal de Ouro Preto. Especialista em Nutrição Clínica pela Associação Brasileira de Nutrição.

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