Texto escrito por Ana Arnt e Rafaela Rosa-Ribeiro

No segundo post da série sobre pandemia, coronavírus e doenças, vamos falar um pouco sobre a história dos isolamentos e da quarentena. Bora lá?

Isolamentos e quarentenas como estratégias de controle de doenças

Uma das práticas que têm sido usadas historicamente para combater ou impedir o alastramento de doenças, é o isolamento. Temos debatido isso e buscado colocar em prática a partir do surgimento do Coronavírus (COVID-19). Esta, no entanto, é uma prática de saúde anterior à compreensão de saúde pública contemporânea, mas que foi incorporada como prática em tempos de alastramento de doenças.
O isolamento de doentes não é, portanto, atual. Por exemplo, desde textos bíblicos, são comuns os relatos dos leprosários, em que as pessoas eram afastadas por tempos indefinidos das cidades e/ou da região em que moravam.
Já a quarentena, como compreendemos até os dias de hoje, remonta a uma prática do Século XIV, inicialmente no porto de Ragusa (hoje Croácia) determinou oficialmente que haveria um tempo de trentina – 30 dias entre o tempo em que as embarcações chegavam ao porto, e poderiam desembarcar. Posteriormente, este tempo depois passou para 40 dias, sendo nomeado de quaranta para viajantes terrestres, que estivessem vindo de regiões em que a peste era endêmica. Dessa forma, em 1377 temos como marco a primeira quarentena oficial, visando proteger juridicamente tanto o comércio, quanto a  saúde da região. Veneza, no ano de 1423, estabelece uma estação de quarentena em uma ilha próxima à sua costa, tornando-se um modelo.
Portanto, a quarentena é compreendida como um isolamento físico temporário de pessoas (ou outros seres vivos) que possam estar infectadas com alguma doença contagiosa. Temporário exatamente por conhecermos o tempo em que a doença pode se manifestar.

Para saber mais

CYNAMON, Szachna Eliasz (1990) Saúde Pública, qualidade de vida. Cadernos de Saúde Pública, 6(3), 243-246 https://doi.org/10.1590/S0102-311X1990000300001.
FOUCAULT, Michel (2002) Em defesa da Sociedade São Paulo: Martins Fontes.
___ (2008) Segurança, Território e População São Paulo: Martins Fontes.
GENSINI, Gian Franco; YACOUB, Magdi H; CONTI, Andrea A (2004) The concept of quarantine in history: from plague to SARS Journal of Infection, 49(4), 257-261. https://doi.org/10.1016/j.jinf.2004.03.002
SOUZA, Luis Eugenio Portela Fernandes (2014) Saúde Pública ou Saúde Coletiva? Revista Espaço para a Saúde, 15(4), 07-21.

Documentos e instâncias oficiais

BRASIL Ministério da Saúde (2020a) O que é Corona Vírus
BRASIL Ministério da Saúde (2020b) Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus (COVID-19)

Aqui neste blog

Série: Coronavírus
Primeiro texto da série: Para que precisamos de estudos sobre controle de doenças?

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Os argumentos expressos nos posts deste especial são dos pesquisadores, produzidos a partir de seus campos de pesquisa científica e atuação profissional e foi revisado por pares da mesma área técnica-científica da Unicamp.
Não, necessariamente, representam a visão da Unicamp. Essas opiniões não substituem conselhos médicos.


editorial


Ana Arnt

Bióloga, Mestre e Doutora em Educação. Professora do Departamento de Genética, Evolução, Microbiologia e Imunologia, do Instituto de Biologia (DGEMI/IB) da UNICAMP e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PECIM). Pesquisa e da aula sobre História, Filosofia e Educação em Ciências, e é uma voraz interessada em cultura, poesia, fotografia, música, ficção científica e... ciência! ;-)

4 comentários

Valentões dentro da célula, sensíveis fora dela: os vírus | Coronavírus (COVID-19) | Especial Blogs de Ciências da Unicamp · 22/03/2020 às 22:07

[…] Valentões dentro da célula, fora eles são bem sensíveis. Os vírus duram pouco tempo sozinhos fora da célula/hospedeiro. Aí está a nossa vantagem em relação aos vírus: podemos quebrar a transmissão de hospedeiro a hospedeiro e dessa forma quebrar a propagação da contaminação.  A quarentena é uma forma de ajudar nesse processo. Sobre isolamento sociala e quarentena, fica a sugestão de leitura do post Os isolamentos são importantes sim senhor! E não é de hoje essa prática… […]

Valentões dentro da célula, sensíveis fora dela: os vírus - CdF - Ciência de Fato · 24/03/2020 às 00:00

[…] Valentões dentro da célula, fora eles são bem sensíveis. Os vírus duram pouco tempo sozinhos fora da célula/hospedeiro. Aí está a nossa vantagem em relação aos vírus: podemos quebrar a transmissão de hospedeiro a hospedeiro e dessa forma quebrar a propagação da contaminação.  A quarentena é uma forma de ajudar nesse processo. Sobre isolamento sociala e quarentena, fica a sugestão de leitura do post Os isolamentos são importantes sim senhor! E não é de hoje essa prática… […]

Solidariedade: saúde para todos | Coronavírus (COVID-19) | Especial Blogs de Ciências da Unicamp · 30/03/2020 às 21:19

[…] e efetiva em doenças em que o contágio se dá pelo toque entre pessoas (já falamos disso aqui). É, à primeira vista, prejudicial socialmente e economicamente, mas salva vidas na prática […]

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