Biobanco: Conceito, Importância e Perspectivas Futuras

Você já ouviu falar sobre Biobanco ou Banco de Material Biológico humano?

Autora: Lilian Fabiana Scialó Arzenares

Biobanco: termo desconhecido para alguns e de peso gigante para outros. Palavra pequena, enigmática, mas que carrega uma importância crucial nos dias de hoje. Para alguns, novidade. Para nós cientistas, soa como um passo ao futuro. 

Sem muita complicação, a definição de biobanco na verdade é bem simples. Trata-se de uma rede de armazenamento de material biológico humano, obtida diretamente de um indivíduo que concorde em ceder determinada amostra para fins de pesquisas. 

Essa amostra, cedida pelo doador e armazenada adequadamente nessa rede, permite que a comunidade científica tenha acesso a ela e a utilize para desenvolver um novo projeto de pesquisa, seja no conhecimento mais aprofundado de uma doença, em mecanismos imunológicos a serem decifrados, prevenção ou até mesmo propostas de tratamentos melhores e inéditos. 

O material biológico pode ser obtido de várias fontes: células, estruturas de DNA, plasma e/ou soro, tecidos, órgãos, etc. Essas amostras podem ser armazenadas inteiras ou processadas e dividida em alíquotas. O importante é estabelecer controles e padrões de qualidades dessas amostras, seguindo as normas sanitárias estabelecidas, disponibilizando assim material bem preservado para conduzir boas pesquisas. 

Os mais modernos Biobancos são, essencialmente, bancos de dados vinculados a um banco de amostras. Todas as informações do indivíduo, como dados clínicos, patológicos e epidemiológicos são consideradas confidenciais. A qualidade biológica da amostra e das anotações clínicas e epidemiológicas, bem como a garantia do bom uso das amostras e das informações clínicas são elementos essenciais em qualquer biobanco. 

Atualmente, existem biobancos em todos os continentes, incluindo a Antártica, mas a maioria está localizada na América do Norte e na Europa. Os EUA, por exemplo, possuem 169 biobancos registrados enquanto a Europa dispõe de 90. Alguns países, incluindo China, Gâmbia, Jordânia, México e África do Sul, têm feito grandes esforços para construir seus próprios biobancos. 

Na Ásia esta alocado um dos maiores biobancos do mundo, o Biobank Japan, que possui uma grande variedade de amostras de DNA e soro, além de análises genômicas disponíveis para pesquisa. Outro grande centro de armazenamento é o EuroBioBank, na Europa, que conta com milhares de tecidos, DNA e células provenientes de doenças raras. 

No Brasil, o número de biobancos autorizados é bem inferior. Há somente 56 biobancos regularizados, sendo a maioria na região sudeste do país. 

Em Campinas/SP, o Hospital de Clínicas da UNICAMP realiza diariamente um grande número de intervenções cirúrgicas, no qual muitos tecidos e fragmentos são retirados para descarte durante o procedimento. Em uma cirurgia ortopédica, por exemplo, esses tecidos, denominados tecidos musculoesqueléticos, possuem grande potencial para ensaios clínicos in vitro, podendo servir como fonte de uma infinidade de pesquisas nessa área. 

Sendo assim, muitos estudos se beneficiam de amostras armazenadas em biobancos e essa pronta disponibilidade tem se tornado instrumento central para a pesquisa médica no Brasil e no mundo. Os biobancos auxiliam as atividades cientificas a ter acesso adequado ao material biológico humano, acelerando e aprimorando o desenvolvimento de pesquisa.

Esperamos, em um futuro próximo, poder contar com mais um biobanco especializado dentro da UNICAMP, contribuindo cada vez mais com o avanço da pesquisa no Brasil. 

Sobre Lilian Arzenares: Bacharel em Ciências Biológicas pela PUC-Campinas. Biologista no Laboratório de Hematologia do Hemocentro da UNICAMP e do Laboratório de Patologia Clínica do Hospital de Clínicas, sessão Hematologia, pela mesma universidade. Mestranda no Programa de Pós-graduação em Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, desenvolvendo projeto intitulado: “Implantação de um Biobanco de Células de Tecido Musculoesquelético Humanos”.

Referências: 

MALSAGOVA, K. et al. Biobanks – A Platform for Scientific and Biomedical Research. Diagnostics. v.10, p.485. 2020

CHEN, H., PANG, T. A call for global governance of biobanks. Bull World Health Organ, v.93, p.113-117, 2015.

GASPAR, B. L., Vasishta R.K., Radotra B. FD. Myopathology – A pratical clinico-pathological approach to skeletal muscle biopsies. Pg. 285 – 289. 2019

KARIMI-BUSHERI, F. et al.  Biobanking in the 21st century. Editorial Board. 2015

ISBER, I. S. FOR B. AND E. R. Best Practices: Recommendations for Repositories Fourth Edition. Disponível em: <https://www.isber.org/>. Acesso em: 10 de Dezembro de 2020

SpecimenCentral. Global Biobank Directory, Tissue Banks and Biorepositories. Disponível em: https://specimencentral.com/biobank-directory/#European%20Biobanks. Acesso em 10 de Dezembro de 2020.

Conselho Nacional de Saúde. Ministério da Saúde. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/o-que-e-rss/92-comissoes/conep/normativas-conep/647-biobancos-conep. Acesso em 09 de Dezembro de 2020. 

Global Engage. Exploring the world’s largest biobanks. 2018. Disponível em: https://www.global-engage.com/life-science/exploring-the-worlds-largest-biobanks/. Acesso em 10 de Dezembro de 2020. 

Alessandro Zorzi

Médico ortopedista e pesquisador na UNICAMP e no Hospital Albert Einstein, com mestrado e doutorado em ciências da cirurgia pela UNICAMP e especialização em pesquisa clínica pela Harvard Medical School.

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