Onde estava o leitor entre os dias 15 e 19 de maio de 2011? Não preciso adivinhar: estava no Planeta Terra, muito provavelmente na metade sul do hemisfério ocidental. Quem esteve do outro lado do mundo entre aqueles dias está no vídeo a seguir. São quase quatro minutos de imagens de alta resolução da bacia do Oceano Índico, começando pelo hemisfério norte, depois o hemisfério sul e encerrando com o globo terrestre em toda a sua glória. Recomendamos rodar o vídeo em tela cheia.

Antes, porém, algumas explicações (ou não, pois o leitor pode muito bem ir ver o vídeo e depois voltar para esse parágrafo ou mesmo ignorá-lo ou ainda detestar parênteses longos de teor metalinguístico). As imagens foram captadas de 15 a 19 de maio de 2011 pelo satélite meteorológico russo Elektro-L, de órbita geossíncrona. Daí que, do ponto de vista do satélite, a Terra parece fixa. No entanto, é o Elektro-L que está girando ao redor do mundo em 24 horas e acompanha o planeta a 40.000 km de altura (tive que resistir a escrever “40Kkm de altura”, mas não resisti a outro parêntese…)

Quem produziu e editou o vídeo foi James Tyrwhitt-Drake, que gosta de imaginar infinitos no tumblr. Ele teve que lidar com imagens de resolução brutal: cada frame tinha originalmente 11K x 11K ou 120MB e o satélite russo batia um frame a cada 30 minutos. Como Tyrwhitt-Drake não tem um supercomputador, acabou reduzindo a resolução para 4K, até para poder renderizar o vídeo em menos de alguns anos.

Ainda temos mais um parágrafo de comentários e explicações (e parênteses), mas a essa altura o leitor já deve estar impaciente. Ao vídeo, portanto:

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Se não perdeu a paciência (ou a conexão com a internet), o leitor deve ter notado algumas coisas interessantes no vídeo. Por exemplo, o reflexo do disco solar, que segue ao longo do Trópico de Câncer de Pele. Ou as áreas desérticas estranhamente meio esverdeadas. Como explica Phil Plait no Bad Astronomy, o Electro-L tem câmeras sensíveis ao infravermelho próximo, faixa do espectro intensamente refletida pelas plantas (mas também por desertos de areia). Normalmente essa faixa é representada em tons avermelhados, mas Tyrwhitt-Drake tomou a licença poético-visual de usar algo mais verdejante. E o hemisfério sul “de cabeça pra cima”? Desnecessário (como mais esse meu parêntese), mas talvez seja uma provocação de Tyrwhitt-Drake…

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P.S.: o leitor mais atento já notou pelo título que, sem querer querendo, a fórmula "O(a) [Ciência ou Fenômeno] é Belo(a)" está se tornando uma série dedicada a belíssimos vídeos de ciência em alta resolução (HD, 4K, whatever...). Se o mesmo leitor encontrar algo do gênero e quiser colaborar, pode mandar o link do vídeo em comentário (que não será publicado) a esse post ou em inbox de nossa página no Facebook (que se aproxima do 1K de fãs). Os colaboradores receberão os devidos créditos.

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[via Bad Astronomy]


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Planeta vivo: admirando um raso e úmido ponto azul | 100nexos · 24 de novembro de 2014 às 21:08

[…] Hypercubic explica melhor como James Tyrwhitt-Drake criou o vídeo a partir das imagens do satélite russo Elektro-L. Ainda […]

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