Como nascem as iluminuras

Capitulares coloridas e bem grandes. Animais fantásticos de terras distantes. Cenas da vida e obra de reis, papas e santos. Anjos, demônios, criaturas sobrenaturais de todo tipo cercam textos minuciosamente manuscritos dentro de bordas ricas e luxuosamente douradas. Obras-primas da cultura livresca, as iluminuras não nasceram prontas. (mais…)

Memória Fotográfica: Jacob Riis

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Hester Street, c. 1890 (Jacob Riis)

Nova York, fim do século XIX. Aqui é a porta de entrada dos EUA, com suas mansões, avenidas, cartolas, vestidos, telégrafos, eletricidade, ferrovias, máquinas fotográficas… Uma das inúmeras máquinas fotográficas nova-iorquinas era de um imigrante dinamarquês. Jacob Riis viveu na miséria nos dois lados do Atlântico. Em vez de se deslumbrar com as riquezas da “América”, ele focou suas lentes para os recantos esquecidos da Belle Èpoque: os cortiços e barracos, as vielas sujas e escuras, as delegacias de polícia e os albergues, os ladrões e os membros de gangues, os velhos abandonados e os imigrantes que descobrem que o Novo Mundo não é bem uma terra de oportunidades… (mais…)

Botânica Paralela

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Jorge Luis Borges tem o seu Livro dos Seres Imaginários ou Manual de Zoologia Fantástica, um bestiário de criaturas reconhecidamente inexistentes, uma zoologia sem animais. Não menos borgiano é a Botânica Paralela do escritor e ilustrador ítalo-holandês Leo Lionni [1910-1999]. Digno da Biblioteca de Babel, a Botânica Paralela é um catálogo de plantas inventadas, cujas características inventadas são descritas por botânicos igualmente inventados. (mais…)

O Primeiro “Mundo Perdido”

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RAWR!

Não, não vamos fazer mais uma resenha de Jurassic World ou mesmo de seu antecessor, Jurassic Park. Em vez disso, vamos nos aprofundar mais nessa história de dinossauros no cinema. O que têm a ver Arthur Conan Doyle, dinossauros e stop motion? O elo perdido entre esses três elementos é um filme mudo lançado há 80 anos: O Mundo Perdido. Verdadeiro fóssil cinematográfico, o filme é uma adaptação de um romance homônimo do criador de Sherlock Holmes. O próprio Conan Doyle contribuiu para a adaptação de sua obra à telona. (mais…)

A Terra é Bela. Ainda mais em 4K

Onde estava o leitor entre os dias 15 e 19 de maio de 2011? Não preciso adivinhar: estava no Planeta Terra, muito provavelmente na metade sul do hemisfério ocidental. Quem esteve do outro lado do mundo entre aqueles dias está no vídeo a seguir. São quase quatro minutos de imagens de alta resolução da bacia do Oceano Índico, começando pelo hemisfério norte, depois o hemisfério sul e encerrando com o globo terrestre em toda a sua glória. Recomendamos rodar o vídeo em tela cheia. (mais…)

Memória Fotográfica: Cuthbert Bede

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A primeira coisa que aparece após uma nova tecnologia são os early adopters, os entusiastas, gente que muitas vezes não sabe muito bem o que fazer mas faz — por vezes com uma ingenuidade cômica. A segunda coisa que aparece depois de uma inovação é gente que tira sarro dos entusiastas. O reverendo Edward Bradley (1827-1889) foi as duas coisas em termos de fotografia: um pioneiro tanto na prática da nova arte quanto em sua crítica humorística. Além de clérigo, Bradley era romancista e caricaturista, assinando seus trabalhos com o irreverente pseudônimo Cuthbert Bede (referência aos dois mais veneráveis doutores da Igreja inglesa, S. Cuthbert e S. Beda). (mais…)

Relatório Asimov sobre a Criatividade (1959)

Depois de lançar com sucesso seu primeiro satélite espacial, o Sputnik, a União Soviética parecia estar pronta a dominar o mundo. Enquanto isso, os Estados Unidos estavam apenas começando a esboçar uma reação. Em 1958, foram criadas a NASA e a ARPA. No ano seguinte, a relação entre essas duas entidades ainda era confusa. Impaciente, o governo americano já havia percebido que precisava definir bem os papéis para ter suas próprias surpresas tecnológicas. Outro problema: não importava o quanto fosse investido na expansão tecnológica, ela parecia inadequada.

Arthur Obermayer trabalhava na Allied Research Associates, empresa da MIT dedicada ao estudo dos efeitos de armas nucleares em estruturas aeronáuticas. A firma estava envolvida num dos primeiros projetos da ARPA, o GLIPAR (Guide Line Identification Program for Antimissile Research) [pdf]  e precisava de muita criatividade para ajudar a projetar um sistema de defesa com mísseis balísticos. O governo americano queria que todos os envolvidos fossem estimulados a “pensar fora da caixa”. Mas como fazer isso? (mais…)

A Química é Bela. Ainda mais em 4K.

Precipitação. Gaseificação. Combustão. Acidificação. Cristalização. Há muita ação (e reação) por trás das aulas de Química, mas falta atenção. Porque essa ação toda está em detalhes tão pequenos e fugazes que são facilmente ignorados por professores e alunos. Mas não são apenas as reações que passam em branco nas salas Leia mais…

Thomas Britton, o carvoeiro erudito

 

Thomas Britton, o carvoeiro musical (gravura de autor desconhecido, 1777)

Thomas Britton, o carvoeiro musical (gravura de autor desconhecido, 1777)

Pouco se sabe da vida deste curioso personagem que apareceu em Londres na virada do séc. XVII para o séc. XVIII. O que se sabe é que nasceu em Northamptonshire e, logo que pode, mudou-se para Londres, onde estabeleceu-se como vendedor de carvão — primeiro como empregado e mais tarde como autônomo. Também não se sabe se teve alguma educação formal, mas tudo indica que foi um autodidata, especialmente dedicado ao estudo da música, de livros antigos e talvez até de química. (mais…)