O que é o vírus, como ocorre a sua disseminação e por quê devemos mudar nossos hábitos para combatê-lo

 

Tempo de leitura: 3 min

 

O que é um vírus?

O vírus é formado por uma cápsula de proteínas contendo material genético e que é capaz de se multiplicar dentro das células de organismos. As partículas virais infecciosas são montadas em uma célula hospedeira, geralmente são partículas metaestáveis e robustas o suficiente para proteger o genoma viral fora da célula1. Para explicar melhor, o Blogs de Ciência da Unicamp fez um vídeo explicativo e didático explicando o que é um vírus e como ele se propaga.

https://www.blogs.unicamp.br/covid-19/wp-content/uploads/sites/251/2020/03/corona.mp4

Fonte: Conteúdo científico e roteiro – Luisa Fernanda Rios Pinto; Narrativa-Paula Penedo; Arte e animação- Carolina Frandsen; Produção-Equipe Blogs de Ciência da Unicamp.

Mas o que é o COVID-19?

O COVID-19, ou Sars-Cov-2, é uma doença infecciosa causada por um vírus recém descoberto e pertencente a família corona. O nome corona vem do fato de que quando os cientistas olham para o vírus pelo microscópio, o vírus parece ter uma “coroa” em volta de si.

Fonte:Wikimedia Commons

Existem vários tipos de coronavírus em humanos e animais, e a razão pela qual o COVID-19 tem ganhado tanta atenção é que este vírus foi detectado em humanos pela primeira vez em dezembro de 2019 e, até o momento (24/03/2020), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)2 já infectou mais de 370 mil pessoas ao redor do mundo. Sua capacidade de contágio é bastante alta comparada aos vírus anteriormente descritos e a severidade da síndrome respiratória causada (uma forte pneumonia) tem alertado o mundo para o perigo desta pandemia. Os dados ainda são bastante insipientes e a cada dia novas informações são descobertas a respeito dessa doença. 

Nos Estados Unidos, a porcentagem das pessoas infectadas que desenvolvem os sintomas mais severos, necessitando tratamento intensivo (UTI), varia entre a faixa etária, sendo em média 10,5%3 e até 30,1%4 para pacientes entre 75-84 anos, segundo estudos estatísticos. Além disso, devido ao rápido contágio e a limitação dos sistemas de saúde, se sabe que a taxa de mortalidade pelo COVID-19 depende do país, mas está em torno de 0,36-8%, com uma baixa taxa reportada na Alemanha e a maior na Itália5. 

É importante ressaltar aqui que ainda não há vacina ou remédio que sejam eficazes contra o COVID-19. Muitos laboratórios ao redor do mundo estão correndo contra o tempo para desenvolver um tratamento, mas as melhores estimativas são de que não teremos uma solução acessível à população pelo menos até o final de 2020.

O Brasil

No dia 23 de março, o Brasil contava com 1891 casos diagnosticados da doença e 34 mortes6. O crescimento é alarmante, sabendo que no dia 15 de março se reportavam 162 casos positivos para o COVID-19. Isso significa que em oito días (de 15 a 23 de março), os casos aumentaram mais de 11 vezes. Isso nos dá um bom indicativo de como a doença se espalha rapidamente, o que pode levar ao esgotamento dos leitos disponíveis em hospitais para o tratamento dos doentes. 

O Brasil conta com uma população de cerca de 210 milhões de habitantes. Se imaginarmos que somente 50% da população terá contato com o vírus, e que 50% dessa pessoas desenvolvem sintomas, o número de pessoas sintomáticas no Brasil pode chegar a 50 milhões de pessoas. Desses 50 milhões, estima-se que 5% precisaria de tratamento hospitalar7. Imagine agora se todas essas pessoas ficarem doentes ao mesmo tempo. Seria humanamente impossível tratar todos os doentes, ademais somando-se os pacientes com outras doenças e acidentes. Repare que todos esses números são baseados nos dados que temos disponíveis de outros países, e que ao final dessa crise, esse cenário poderá ter sido melhor, ou ainda pior. 

Diante desse cenário, podemos ver a importância de diminuir a disseminação do vírus, para que assim não tenhamos um sistema de saúde sufocado e sem a capacidade de tratar todas as pessoas doentes. 

Qual o melhor combate ao coronavírus? 

 

Higiene

Criar hábitos de limpeza é muito importante nessa jornada. O melhor que podemos fazer para ajudar a sociedade é nos isolar em casa. Mas as vezes precisamos sair para ir ao mercado ou algum lugar que seja urgente. Para isto precisamos ter uma rotina de limpeza para entrar em casa e recomendamos alguns passos:

  1. Coloque as chaves perto da porta e não pegue-as se não for sair; se puder, limpe.

  2. Assim que chegar em casa, tire os sapatos e a roupa e deixe do lado de fora, depois lave a roupa com água e sabão. 

  3. Ao entrar em casa, não toque em nada antes de se higienizar.

  4. De preferência tome banho, se não puder, lave bem todas as áreas expostas com água e sabão. 

  5. Limpe o celular com um lenço e um pouco de álcool 70%, se não tiver álcool pode passar um paninho com água (não precisa ser muita) e um pouco de sabão e depois retirar o excesso com um lenço úmido (quase seco).

  6. Se tiver óculos, lave os óculos com água e sabão. 

  7. Quando estiver em casa, lave as mãos frequentemente com água e sabão durante 20 segundos.

  8. Não precisa ficar de máscara na casa se não estiver doente ou positivo com coronavírus. 

  9. Tente fazer o máximo de compras online. Se pedir alguma coisa pelo delivery, evite falar com a pessoa, pegue a caixa, limpe com álcool e entre em casa; evite contato, use cartão para pagar a conta. 

  10. Evite passar as mãos na boca ou nariz.

  11. Evite o pânico.

 

Se possível #fiqueemcasa, mas se precisa sair para algum lugar, evite o uso de transporte público, evite aglomerações e evite tocar em superfícies. Lembre-se: sempre que puder, lave as mãos e siga a rotina acima da limpeza no retorno a casa.

 

Isolamento

Neste momento é melhor ficar em casa e evitar circular pelas ruas. O isolamento serve para combater ou impedir o espalhamento do vírus. Serve para que a doença não seja transmitida para as demais pessoas e com o isolamento, evitamos a propagação massiva da COVID-19 a superlotação de hospitais por pessoas infectadas e que o sistema de saúde entre em colapso. É importante manter o distanciamento social. Muitos países decretaram quarentena (isolamento físico e temporário de pessoas) para evitar o contágio, e é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

 

Para saber mais:

https://www.blogs.unicamp.br/covid-19/os-isolamentos-sao-importante-sim-senhor-e-nao-e-de-hoje-essa-pratica/

 Depende de todos para que este vírus não se espalhe pelo país e o isolamento é uma maneira de cuidarmos e cuidar dos nossos familiares. 

 

#ficaemcasa #coronavírus

 

Referências

 

[1] Mateu MG. The Structural Basis of Virus Function. Structure and Physics of Viruses. Acesso:https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-94-007-6552-8_1

[2]https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019

[3]https://www.statista.com/chart/21173/hospitalization-icu-admission-and-fatality-rates-for-reported-coronavirus-cases/

[4]https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/69/wr/mm6912e2.htm

[5]https://brasil.elpais.com/brasil/2020/03/20/ciencia/1584729408_422864.html

[6]https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:folha-informativa-novo-coronavirus-2019-ncov&Itemid=875

[7]https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/03/18/protocolo-elaborado-pelo-incor-vai-orientar-o-tratamento-dos-casos-graves-de-coronavirus-em-sp.ghtml


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Os argumentos expressos nos posts deste especial são dos pesquisadores, produzidos a partir de seus campos de pesquisa científica e atuação profissional e foi revisado por pares da mesma área técnica-científica da Unicamp.
Não, necessariamente, representam a visão da Unicamp. Essas opiniões não substituem conselhos médicos.


editorial


Luisa Fernanda Rios Pinto

Bacharel em Engenharia Química (2006) da Universidad Industrial de Santander (Colômbia), Mestre (2010), Doutora (2014) e atualmente pós-doutoranda em Engenharia Química na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Foi pesquisadora de pós-doutorado (2016) do Algae R&D Centre, Murdoch University na Australia. A sua especialidade são biocombustíveis, biotecnololgia e obtenção de bioprodutos a partir de microalgas.

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