Os paradoxos das sinfonias silenciosas

Um ouvinte mais desatento poderia dizer que perdeu quatro minutos e meio após ouvir 4’33”, de John Cage. Composta em 1952, essa pequena peça para piano é, sem dúvida, a composição mais silenciosa possível. Mas 4’33” não é a única “sinfonia de silêncio”, por mais paradoxal que o termo possa parecer.

Silêncios — em forma de pausas relativamente breves — são importantes em qualquer composição musical. Mas quando temos uma peça inteira em silêncio, ela ainda é música? O que é música, afinal? Ao apresentar seus quatro minutos e meio de silêncio, John Cage (1912-1992) buscava levantar exatamente essas perguntas.

Pioneiro da chamada música aleatória, Cage queria fazer a audiência ouvir como música os sons ambientes da sala de concerto, apresentando ruídos como arte. Silêncio, por favor: (mais…)

Em uma palavra [181]

veação (ve.a.ção) s.f. 1. caça de animais selvagens; caçada, monteada. 2. refeição preparada com a carne desses animais, após a caça. ≈ veador, s.m. participante de uma veação; caçador, monteiro. ≈ vearia. s.f. local onde se caça; casa ou local onde se guarda a veação (2). [do lat. venationes = Leia mais…

Patentes Patéticas (nº. 133)

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Para alguns pode ser o pé direito, para outros o esquerdo enquanto outros ainda podem ter problemas com ambos. Não importa o tênis, o cadarço do meu pé esquerdo vive desamarrando. E, como todo mundo sabe, amarrar o tênis é ridículo. Ou você tem que dobrar-se inteiramente para alcançar os pés (o que é complicado quando você costuma usar uma mochila meio pesada) ou tem de achar um apoio para os pés numa altura razoável antes de tropeçar nos próprios cadarços.

Qualquer que tenha sido o pé de calçado que vivia desamarrando, Aaron D. Harrell tinha o mesmo problema. Não seria mais simples ter tênis que se amarram sozinhos? Todo mundo já deve ter pensado nisso — especialmente quando temos tênis desamarrados e estamos com pressa —, mas depois de amarrar bem seu tênis, Harrell deu um passo que foi além do resmungo meio sonhador. Ele criou um Pneumatic Shoe Lacing Apparatus [Dispositivo de Amarração de Calçado Pneumático], formado por: (mais…)

Patentes Patéticas (nº. 131)

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Há muita coisa errada no mundo e um inventor é alguém que sempre busca consertar, de maneira criativa, pelo menos algum destes milhões de problemas. De tampas de privadas levantadas a adoção de crianças. Isto mesmo, adoção de crianças. Todo mundo sabe que em muitos casos há mais candidatos a pais adotivos do que crianças disponíveis (especialmente quando são crianças pequenas e brancas), mas como resolver isso? Que tal tentar um Método e Sistema para Permitir Consulta ao Público e Eleição de Pais Prospectivos em Procedimentos de Adoção em Rede Nacional. Apesar do nome burocrático, parece algo bastante democrático: (mais…)

Patentes Patéticas (nº. 111)

bloco de notas

Você é uma dona-de-casa que vai para o mercado fazer suas compras mas não se sente segura no caminho? Você é uma moça que quer se vestir como bem entender, mas sabe que precisa se defender de alguns canalhas? Você é um jornalista que, cada vez mais, precisa se defender para fazer seu trabalho mas não quer apelar para uma arma de fogo? Não importa qual o seu caso: você só precisa ter um simples bloquinho de anotações à mão. Ao menos é o que diz Yoshiro Nakamats, inventor da Self defense weapon with memo [Arma de autodefesa com memorando]: (mais…)

Patentes Patéticas (nº. 92)

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Quanto mais fontes de energia, melhor. Então porque ainda não usamos a eletricidade atmosférica? Ao contrário do que possa parecer, essa ideia não é recente — é recorrente. Benjamin Franklin (1706-1790) já sabia que os raios eram eletricidade pura, mas não havia demanda por eletricidade na América do Norte rural do século XVIII. Pouco mais de dois séculos após o nascimento de Franklin, Walter Pennock queria tirar eletricidade do ar. Pennock foi o criador do Apparatus for collecting atmospheric eletricity [Aparato para coleta da eletricidade atmosférica]: (mais…)

Patentes Patéticas (nº. 82)

http://www.google.com/patents/US112

Quanto mais antiga uma patente, mais provável que ela seja de algo realmente útil. Afinal, muita coisa ainda não havia sido inventada e, portanto, podia ser registrada — só que isso inclui muitas patentes patéticas. O pioneiro dessa série deve ter sido Hezekiah L. Thistle, com sua Saddle for Removing the Sick and for Other Purposes [Sela para remoção dos doentes e outros propósitos], que consiste em uma (mais…)

Em uma palavra [116]

aptônimo (ap.tô.ni.mo) s.m. 1. fig. de linguagem usada na ficção, na qual o autor dá ao personagem um nome  que o descreve de modo cômico ou irônico. Ex: Alfred Jingle, personagem do “Pickwick Papers” de Charles Dickens; ‘jingle’ seria uma referência à onomatopéia do som do dinheiro, o que denunciaria Leia mais…

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