Breve História do Pó: o começo da carreira

Na longa carreira até os analgésicos baratos dos dias de hoje, os médicos toparam com a cocaína. Embora as folhas de coca (Erythroxylum coca) fossem há muito reconhecidas por suas propriedades medicinais, foi só a partir de meados do século XIX que passou a ser usada como matéria-prima para uma nova droga: um alcalóide em pó cujo processo de isolamento e purificação foi descrito em 1860 por Albert Niemann (1834-1861) em sua tese de doutorado¹. Foi Niemann quem batizou de cocaína o alcalóide incolor recém-descoberto. Quase imediatamente, a droga foi adotada por ser uma alternativa segura aos opiácios viciantes, como a morfina.

Só que não era bem assim. (mais…)

Dress Code Medieval

Os cavalheiros e visitantes estrangeiros que vinham a Windsor no reinado [1272-1307] de Eduardo I [a.k.a. Dudu Pernas Longas, 1239-1307] traziam consigo uma sucessão de modas variáveis, o que fazia virar as cabeças — nos jovens, de deleite; nos velhos, de desgosto. Douglas, o monge de Glastonbury, era especialmente denunciativo Leia mais…

Memória Fotográfica: Cuthbert Bede

Photographic Pleasures 1

A primeira coisa que aparece após uma nova tecnologia são os early adopters, os entusiastas, gente que muitas vezes não sabe muito bem o que fazer mas faz — por vezes com uma ingenuidade cômica. A segunda coisa que aparece depois de uma inovação é gente que tira sarro dos entusiastas. O reverendo Edward Bradley (1827-1889) foi as duas coisas em termos de fotografia: um pioneiro tanto na prática da nova arte quanto em sua crítica humorística. Além de clérigo, Bradley era romancista e caricaturista, assinando seus trabalhos com o irreverente pseudônimo Cuthbert Bede (referência aos dois mais veneráveis doutores da Igreja inglesa, S. Cuthbert e S. Beda). (mais…)

Thomas Britton, o carvoeiro erudito

 

Thomas Britton, o carvoeiro musical (gravura de autor desconhecido, 1777)

Thomas Britton, o carvoeiro musical (gravura de autor desconhecido, 1777)

Pouco se sabe da vida deste curioso personagem que apareceu em Londres na virada do séc. XVII para o séc. XVIII. O que se sabe é que nasceu em Northamptonshire e, logo que pode, mudou-se para Londres, onde estabeleceu-se como vendedor de carvão — primeiro como empregado e mais tarde como autônomo. Também não se sabe se teve alguma educação formal, mas tudo indica que foi um autodidata, especialmente dedicado ao estudo da música, de livros antigos e talvez até de química. (mais…)

Patentes Patéticas (nº. 136)

image

Quando se fala de fast food, o que queremos dizer é “comida de preparo rápido” e não, de maneira mais literal, “comida veloz”, uma refeição que realmente corre. Quando falamos de rodízio, também não é exatamente o almoço ou o jantar que roda — são os garçons. Quando falamos de self service, somos nós mesmos que nos servimos — mas toda vez que quisermos um novo prato, temos que sair da mesa e, em muitos casos, enfrentar uma fila.

Mas e se pudéssemos nos livrar dos garçons, das distantes mesas de bufê e suas filas e ter não só um rodízio mas um rodízio de comida rápida pra valer, com um verdadeiro carrossel de refeições? Muito antes do aparecimento da primeira rede de fast food, self service, churrascaria ou qualquer combinação desses estabelecimentos, William L. Lance já era dono da ideia de um servir comida de forma mecanizada: (mais…)

Um cone de coníferas

Há uma montanha de árvores coníferas plantadas de maneira padronizada numa montanha artificial cônica perto de Ylöjärvi, na Finlândia. Seriam aliens? Claro que não, são finlandeses. Foram 11 mil pessoas de diversos países que plantaram 11 mil árvores dispostas num padrão matemático baseado na proporção áurea. Mas o que levaria Leia mais…

Zavin vs. Zavin

Em 1961, era relativamente fácil se divorciar no estado de Oregon (EUA). Se um cônjuge conseguisse provar que o outro havia quebrado o contrato marital, o casamento estava desfeito. A maneira mais simples (e presumivelmente a mais comum) era comprovar que o outro cônjuge havia cometido adultério. O problema é Leia mais…

Em uma palavra [169]

babovismo (ba.bo.vis.mo) s.m. Sociol. modelo sócio-econômico divulgado pelo jornalista e revolucionário francês François Noël “Gracchus” Babeuf (1760-1797), que pregava a absoluta igualdade dos homens em termos de trabalho, direitos e deveres. babovista (ou babofista ou babuvista), adj. seguidor de Babeuf. [do antropônimo Babeuf] O babovismo (ou babofismo ou babuvismo) foi, Leia mais…