O que você NÃO precisa aprender na escola

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Rá, yeyé, pegadinha do malandro!!!!

Fingi que eu estava surtando dando aula, e que um aluno estava filmando meio escondido, só pra testar uma ideia: um canal com uma anti-aula, ou seja, uma aula que ensina o que você NÃO precisa saber do que se aprende na escola.

Curr√≠culo escolar √© uma discuss√£o sem fim. Primeiro porque os conhecimentos mudam, ainda mais em ci√™ncias. Segundo porque as opini√Ķes do que √© importante variam muito, e terceiro porque h√° interesses ¬†econ√īmicos e ideol√≥gicos envolvidos.

O que temos agora como grande definidor de conte√ļdos √© o vestibular, ou seja, um mar de conhecimentos com um palmo de profundidade, e o aluno termina o 3o ano sabendo quase nada de quase tudo.¬†Quando o aluno passa para alguma universidade tem que aprender novamente¬†o que realmente tem a ver com a carreira escolhida. Todo o resto do tempo gasto na escola aprendendo outras coisas foi jogado no lixo. E quem n√£o vai prestar vestibular (sim, existe vida fora da academia) perdeu mais tempo ainda.

Agora a onda √© ensinar habilidades e compet√™ncias. O problema √© que n√£o tem tempo para ensinar isso sendo que o aluno tem que¬†resolver a lista de exerc√≠cios semanal em formato de FUVEST desde a 6a S√ČRIE, como alguns col√©gios fazem! Vamos ver quantos anos v√£o se passar at√© habilidades e compet√™ncias realmente entrarem nos curr√≠culos, ou at√© ¬†trazerem a nova moda da educa√ß√£o, j√° que a cada per√≠odo uma nova mudan√ßa estrutural grande √© proposta e acaba sendo aplicada parcialmente ou n√£o aplicada, para dar espa√ßo a uma outra reestrutura√ß√£o, que por sua vez n√£o vai at√© o fim porque agora v√£o trazer outra estrutura… Bom, voc√™ entendeu.

Com isso na cabe√ßa, vou come√ßar uma s√©rie de v√≠deos me baseando nos conte√ļdos de uma apostila muito utilizada no Brasil. Preferi n√£o dizer qual √© para evitar qualquer liga√ß√£o de advogados de grandes empresas de educa√ß√£o, mas √© muito conhecida e se parece com muitas outras utilizadas por a√≠.

O meu ponto vai ser: esquecendo o vestibular, o que¬†precisamos aprender¬†na escola? O que realmente √© √ļtil no nosso dia a dia?
Claro que essa vai ser a minha vis√£o pessoal.

Isso vai dar um rolo…

Um professor rio abaixo

Este Blog Action Day sobre a água caiu bem no dia do professor. E eu com essa mania pragmática e direta de resumir tudo e fazer duas coisas ao mesmo tempo não me contive e pensei no que uma coisa podia se ligar a outra, e acabei me lembrando da experiência mais fantástica da minha vida. Uma experiência didática sobre a água (não que eu tenha caminhado sobre ela) que mudou mesmo minha vida pra sempre.

Foi durante a gradua√ß√£o em biologia, quando t√≠nhamos aulas de pr√°tica de ensino que consistiam em aulas te√≥ricas por um semestre e no outro aulas reais na rede p√ļblica de Rio Claro, interior paulista.

A enrascada come√ßa no ensino fundamental, no qual o conte√ļdo n√£o respeita a minha tacanha forma√ß√£o biol√≥gica e eu podia pegar aula de matem√°tica, portugu√™s, ci√™ncias sociais e, com muita sorte, ci√™ncias, que ainda sim engloba TODAS as ci√™ncias b√°sicas. [adendo – interessante que a √ļnica aula que eu n√£o corria o risco de pegar era a de educa√ß√£o f√≠sica. Essa mania de separar essa aula das outras √© uma coisa que sempre me incomodou, mas deixo esta saga para os educadores f√≠sicos.]

Sorteada a sala de aula, fico com uma quinta série em aulas de geografia. O tema é rios e relevo.

Hum… e agora? Foi importante ter uma biblioteca did√°tica na faculdade, n√£o cheia de livros, mas com material como mapas, globos e maquetes. E foram essas coisas que me deram o insight. Peguei emprestado e fui pra aula com um mapa do estado de S√£o Paulo, um globo terrestre e uma maquete do relevo do rio Tiet√™.

Chegando l√°, mapa na parede, aponto o rio e pergunto “Pra onde o rio aqui corre?”
“D√Ę√Ę√Ę fessor, de cima pra baixo at√© o mar, n√©! (professor besta)” disseram e pensaram os alunos.
Etapa 1 concluída
rio tietê.jpg

http://blogactionday.change.org/Eita rio danado que corre pra cima!


Agora a etapa 2 foi a maquete. Ela mostrava um corte do rio e revelava o perfil do relevo do Tietê. E eita rio danado que, ao contrário de quase todos os outros, nasce no mar e corre para o meio do continente ao contrário de todos os outros.

Ok, na verdade não nasce no mar, mas na Serra do Mar, e vem descendo até encontrar o rio Paraná.
Passei para a pr√≥xima etapa: colocar o mapa sobre a mesa com a maquete do relevo em cima. E veio a pergunta novamente: “pra onde corre o rio Tiet√™?”. Hum, agora na horizontal √© tudo diferente. Mas ent√£o o rio pode correr pra cima? Onde √© “cima”?

Foi a√≠ que entrou o globo e a m√°gica aconteceu: n√£o existe “cima” ou “baixo” num mapa; um rio pode correr para cima; pensava uma coisa e agora entendi outra; e outras id√©ias que eu nem posso imaginar.

Posso dizer que essa foi uma das maiores emo√ß√Ķes que j√° tive na vida, e √© esse brilho no olhar da molecada tendo seus insights, quase que em transe, que me acompanha e me impulsionou a inaugurar este blog. N√£o sou um professor com P mai√ļsculo, esse √© meu hobby. Mas quem sabe meu rio n√£o me leva a ser um professor profissional?

Change.org|Start Petition

Derrubando Torres de Marfim Рo RNAm vai à Escola!

E-Learning.jpegExistem diferentes motivos para se trabalhar com divulgação científica, dentre os quais se destacam, na minha opinião:

  1. Diminuir o abismo que existe entre os cientistas – produtores do conhecimento – e a popula√ß√£o em geral, que muitas vezes t√™m acesso somente a mat√©rias superficiais que costumam exagerar na simplifica√ß√£o do conte√ļdo cometendo erros conceituais grav√≠ssimos;
  2. Promover um processo de educação não-formal que, pelo menos idealmente, pode se tornar um fator importante de difusão de conhecimento, de modo acessível a todos.

Claro, ainda estamos a anos-luz de atingir o grau de qualidade/intera√ß√£o/penetra√ß√£o que esperamos das nossas a√ß√Ķes junto ao grande p√ļblico.¬†E, apesar de eu saber que essa n√£o √© ideia de todos os divulgadores de Ci√™ncia, tenham certeza que eu sou uma das pessoas que sonha em conseguir esses feitos.

O pr√≥prio t√≠tulo √© men√ß√£o direta ao conceito da “Torre de Marfim”, que designa um mundo ou uma atmosfera em que intelectuais se envolvem em questionamentos desvinculados das preocupa√ß√Ķes pr√°ticas do dia-a-dia.¬†F√°cil perceber o quanto eu sou contra isso, n√£o?

Assim, foi com grande prazer que eu e o Rafael integramos o grupo de convidados do “I Ciclo de Palestras de Biologia” da E.E. Myrthes Therezinha Assad Villela, que aconteceu dia 17/10/2009, em Barueri – SP.

Faz tempo que aconteceu, eu sei, mas achei uma pena não termos comentado nada até o momento. Depois de algumas conversas excelentes que tenho tido com outros educadores, resolvi tirar esse texto da gaveta, e compartilhá-lo com todos.

BarueriGabriel.jpg
Minha palestra sobre células-tronco (foto: arquivo pessoal)

Essa atividade idealizada e realizada pelo Prof. de Biologia Flávio Rodrigues Grassi teve como principal objetivo levar pesquisadores de diversas Universidades (Federais e Estaduais) e Institutos de Pesquisa à Unidade Escolar para expor aos alunos do Ensino Médio um pouco da realidade do meio acadêmico-científico.

Al√©m das nossas palestras, tiraramos d√ļvidas sobre nossas especialidades, e tentamos abordarar de maneira diferente assuntos do conte√ļdo program√°tico do ano letivo e para vestibulares.

Foi uma manh√£ muito interessante, em que pudemos ter bastante contato com uma grande quantidade de alunos que mostrou-se bem interessada, e, claro, com uma grande quantidade de d√ļvidas que esperamos ter esclarecido.¬†As palestras, e seus respectivos palestrantes, foram:

Animais Peçonhentos.
Biól. André Marsola: Bolsista PAP (Programa de Aprimoramento Profissional) do Laboratório de Artrópodes do Instituto Butantan.

Entendendo as Células-tronco.
M.Sc. Gabriel Cunha: Doutorando em Biologia Molecular da Disciplina de Biologia Molecular/Depto. de Bioquímica da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM).

Alimentos x C√Ęncer
M.Sc. Márcia Miyuki Hoshina: Doutoranda do Laboratório de Mutagênese do Depto. de Biologia Celular e Biologia Molecular da UNESP (Campus Rio Claro)

O que √© C√Ęncer?
Biól. Rafael Soares: Doutorando pelo programa de pós-graduação em Biotecnologia da USP

Obesidade e Diabetes Mellitus
Dra. Talita Romanatto: Doutorado em Fisiopatologia Médica pelo Depto. de Clínica Médica da Fac. de Ciências Médicas da UNICAMP, iniciando o pós-doutorado na USP.

Foi um grande prazer participar dessa manh√£ dedicada √† intera√ß√£o cientista-aluno, em que todos pudemos fazer um pouco de divulga√ß√£o cient√≠fica in loco, com respaldo imediato do p√ļblico-alvo.¬†Sem d√ļvida foi a primeira de muitas e aguardamos ansiosamente novos convites!